Dar a dose exata e personalizada de medicamento, de acordo com o perfil genético de cada paciente. Uma medicina mais individualizada, praticamente à la carte, que leva em conta o fato de que a eficácia e os efeitos adversos de remédios estão associados a fatores genéticos ou hereditários.
Embora num primeiro momento muitos não saibam responder que tipo de profissional é responsável por essa atividade, essa é apenas uma das atuações do ramo da Biotecnologia.
O profissional dessa área trabalha com organismos ou partes deles, como tecidos, células, estruturas subcelulares e biomoléculas, elaborando produtos de interesse para a área biomédica (vacinas, novos métodos de diagnóstico); para a indústria farmacêutica (desenvolvimento de biofármacos); agroindústria (melhoramento da produção pecuária, desenvolvimento de bioinseticidas e sementes); indústria alimentícia (processos de produção em que intervêm bactérias, fungos, enzimas); meio ambiente (utilização de agentes biológicos para o controle e saneamento ambiental, tratamento de efluentes); bioinformática; planejamento de projetos biotecnológicos, dentre outros.
Além de atuar na indústria, o profissional da área pode se dedicar à carreira acadêmica. Segundo o coordenador do curso de Engenharia Biotecnológica da Unesp de Assis, o professor doutor José Celso Rocha, o pesquisador será capaz de atuar na Bioengenharia, principalmente nas áreas de Biologia Molecular, Bioquímica, Microbiologia, Fisiologia etc.
Em termos de salário, como a profissão é muito recente no país, o professor afirma que para calcular o piso, deve-se tomar como base o salário de um Engenheiro de Bioprocessos, no qual o ganho inicial gira em torno de R$ 2.500.
Área recente
Embora esta área profissional já exista há muitos anos na Europa e América do Norte, o primeiro curso de Biotecnologia surgiu no Brasil apenas em 2003, sendo ministrado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Assis.
De acordo com o coordenador do curso de Engenharia Biotecnológica da Unesp, a profissão foi alavancada nos últimos anos principalmente com os avanços na clonagem de animais e produção de plantas e animais transgênicos, além do mapeamento do genoma humano.
“Outro fato relevante é que com a aprovação da Lei de Biossegurança no Congresso, que regulamentou o uso de células-tronco e transgênicos, abriu-se novos caminhos para o avanço nas pesquisas e utilização imediata das mesmas pela clínica, destacando-se a incorporação do profissional formado em Biotecnologia”, explica o professor.
O curso ministrado na Unesp, que recebeu, a princípio, a denominação de Bacharelado em Biotecnologia, foi transformado em Engenharia Biotecnológica em 2008. Segundo José Celso, a mudança se deu, principalmente, pela percepção da necessidade de modificações diante do avanço tecnológico da área.
Primeiros formandos
Graduado em julho de 2007, o biotecnologista Alexandre Camargo Chavita, de 25 anos, atua na área desde formado e já atingiu um passo decisivo em uma trajetória profissional: abrir seu próprio negócio. “Em outubro deste ano abri minha própria empresa e atuo como colaborador da Astor Sistemas, representando equipamentos e implantando processos de tratamento de esgoto. Trabalho com o conceito de reúso de água”, explica.
Além de lidar com processos de tratamento de água e efluentes (esgoto sanitário e industrial), o profissional concilia a carreira com o mestrado na Universidade de São Paulo (USP), na área de tratamento enzimático de efluentes fenólicos.
O curso
A graduação de Engenharia Biotecnológica da Unesp/Assis é dividida em núcleo Básico, núcleo Profissionalizante e núcleo Específico, segundo o coordenador do curso.
No núcleo Básico, as disciplinas – em sua maioria da área de exatas – dão uma base sólida para os núcleos Profissionalizante e Específico. No Profissionalizante, as disciplinas permitem aos alunos terem uma formação mais abrangente nas áreas de biológicas e também de exatas.
Já no Específico, os alunos recebem uma formação voltada para tecnologias aplicadas a modelos biotecnológicos, com ênfase na área industrial.
Neste curso, a prática de estágio é obrigatória e realizada no último semestre da graduação. Em relação à remuneração, José Celso aponta que os alunos de Bacharelado em Biotecnologia recebem bolsa – auxílio de R$ 300 a R$ 600. Para os alunos de Engenharia Biotecnológica, o professor tem a expectativa que os valores devam subir para a faixa entre R$ 500 e R$ 800.
Para Alexandre, a experiência do estágio durante os três últimos semestres do curso foi fundamental para seu estabelecimento no mercado de trabalho. “Eu tive a oportunidade de me inserir no mercado na área Ambiental realizando estágio obrigatório em um laboratório de análises de água, efluentes e solo. O início da minha carreira profissional se deu assim, pois no final do meu curso eu fui efetivado e logo comecei a trabalhar com algumas grandes e importantes empresas, como a Gerdau Aço-Minas, Petrobrás, Alunorte, Clariant, Carbocloro”, relata.
Planos
Para o futuro profissional, Alexandre planeja continuar na área ambiental, trabalhando com consultoria e pesquisa de novas técnicas de tratamento de efluentes. Para os interessados na área, ele dá a dica de ouro: a Biotecnologia é uma carreira muito ampla, “portanto para um profissional desta área o ideal é que ele se especialize. O mercado não cobra idéias gerais, mas sim conceitos bem fundamentados e experiência profissional”, aconselha.
Luana Almeida