Profissional de Libras

Quem sabe ou tem vontade de aprender a Língua Brasileira de Sinais, seja surdo ou não, tem pela frente um merc

Redação   Publicado em 07/12/2007, às 14h43

Quem sabe ou tem vontade de aprender a Língua Brasileira de Sinais, seja surdo ou não, tem pela frente um mercado de trabalho promissor. É possível dar aulas como instrutor e professor, para quem possui os ensinos médio e superior, respectivamente, e atuar como tradutor e intérprete em escolas, universidades, empresas, associações, entre outras. Saiba mais sobre essas novas profissões!


Para entender melhor o que faz e como se tornar um instrutor, um professor ou um tradutor e intérprete de Libras, primeiro é preciso saber que Libras – sigla de Língua Brasileira de Sinais – é a linguagem mais utilizada pelos surdos para comunicação entre si e com pessoas que ouvem (as quais denominaremos aqui de ‘ouvintes’) e que conhecem a mesma linguagem. Libras é aquela forma de conversa por meio do gestual, que muito tem aparecido nos programas políticos e religiosos da televisão, sempre em algum canto da tela.

E por que abordar a atuação do instrutor, professor e do tradutor e intérprete no Profissões & Cursos? Na maioria das vezes, eles não trabalham como voluntários? Não. Já foi assim, mas não é mais. E justamente por se tratar, hoje, de uma realidade bem diferente da existente no País até meados dos anos 2000, tendo sido aberto um significativo mercado de trabalho tanto para surdos como para ouvintes, é que tratamos do assunto nesta edição.

Para se ter uma idéia da dimensão do que estamos falando, por determinação do governo federal, os sistemas e as instituições de ensino da educação básica e as de educação superior brasileiras, públicas e particulares, devem ter instrutores e professores de Libras em seu quadro do magistério.

"O Brasil precisa, no mínimo, de 5.564 a 16.692 instrutores ou professores de Libras, o que equivale a ter, pelo menos, de 1 a 3 desses profissionais em cada município", contabiliza Shirley Vilhalva, segunda vice-presidente da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis).

Ela, que é surda, faz mestrado em Lingüística e trabalha como professora tutora do curso de Letras/Libras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é uma das entrevistadas desta semana. Também foram consultados Neivaldo Zovico, surdo, professor de matemática e diretor da Feneis-SP, e Joel Barbosa Júnior, ouvinte, que atua como tradutor e intérprete.

Instrutor e professor

O instrutor e o professor de Libras podem atuar em escolas, universidades, empresas, associações e órgãos públicos, além de poderem dar aulas particulares. A prioridade, especialmente nas instituições de ensino, é dada a surdos, mas muitos são os ouvintes que já lecionam.

O instrutor deve ter formação de nível médio e certificado obtido por meio de exame de proficiência em Libras, promovido pelo Ministério da Educação (o Prolibras, promovido pela Secretaria de Educação Especial do MEC e desenvolvido, anualmente, por instituições de ensino superior).

"A Feneis, associações de surdos, Senai, Senac, secretarias de educação e faculdades oferecem o curso em nível médio. É possível, inclusive, aprender Libras por meio de cursos on-line", informa o professor Zovico.

E, caso se queira atuar na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, passando a professor, é preciso ter curso de pedagogia ou curso normal superior em que Libras e língua portuguesa escrita tenham constituído línguas de instrução, viabilizando a formação bilíngüe.

A UFSC, onde trabalha a professora Shirley, oferece o curso de Licenciatura em Letras/Libras à distância, em rede com outras instituições educacionais, como a Universidade de São Paulo. O público-alvo são instrutores surdos de Libras, surdos fluentes em Libras e ouvintes também fluentes em Libras que tenham concluído o ensino médio.

Tradutor e intérprete

Estudante de Letras, Joel Barbosa Júnior, 33 anos, começou a traduzir e interpretar Libras voluntariamente, na igreja que freqüentava, e hoje vive da profissão, traduzindo Libras para a língua portuguesa e a língua portuguesa oral para Libras. Tem emprego fixo, com carteira assinada, e realiza trabalhos extras para instituições como a Justiça.

Quando há audiência envolvendo preso surdo, ele é um dos convocados em São Paulo para tradução. E o pagamento é um dos maiores, por conta do risco que a situação envolve. "São sempre R$ 150 por hora", conta Barbosa.

Outra forma de trabalho é através das consultorias de Libras, que prestam assessoria (e emprestam tradutores e intérpretes) para empresas que tenham surdos. "Toda empresa com mais de 100 funcionários tem que ter 5% de deficientes, e elas, normalmente, preferem os surdos porque eles não têm problemas com obstáculos, como as escadas", argumenta Barbosa. Nesse caso, ele faz interpretação de reuniões e cursos de reciclagem, por exemplo.

Também há oportunidade de trabalho em congressos com palestrante ou platéia surdo. Quando isso acontece, contrata-se um ouvinte e um surdo que sejam intérpretes. Barbosa exemplifica: "Um professor da Suécia fala a língua de sinais de seu país. O intérprete surdo brasileiro, que também conhece a língua de sinais da Suécia, traduz para a Libras o que o professor diz, e o intérprete ouvinte, por sua vez, fala ao microfone, para quem está na platéia, o que o intérprete surdo diz por meio da Libras". Atuando dessa maneira, como autônomo, a remuneração chega a R$ 50 por hora.

E, por fim, há ofertas em escolas e universidades. "Já interpretei aulas dos cursos de pedagogia, desenho industrial, comunicação social na área de editoração e direito", diz Barbosa. A remuneração gira em torno de R$ 20 a R$ 40.

Para ser tradutor e intérprete basta ter o ensino médio e curso de Libras ministrado por instituição competente. A Feneis, por meio de suas filiais, espalhadas pelo Brasil, oferece o curso.

Uma boa pedida para quem quer iniciar no mercado de trabalho e não sabe como. Recentemente, projeto de lei foi enviado à Assembléia Legislativa de São Paulo solicitando a inclusão de pelo menos um intérprete de Libras em cada unidade de saúde pública, para que o atendimento médico aos surdos seja mais eficiente. E, na cidade de São Paulo, foi aprovada a criação da primeira central de intérpretes da prefeitura, com atendimento 24 horas. "Em março ou abril vamos ter concurso público", comemora Barbosa.

Informações

Mais informações, como, por exemplo, onde estudar Libras, podem ser obtidas no site da Feneis: www.feneis.com.br. Sobre o curso de Licenciatura em Letras/Libras da UFSC, detalhes no site www.ead.ufsc.br.


Luciana Quierati