Entre bisturis e cafés

Diferentemente da maioria das crianças, Fábio Yanagui, não queria ser médico na infância. Pelo contrário, tinha aversão a estes profissionais.

Redação
Publicado em 28/05/2010, às 15h14

Diferentemente da maioria das crianças, Fábio Yanagui, não queria ser médico na infância. Pelo contrário, tinha aversão a estes profissionais. Nascido em Belo Horizonte, ele acredita que a influência do avô foi fundamental para a escolha da profissão. “Meu avô sempre quis ser médico e contava com grande emoção que não realizou o sonho, devido a sua situação financeira na juventude”, diz.

Durante a época de cursinho, prestou para diversas universidades em vários Estados. Determinado e sabendo que competiria com vários candidatos, Fábio estudava diversas horas sem descanso. Como resultado, foi aprovado em várias instituições, mas concluiu o curso de medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora, em 2004. O irmão gêmeo e a irmã caçula também são médicos.

Depois de seis meses de formado e muitos estudos, foi aprovado no concurso para médico clínico da Prefeitura de São Paulo. Na ocasião, Fábio realizava residência médica e teve que largar a especialização para tornar-se funcionário público, uma vez que os horários eram incompatíveis. “Eu já estudava quase 12 horas por dia para as provas de residência, por isso contava com uma boa bagagem e experiência quando prestei o concurso da prefeitura. Não foi difícil me dedicar a tantas horas de estudos contínuos, pois já estava acostumado com essa rotina”, afirma.

Para o médico, que atualmente trabalha em um hospital, presta serviços em um posto de saúde e em uma clínica em Osasco, o importante, além das horas de dedicação, é a absorção do conteúdo e dar o melhor de si, pois a competição é com candidatos que estão há muitos anos se dedicando para os concursos.

Mesmo com tantos objetivos alcançados, Fábio ainda mantinha o sonho de abrir um negócio próprio. Na época da faculdade, o futuro médico aprendeu com um livro que era preciso poupar e investir muito para garantir o futuro. Ele conseguia economizar até 50% de sua renda mensal. “O ideal é abrir mão de um conforto presente para se obter um maior conforto futuro, ou seja, ganhe dinheiro, economize, faça-o crescer e depois sim, você pode gastá-lo, mas sempre com consciência”, aconselha.

Fábio leu cerca de 20 livros que abordavam a parte financeira, o planejamento, gestão de pessoas, administração e gerenciamento de equipes. E logo percebeu que colocar a teoria em prática não seria nada fácil. Mesmo assim, começou a pesquisar sobre vários negócios, como casas lotéricas, franquias de lojas de perfume, estacionamentos, lanchonetes, restaurantes, entre outras. Sabendo que o seu tempo seria escasso, pois teria que conciliar com a medicina, optou pelo ramo de cafeterias.

Atualmente, Fábio gerencia cinco cafeterias da rede Black & White. Divide os negócios com o irmão e o pai. Segundo ele, o retorno é muito lucrativo, mas durante muito tempo teve que investir sem obter o retorno imediato. A lucratividade demorou alguns anos para ocorrer. “O fator mais importante de um negócio é escolher bem o ponto comercial. Além disso, é importante montar uma boa equipe de trabalho, ter controle e organização do seu negócio”.

O médico – empresário garante que para ter sucesso nos negócios é preciso planejar, fazer pesquisas de mercado e encontrar algo que se encaixe no perfil do empreendedor. Agora, para os concurseiros, ele aconselha nunca desanimar, investir em cursos e tentar superar sempre os próprios limites.

Além do trabalho, ele divide seu tempo livre com a prática de exercícios físicos e a paixão por viajar, conhecer lugares e novas culturas. Recentemente, o médico viajou para o Egito e ficou fascinado com a oportunidade de conhecer uma cultura completamente diferente.

Aos 31 anos, Fábio, orgulha-se de ter conseguido realizar seus sonhos. Mas não deixa de pensar no futuro. “Quero ver a minha empresa prosperar e o meu sonho é poder expandir os negócios, estudar outros ramos ou franquias. Acredito que essa seria uma grande realização”.

Samantha Cerquetani/SP

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