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Dicas de Língua Portuguesa

Encontros vocálicos, consonantais, dígrafos e fonemas

Quarta-feira, 27 de junho de 2012

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Sandra Ceraldi Carrasco

 

Nesta edição, a professora Sandra Ceraldi Carrasco orienta os candidatos aos próximos concursos da Polícia Civil sobre o emprego dos encontros vocálicos. Atenção às explicações da especialista e sucesso em sua prova!

 

As vogais e as semivogais podem aparecer juntas em determinadas palavras formando os encontros vocálicos. “As vogais são: ‘‘a”, “e” e “o” e as semi  vogais, “i” e “u”.  Daí se extraem:

 

1)     DITONGO: formado por vogal e semivogal ou semivogal e vogal na mesma sílaba, podendo ser crescente, decrescente, oral e nasal. Se CRESCENTE, apresentará semivogal antes da vogal. Ex.: férreo, gênio, rósea, ausência, cárie, Páscoa e língua. Quando DESCRECENTE, possuirá semivogal depois da vogal. Ex.: vai, pau, pastéis, véu, tesoura e gratuito. ORAL, quando a vogal que constituir o ditongo for oral. Ex. quadro e pau. NASAL, apresentará vogal nasal. Ex.: pão, quando, bem, cem, muito, falam, são e órfão.

 

2)     TRITONGO: formado por semivogal, vogal e semivogal na mesma sílaba e a ordem deve ser respeitada, caso contrário deixará de ser tritongo. É classificado como ORAL e NASAL. Nesses casos teremos de analisar as vogais que constituem os tritongos. Ex.: quais (oral), averiguou (oral), quão (nasal), águam (nasal), saguões (nasal), etc.

 

3)     HIATO: é o grupo formado por vogais, em sílabas separadas. Ex.: ra-iz,  ru-í-do,  do-er,  co-e-lho,  ru-a,  sa-ú-va,  Sa-a-ra,  pas-se-ar,  ve-em,  ra-i-nha,  mo-í-do,  ca-os,  cru-el,  etc.

 

ATENÇÃO: Você sabe por que alguns encontros não parecem ser ditongos ou tritongos? Analise as palavras bem e cem. Na grafia, tais vocábulos não parecem ser ditongos, pois temos “e” e “m”, que não formam encontros vocálicos, mas na pronúncia, trata-se de ditongos decrescentes nasais, uma vez que o “m”, além de nasalizar a vogal “e”, possui valor de semivogal “i”. Já a palavra quão é um tritongo, o último “o” desempenha o papel de semivogal; logo é mais fraco no grupo, formando a sequência vocálica de semivogal, vogal e semivogal. Assim, muito cuidado ao classificar alguns vocábulos em seu concurso!

 

À sequência de duas ou mais consoantes numa mesma palavra, denomina-se ENCONTRO CONSONANTAL. Ex. blu-sa,  brin-co,  cli-ma,  dra-ma,  flo-co,  fra-co,  gló-ria,  etc. Os encontros consonantais: mn,  gn,  pn,  ps,  e  pt,  são  menos  frequentes na língua, mas temos de respeitá-los. Ex.: mne-mo-tes-te, gno-mo, pneu-mo-ni-a. Há ainda os encontros consonantais separáveis ou disjuntos, os quais, na separação silábica, ficam em sílabas  diferentes. Ex. ap-ti-dão,  ad-vo-ga-do,  dig-no,  ab-sol-ver,  rit-mo,  af-to-sa,  as-pec-to.

 

DÍGRAFO E DÍFONO

O conjunto de duas letras que representam um só fonema é denominado dígrafo. São eles: ch, Ih, nh, rr, ss, gu, qu, sc, sç, xc, e xs. Ex.: chave, telha, ninho, terra, isso, guincho, quiabo, nascer, cresça, excelente, exsudar, etc. Já os fonemas são os sons da fala, capazes de estabelecerem distinção de significados entre duas palavras de uma língua. Às vezes, não há coincidência entre o número de letras e o de fonemas de uma palavra, veja: táxi (04 letras e 05 fonemas); pássaro (06 letras e cinco fonemas); guincho (07 letras e 04 fonemas).
 
No caso da palavra “táxi” o “x” apresenta valor fonético de “ks”, assim, existe um acréscimo fonético, convencionado de dífono, como em outros vocábulos: tóxico, taxímetro, entre outros.

               

Professora Sandra Ceraldi Carrasco, consultora e especialista em Língua Portuguesa, autora de livros e periódicos na área. Há mais de 20 anos ministra cursos e palestras, com índice recorde de aprovação. Seu mais recente trabalho aborda de forma prática o Acordo Ortográfico. Atualmente é coordenadora do curso preparatório IPA. Contato: professora.sandracarrasco@uol.com.br.