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    Especial

    Conheça as carreiras de papiloscopista e auxiliar

    Postos exigem muito estudo e conhecimento sobre a área. Salários previstos são de R$ 2.246 para os papiloscopistas e de R$ 1.830 para os auxiliares, não contabilizando os adicionais previstos por lei

    Polícia Civil

      O candidato que deseja concorrer a uma das 216 vagas de papiloscopista e auxiliar de papiloscopista policial – anunciadas pelo Governo do Estado de São Paulo, cujo edital tem previsão de ser lançado em breve – devem se preparar muito e pensar bem, antes de tomar a decisão de ingressar na carreira. A função é bastante concorrida e conta com peculiaridades que podem pesar na escolha e desenvolvimento do trabalho, tais como o manuseio de cadáveres; análise de fragmentos encontrados em locais de crimes; além de perícia e coletas desses materiais – desenhos papilares de palmas das mãos, pontas dos dedos, plantas dos pés – que auxiliem nas investigações. Uma função importante que exige responsabilidade, pois é peça fundamental para conclusões de inquéritos, identificação de autores de crimes e expedições de mandados de prisão.

       

      “É fundamental na identificação, seja na área civil ou criminal” destaca o presidente da Associação dos Papiloscopistas Policiais de São Paulo, Alaor Bento da Silva. “O profissional se especializa na coleta, análise e confronto dos materiais obtidos, sempre com o objetivo de auxiliar nas investigações policiais”. O presidente lembra que o papiloscopista pode atuar tanto nos locais dos crimes – efetuados contra pessoas ou patrimônios – como no Instituto Médico Legal (IML) ou Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), onde recebe o material coletado e elabora relatórios e laudos.

       

      O papiloscopista também é o profissional responsável por confrontar impressões de recém-nascidos, com o objetivo de identificar suposta troca ou sequestro na maternidade; operar equipamentos eletrônicos ou informatizados que auxiliem nesses trabalhos, tais como elementos e reagentes químicos, arquivamento e utilização de imagens, entre outros; armazenar informações que compõem os bancos de dados das delegacias e institutos médicos legais do Estado; dentre outras atribuições.

       

      Requisitos

      Ainda segundo Silva, é recomendado que o profissional tenha algumas características próprias que vão auxiliar nos trabalhos. Entre eles, mãos perfeitas, firmes, que saibam manusear os instrumentos de forma precisa; uma boa visão, para captar pequenos detalhes nos fragmentos coletados; muita preparação psicológica, para lidar com situações tensas e insalubres; bastante paciência, pois a pressa pode prejudicar detalhes; muito treinamento; além do conhecido “jogo de cintura”.

       

      É necessária formação de ensino médio para concorrer a este cargo, mas, segundo Silva, existe a possibilidade de que o próximo edital exija a formação de ensino superior, de acordo com o estabelecido pelo artigo 159 da lei federal número 11.690 de 9 de junho de 2008.

       

      Mudança, aliás, que é pleiteada pela categoria há muito tempo.

       

      Auxiliar de papiloscopista

      Juntamente com os papiloscopistas policiais, também atuam os auxiliares de papiloscopistas, que são os responsáveis por cuidar de toda a parte burocrática e administrativa dos processos de identificação civil e criminal. É o auxiliar quem prepara os materiais específicos para a coleta de impressões; toma as digitais das pessoas identificadas para fins civis e criminais, bem como de cadáveres desconhecidos; se necessário, também toma impressões palmares e plantares; relaciona e controla os documentos; entre outras, que auxiliam o andamento do trabalho do papiloscopista.

       

      Concurso

      De acordo com Silva, o concurso para papiloscopista não é fácil. “É preciso estudar bastante, todas as matérias de 1º e 2º graus. Se possível, se preparar por meio de um cursinho específico e estudar muito em casa. Em alguns concursos, também são abordadas questões de nível superior, como direito, informática e atualidades”. A concorrência, segundo o presidente, é muito grande. Na última seleção, foram aproximadamente 122 mil candidatos inscritos, o que resultou em cerca de 500 candidatos por vaga. O espaço entre os concursos nestas funções é de aproximadamente dois anos.

