Qualificando uma conquista

“Com 14 anos eu só queria trabalhar e entrei como office boy em um escritório de contabilidade e gostei”.

Redação
Publicado em 30/12/2010, às 13h52

“Demorou para ter horário, cara”. Não é a frase que você espera escutar de um homem, aos 26 anos de idade, atrás de uma imponente mesa de madeira de um marrom escuro e bem lustrado na sala de seu espaçoso e confortável escritório de contabilidade. Não é a frase que você espera escutar, mas Igor Dias de Oliveira tem essa recorrente mania de quebrar expectativas aliando planejamento e ousadia.

Essas duas palavras são caras ao dicionário prático do contador que quando criança sonhava em ser bombeiro. “Com 14 anos eu só queria trabalhar e entrei como office boy em um escritório de contabilidade e gostei”, esclarece sobre o desvio do sonho de menino para a descoberta de adolescente. “Aí eu enfiei na cabeça que tinha que ter um escritório”, continua. É esse sonho que, realizado na efemeridade dos 20 anos, ganha novas tonalidades no alvorecer da nova década.

Hoje, Igor pensa em ampliar o leque de serviços oferecidos pelo escritório. De posse de um recém tirado registro no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CreciI), o contador planeja lidar com corretagem ao mesmo tempo em que considera a possibilidade de abrir o escritório para advocacia. Mas antes de se deparar com estratégias de crescimento, Igor precisava estudar.

Proveniente de família modesta, precisou bancar os próprios estudos. “Saí do escritório de contabilidade e fui trabalhar nas Lojas Cem”, rememora. Com o salário de contínuo (“um faz tudo na verdade”), Igor pagou os próprios estudos e os da irmã mais velha, Ludmilla, que hoje trabalha com ele.

Apesar do plano de carreira que já dava sinais de vingar nas Lojas Cem (estagiava na subgerência aos 19 anos), Igor mudou o foco da carreira quando vislumbrou uma boa oportunidade. “As lojas Cem foi um exército para mim. Aprendi a dar valor para uma parede pintada, sabe?”, expõe, “mas veio essa proposta”. O contador se refere à oferta de sociedade que o ex-patrão do escritório de contabilidade em que trabalhou aos 14 anos lhe fez. “Ele estava abrindo um escritório em Itapevi (município da Grande São Paulo) e queria que eu cuidasse das coisas por lá”. A sociedade, na prática, não se verificava, já que Igor ainda não era formado e a maior parte dos lucros ficava com o sócio/ patrono. Em 2006, formado, Igor resolveu dar um passo arriscado, mas com o devido cálculo de quem já estava acostumado a trabalhar das 7h30 às 22h. E em 2007 abriu seu escritório no centro de Cotia (cidade da Grande São Paulo em que reside).  Mas a conquista é maior do que parece. Igor impôs-se um desafio maior. Ciente de que seu sócio e ex-patrão andava desgostoso (e um tanto relapso) da rotina da função, fez uma oferta para comprar o nome da empresa e a carteira de clientes. A proposta foi acolhida. Em quatro anos, os resultados – segundo Igor – já podem ser sentidos.  “Eu comprei esse nome e levantei esse nome”, exclama com indisfarçável satisfação. Para demonstrar empiricamente a teoria, o contador lança mão de um artifício curioso: “Vamos por cores (sorri enquanto rabisca um pedaço de papel): temos o verdinho, que é aquele cliente que paga bem e tem sua empresa ajeitadinha; temos o amarelinho, que é aquele cliente que dá para aturar e temos o vermelhinho, que é aquele cliente que é péssimo. Faz você trabalhar dobrado e não te paga direito”. Igor conta que quando adquiriu a carteira de clientes, eles eram em 40. “Todos vermelhinhos”. Valendo-se do que os políticos chamariam de choque de gestão, Igor investiu na relação pessoal e prestou-se a tarefa de convencer seus clientes da necessidade de planejamento. Como resultado, aumentou consideravelmente o número de clientes amarelos (e ganhou verdes), o que convertido para o sistema financeiro equivale a um recebimento de 95% ao mês, quando há quatro anos esbarrava nos 50%. “Você sempre vai ter problemas, mas se você investir em um bom serviço, você vai ter retorno”, resume. Pode parecer fácil, mas Igor demorou para ter horário.

Por Reinaldo Matheus Glioche

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