Sonho de menina

Quase toda garota, até pouco tempo atrás, sonhava em ser professora quando criança...

Redação
Publicado em 22/10/2010, às 15h06

Quase toda garota, até pouco tempo atrás, sonhava em ser professora quando criança. Inspirada pelas mestras do jardim de infância e do primário, era recorrente vê-las ensinando o bê-a-bá a bonecas, irmãos, primos e amiguinhos. Não era diferente com a mineira Fernanda Daniela Fernandes Carvalho, hoje com 28 anos. “Só brincava de ser professora, ficava horas escrevendo naquelas lousinhas e falando sozinha, dando bronca nos meus alunos imaginários”, diverte-se. Em meio às brincadeiras, ela também ajudava a mãe nas tarefas de casa e cuidava da irmã, cinco anos mais nova.

Os anos passaram, Fernanda cresceu, mas o sonho de ser professora não foi substituído, tanto que, ao terminar a antiga 8ª série, suas pretensões eram cursar o magistério, dar aulas para turmas do ensino fundamental, casar e ter filhos. O destino, no entanto, quis algo além disso. No momento em que foi se matricular no magistério, recebeu a notícia de que não haveria mais turmas para aquele curso e a única alternativa foi frequentar as aulas do colegial. “Felizmente, as coisas não aconteceram como eu sonhava”, conta Fernanda.

Aos 15 anos, durante o ensino médio, a jovem começou a trabalhar em uma drogaria da cidade em que morava, Camanducaia, no sul de Minas Gerais. Ali, recebeu o estímulo dos proprietários para cursar farmácia e, naquele instante, sua vida já começava a trilhar novos e inimagináveis rumos. O período de faculdade foi sinônimo de esforço e dedicação. “Estudei muito, mas muito mesmo. Pensava comigo que iria até o fim”.

No início do curso, Fernanda trabalhava das 8h às 17h na drogaria, viajava cerca de 60 km até a universidade e ainda tinha que conciliar os plantões da farmácia nos finais de semana com as aulas aos sábados. Em seguida, por conta das disciplinas de estágio, mudou-se para Bragança Paulista, em São Paulo, onde se localizava a universidade. No laboratório de análises clínicas da própria instituição, ela ingressou como estagiária e, tempos depois, tornou-se auxiliar. Após a formatura, ela permaneceu no mesmo trabalho e, um ano depois, passou a atuar como farmacêutica responsável.

Muitos agora podem estar pensando onde foi parar o sonho de infância de Fernanda. Que bom que a história não termina aqui. Depois de formada, a farmacêutica começou uma especialização e, antes de concluir o curso, ingressou também no mestrado. Até chegar o dia em que defenderia sua tese, foram noites debruçadas sobre os livros, finais de semana em cima do computador, mas, segundo a jovem, tudo valeu muito a pena.  Foi nesta rotina de loucura, como ela mesma afirma, que Fernanda pôde, finalmente, entrar em uma sala de aula, não como aluna, mas como professora. Enquanto ainda estava no mestrado, cujo foco foi a investigação dos benefícios da ingestão de ômega 3 (presente em cápsulas de óleo de peixe) em gestantes e lactantes, começaram as aulas em duas instituições de ensino, em Bragança, onde a jovem havia se graduado, e em uma faculdade da capital paulista.

Hoje, ela está se preparando para ingressar no doutorado, é professora no curso de farmácia, orienta estudantes em trabalhos de conclusão de curso (TCCs) e já tem planos de dar vida a um negócio próprio voltado à área da saúde. Tudo isso, garante ela, só foi e é possível graças ao apoio de pessoas mais que especiais: a mãe, o marido, a irmã, os antigos patrões que a incentivaram, a professora e orientadora no mestrado, as amigas etc etc etc... “É como se eu recebesse um troféu a cada aula e contar minha história agora será um belo presente em comemoração ao dia do professor”, completa.    * O dia do professor foi comemorado no último dia 15 de outubro. 

Talita Fusco

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