       

      É importante o candidato saber que as carreiras de papiloscopista e auxiliar de papiloscopista são independentes, embora possuam a mesma metodologia de promoção. Ou seja, não há possibilidade de ingressar como auxiliar e passar à papiloscopista, ou vice-versa. “Os aprovados começam no estágio probatório, com duração de três anos. No fim, adquirem estabilidade, onde passam a atuar como profissionais de 3ª classe, com permanência aproximada de 15 anos. Só então é promovido à segunda classe. Os critérios utilizados, normalmente, são antiguidade ou merecimento”, esclarece Silva.

       

      Salários, reajustes e seleção

      Os salários inicialmente previstos são de R$ 2.246 para os papiloscopistas e de R$ 1.830 para os auxiliares, não contabilizando os adicionais previstos por lei.

       

      Toda a seleção será composta por seis etapas: a primeira de prova preambular, de múltipla escolha; sendo seguida de prova escrita, com questões dissertativas; prova psicológica; prova de aptidão física; comprovação de idoneidade, mediante investigação social; e prova de títulos, quando for o caso. Os aprovados serão encaminhados ao curso de formação técnico-profissional – com duração prevista de três e meio a quatro meses – realizado pela Academia de Polícia Civil do Estado de São Paulo. No fim, serão contratados pelo período de estágio probatório, por três anos. Todas as etapas são eliminatórias.

       

      Apaixonada pelo que faz

      A papiloscopista Tatiana dos Santos Ferreira atua na área há 13 anos e atualmente está no setor monodatilar do Serviço de Perícia Datiloscópica da Polícia Civil de São Paulo. “Não pretendo deixar esta carreira nunca”, reforça a profissional, que considera o seu papel como fundamental. “Vejo que meu serviço é muito importante para a sociedade, pois soluciona parte dos crimes cometidos e traz um pouco de alívio para famílias que, infelizmente, perderam um ente querido”. Um dos trabalhos dos papiloscopistas é o de identificar cadáveres que estejam carbonizados, mumificados, mutilados, ou outras situações em que estejam irreconhecíveis.

       

      Além de atuar, ela também dá aulas e explica que optou pela função por acaso. “Quando prestei (o concurso), não sabia o que era a papiloscopia. Tentei outros concursos, como oficial de justiça, mas não passei. Também cheguei a trabalhar temporariamente como agente do IBGE”. Foi quando Tatiana soube da abertura de oportunidades para papiloscopista e procurou um amigo seu, que é escrivão de polícia, para saber mais. “Eu adorei. Tanto que busquei uma especialização, participei de cursos, seminários e congressos”, lembra. Na época, Tatiana fazia cursinho de vestibular e aproveitou para dar ênfase naquelas matérias que coincidiam com o concurso.

       

      Não foi fácil. Já naquela ocasião, a função era bastante concorrida. “Eram 84 candidatos por vaga. Só consegui uma boa colocação porque, realmente, estava bem preparada”. Quando a aprovação aconteceu, a sensação foi de merecimento.

      Mas a profissional reforça que o candidato deve conhecer bem a profissão, evitando não encontrar o que imaginava. “Muitos prestam o concurso achando que vão atuar como investigadores”, alerta. “Tem que gostar de trabalhar com impressão digital e ter compromisso com o trabalho. Um curso preparatório específico também é o ideal”.

       

      Nos dez primeiros anos de profissão, nossa entrevistada ficou no setor decadatilar, responsável por fazer a verificação dos dados das pessoas. Analisava as impressões digitais dos dez dedos para, no fim, confirmar as identidades. Somente há poucos meses é que atua analisando os fragmentos. “É um trabalho minucioso, que exige bastante atenção e dedicação. Eu gosto muito”.

       

      A perspectiva agora é de mudanças. Os papiloscopistas, atualmente, buscam maior valorização da profissão e mais investimentos, que se encontram escassos. “Falta material até para trabalhos básicos”, explica Tatiana. Outra luta da categoria é para que as seleções passem a exigir formação superior para os papiloscopistas, a exemplo do que acontece em alguns outros Estados. “Muitas vezes, os profissionais de nível médio não estão suficientemente preparados para lidar com a parte administrativa, de produção de laudos. E a lei exige que eles sejam assinados por peritos de ensino superior”.

       

      George Corrêa

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