Em tempos em que a preocupação ambiental já se tornou, antes de tudo, uma necessidade mundial, e não mais uma postura de uma minoria de vanguarda, e o desenvolvimento sustentável se tornou assunto de urgência máxima, as profissões que privilegiam a natureza também tomaram a frente e passaram a ser primordiais. Não é mais o futuro que deve ser o alvo das ações, mas o presente
O termo "agroecologia" ainda é muito jovem e desconhecido de grande parte da população. Existe há apenas trinta anos, mas só recentemente passou a ser mais empregado e discutido, motivado pela atual preocupação mundial com temas ambientais e pela necessidade - jamais tão urgente - de preservação da natureza. "Agroecologia" e "meio ambiente", portanto, são termos que andam sempre juntos, como pai e filho, e há no primeiro a única e inescusável missão de zelar pelo segundo.
O prefixo "agro" (do latim agru, que significa "campo") acompanhado por "ecologia" já nos dá a pista para chegarmos ao significado desse nome, sem muito mistério. Logo, a agroecologia estuda alternativas menos agressivas para a agricultura, presas a valores ambientais e com vistas a um impacto menor no meio ambiente, mas também preocupada com a parte humana, ou seja, as condições sócio-econômicas do agricultor e a melhora na relação entre homem e natureza. É, como se pode perceber, uma fuga ao estilo convencional de agricultura, ao agronegócio, à monocultura, à exacerbada mecanização e, claro, aos insumos químicos (agrotóxicos e fertilizantes), procurando uma saída em que se utilizem métodos menos prejudiciais, como adubos orgânicos e tecnologias de base ecológica, entre outros princípios, para a conservação dos recursos naturais e a busca por produção e consumo mais sustentáveis, ou seja, que promovam melhor integração com o meio em que se vive.
O profissional
O Técnico em Agroecologia utiliza-se dos princípios da sustentabilidade para elaborar relatórios, laudos, pareceres e perícias, faz avaliações ambientais e supervisiona áreas de preservação ambiental. Segundo Eraldo Barbosa Souza, coordenador do curso técnico em Agroecologia do Centro Paula Souza, o profissional da área tem mil e uma utilidades. Algumas delas são:
§ prestar assistência técnica à propriedade agroecológica;
§ pesquisar dados relativos às práticas de mercado e à comercialização de produtos in natura e de produtos elaborados;
§ coordenar e orientar a formação de associações de produtores agroecológicos;
§ planejar e executar projetos e atividades de preservação dos recursos hídricos, do solo, da fauna e da flora silvestre;
§ orientar sobre o controle natural e biológico dos insetos, doenças e plantas espontâneas (que nascem sem ser cultivadas, como as urtigas);
§ realizar atividades de educação ambiental por meio da extensão rural aos produtores quanto à gestão da propriedade agroecológica, promovendo a integração e organização social;
§ controlar a manutenção de máquinas, equipamentos, ferramentas e instalações;
§ colocar em prática técnicas e tecnologias de conservação e armazenamento da matéria-prima e do processamento dos produtos agroecológicos.
Ainda de acordo com o coordenador, a área mais promissora dentro deste setor é aquela de agropecuária que envolve pequenos e médios produtores, mas o profissional também encontrará espaço para atuação em empresas estatais, fundações e até mesmo em Organizações Não-Governamentais (Ongs).
Apesar de o trabalho envolver o agradável comprometimento com a qualidade de vida, preservação ambiental e equilíbrio ecológico, que trará benefícios a toda a humanidade, tais resultados demoram a vir, sendo obtidos apenas a médio e longo prazo. Esse é um dos pontos negativos, segundo Souza.
Quanto à remuneração inicial, ele afirma que o CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), responsável pela fiscalização e registro profissional neste setor, ainda não apresentou piso salarial para técnicos em Agroecologia, o que torna difícil a especulação sobre valores.
O curso
O curso técnico em Agroecologia do Centro Paula Souza é novo, tendo sua primeira turma iniciado suas atividades no segundo semestre de 2007. Para o primeiro semestre de 2009, no Vestibulinho, estão sendo oferecidas 35 vagas na ETEC (Escola Técnica Estadual) de Itapetininga, no interior paulista.
Possui certificação pelo CREA e une os conteúdos e programas de Agropecuária e Meio Ambiente. Segundo seu coordenador, é um dos mais modernos da instituição e não contém estágio obrigatório.
Tem duração de um ano e meio e é dividido em três módulos, cujos componentes curriculares são:
Módulo 1: Gestão da Propriedade Agroecológica; Fundamentos da Agroecologia; Ecologia Agrícola e Agricultura de Base Ecológica; Manejo Sustentável do Solo; Agrobiodiversidade; Linguagem, Trabalho e Tecnologia; Aplicativos Informatizados e Manejo Sustentável de Animais.
Módulo 2: Gestão da Propriedade Agroecológica; Sistema Alternativo de Produção Animal; Planejamento do Trabalho de Conclusão do Curso; Manejo Ecológico do Agroecossistema; Levantamento e Representação Topográfica; Projetos de Instalações Agroecológicas.
Módulo 3: Gestão da Propriedade Agroecológica; Assistência Técnica e Extensão Rural; Agroindústria Familiar; Organizações Sociais no Meio Rural; Mecanização Racional na Agricultura; Políticas Públicas e Desenvolvimento Rural Sustentável; Desenvolvimento de Trabalho de Conclusão do Curso.
Dicas
Para os interessados em buscar mais informações e ampliar conhecimentos em Agroecologia, Eraldo Barbosa Souza indica, entre outros, os sites da Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (www.embrapa.br), da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas (www.unicamp.br) e da UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (www.ufrrj.br), instituições que também oferecem cursos na área.
Além disso, sugere: "Para se atualizar, o profissional deve procurar exercer práticas agroecológicas, produzindo produtos naturais sem a utilização de agroquímicos, participando de eventos, palestras e cursos relacionados à área".
Lygia Roncel