Apontada como uma das profissões mais promissoras dos últimos anos, mas ainda engatinhando no Brasil, o Coaching é a nova coqueluche dentro das empresas, que passaram a investir pesado na qualidade e produtividade dos seus líderes e, com isso, criaram um novo e lucrativo mercado
A busca por superação e excelência dentro das organizações, diante de um cenário mundial globalizado e altamente competitivo, fez com que os olhos se voltassem para um tipo de profissional cuja função é exatamente a de estimular e extrair o melhor das pessoas, sejam quais forem suas áreas de atuação. Estamos falando do Coaching, profissão que é um produto desse mesmo cenário, nascida da união entre as necessidades de aumento de produtividade e de realização e desenvolvimento profissional.
O Coach, portanto, é uma espécie de treinador, preparador, como esses que levam atletas a alcançar a medalha de ouro e o título mundial. Sua visão é holística, enxerga o todo, e seu foco é na produção de resultados e no progresso, tanto pessoal como nos negócios.
Segundo o site da Sociedade Brasileira de Coaching, estima-se que existam cerca de 16 mil coaches em todo o mundo atualmente, um número que só tende a crescer daqui para frente, já que a profissão tem sido apontada como uma das mais promissoras dos últimos anos. Renato Ricci é um desses 16 mil, com experiência de mais de vinte anos na área de consultoria – é diretor-executivo da Qualitec Consultoria Empresarial – e diversos livros publicados sobre práticas de gestão e mundo corporativo, incluindo alguns específicos sobre coaching.
Trajetória
Ricci graduou-se em Engenharia Mecânica e iniciou sua carreira nessa área, em uma empresa que lidava com aprovação e importação de equipamentos, o que lhe permitiu bastante contato com a língua inglesa. Logo mais, já estaria na área de qualidade de uma empresa norte-americana de ponta, na qual era o responsável por treinamentos operacionais com funcionários, fornecedores e gerentes, visando à qualidade. “Foi lá que eu descobri meu potencial para lidar com pessoas e orientá-las”, conta ele.
Dessa sua habilidade, surgiu a Qualitec, fundada por ele com o objetivo de oferecer treinamentos a empresas de pequeno e médio porte do setor automotivo. “Depois resolvi mudar de estratégia, expandir e abrir o leque para outros setores, como o de hotelaria e varejo”, revela. Ricci passou então a seguir pelo ramo de aconselhamento e consultoria na área de gestão de negócios, prática que exerceu por muito tempo até que decidisse tornar-se membro da International Coaching Federation (ICF), entidade internacional que monitora a qualidade de cursos de coaching em mais de 80 países.
No Brasil, certificou-se como Máster Coach pelo Integrated Coaching Institute (ICI), cujos cursos são credenciados pelo ICF, uma garantia de que seu conteúdo é aceito internacionalmente. Passou então a se especializar em coaching, participar de congressos e cursos no exterior e colocar a profissão em prática. “A partir de então, perdi minha liberdade de opinar”, revela o coach, já que o trabalho de coaching não pode se confundir com o de consultoria. Lembre-se que o Coach é apenas o técnico, aquele que usa seus amplos conhecimentos a fim de auxiliar seu cliente a desenvolver suas potencialidades. Quem reflete e age é exclusivamente o cliente.
Para ser um coach
Para se ingressar em um curso de coaching, não é exigido nenhum tipo específico de formação. “Basta uma graduação em qualquer área ou grande experiência profissional na área de desenvolvimento humano”, afirma Christian Dantas, responsável pelo treinamento “Formação do executivo/gestor em Líder Coach” do ICI. “Entre os participantes dos cursos, temos desde psicólogos até administradores, médicos, advogados, engenheiros, economistas etc.”, ele completa. Christian Dantas ainda revela que não há estatísticas ou dados oficiais sobre a profissão, pois ela está engatinhando no país. “Isso será possível com a Federação Brasileira de Coaching, recém-constituída, que tem como um de seus objetivos o levantamento oficial de profissionais que serão federados”, declara.
Assim como Renato Ricci, Dantas também possui graduação na área de Engenharia (no seu caso, Industrial) e formação em Máster Coach pelo ICI. “No entanto, é bastante comum encontrar pessoas sem formação em coaching trabalhando como coach, sem nenhum critério básico de ética e responsabilidade profissional”, alerta Dantas.
Existe um Código de Ética elaborado pelo ICF e que pode ser encontrado, em português, no site www.icfbrasil.org. Além de segui-lo, o Coach ainda deverá possuir certas competências básicas, como foco, habilidade em ouvir, flexibilidade, empatia e sabedoria interpessoal, entre outros.
Cursos
No curso de Coaching Integrado oferecido pelo ICI, por exemplo, são ministrados, em uma carga horária de 72 horas, os seguintes módulos: Processos de Coaching, Coaching Executivo, Coaching Racional, Coaching para Stress & Adversidade, Coaching Quântico de Vida, Alto Desempenho e Flow, Inteligência Emocional e Habilidades Avançadas em Coaching.
Em seguida, o profissional poderá passar para um módulo mais avançado, o curso de Coach Nível Senior (antigo Máster), com 32 horas-aula e que contém os módulos Coaching na Definição e Construção da Identidade Social, Coaching e a Investigação Apreciativa, Coaching e Feedback de Excelência e Coaching e Modelos de Criatividade.
Para o credenciamento pessoal no ICF, o Coach deverá, além desses dois estágios, passar por mais 13 horas de mentoring (supervisão individual) ou recebimento de coaching por coaches designados pela ICI, e outras 8 horas em que se poderá optar por coaching em grupo, pelo curso Quantum Evolution ou por mentoring adicional.
Para mais informações sobre a formação de Coach, o site do ICI é www.ici-coaching.com.
Remuneração
Segundo Christian Dantas, o Coach pode atuar em duas vertentes: o chamado Life Coaching, destinado a atender às pessoas físicas, que buscam atingir objetivos pessoais e maior qualidade de vida, e o Executive Coaching, voltado ao mercado empresarial, que tem como finalidade a expansão profissional e o alinhamento do gestor às metas corporativas.
No primeiro caso, o valor médio cobrado pelo Coach é de R$ 400 a 700 cada sessão. No segundo, cobra-se a partir de R$ 600, podendo se chegar ao valor de R$ 2.200 por sessão. De acordo com Renato Ricci, um coaching geralmente possui entre quatro e doze sessões. Seu colega Christian Dantas afirma que tal remuneração tem que ser revertida em lucro para quem investe. “Sempre dizemos que o coach deve entregar o que cobra, ou seja, deve estar muitíssimo bem preparado e treinado para oferecer aos seus clientes grandes diferenciais”, finaliza.
Lygia Roncel
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