A “bola” já rola em outro jogo

Mas, cá entre nós, não dava para esperar passar no concurso e ir na próxima Copa?

Redação
Publicado em 18/06/2014, às 12h03

Cláudia Jones

Sempre que um evento de grande repercussão se aproxima, fico preocupada com os concurseiros, principalmente os que estão com provas marcadas. Tenho a impressão de que a maioria deles simplesmente esquece que vem investindo há um certo tempo no futuro, com ordem e planejamento, com o objetivo de passar em concurso público. Com a chegada da Copa do Mundo, essa é uma grande preocupação!

Qual não foi minha surpresa quando, circulando pelos corredores em um momento de intervalo da aula, encontrei com um grupo, recentemente, falando sobre a expectativa de ver os jogos. Não, não pela TV, mas ao vivo. Isso mesmo: compraram passagens, têm hospedagem paga e ingressos. Estavam felizes pela oportunidade,talvez única, de assistir tão de perto a maior competição de futebol do planeta. Tentei entender, mas não consegui.

Ver a competição da Copa do Mundo pessoalmente pode até ser um dos maiores sonhos de jovens com cerca de 25 anos de idade, ainda mais o evento sendo aqui no Brasil. Mas, cá entre nós, não dava para esperar passar no concurso e ir na próxima Copa?

Um dos alunos chegou a brincar comigo dizendo que eu estava “ficando velha” e por isso estava com aquela “conversa”. Conversa, eu? Pois foi exatamente o que questionei.Tento zelar pelo bom desempenho dos concurseiros (essa é minha função!), que acabam, inclusive, virando amigos, mas milagre não faço! Pensem que terão de preencher um cartão-resposta no dia de prova.

Pior que se ausentar dos estudos durante o período da Copa é que muitos já estão nesse clima há algum tempo. Veja que, mais de um mês antes da competição (quando os encontrei nos corredores trocando figurinhas, imersos no clima da Copa), eles já não falavam em outra coisa. Um mês aqui, outro mês acolá, e quando perceberem é chegado o “Dia D”. Se aprendeu, ótimo! Caso contrário, terá de ficar para a próxima oportunidade.

A vida é feita de escolhas. É como em um sistema binário, onde há “sim” e “não”. Se é uma coisa, não pode ser a outra. Imagino o quanto aqueles jovens investiram –em tempo e dinheiro – para chegar na reta final de preparação para os concursos e largar a meta como se todo o esforço já feito não valesse nada. Muitas vezes,são anos de dedicação e, uma decisão como a tomada por aquele grupo, pode pôr a perder a conquista do emprego público.

Isso me lembra as férias 2013/2014. Teve gente rindo porque ia viajar, passar uma temporada fora da cidade, visitar parentes. Eu ponderei, avisei que não seria boa ideia se ausentar durante todo o verão, mas muitos não aceitaram o que eu disse. Como especialista, oriento sobre escolhas profissionais. Não posso ir além da minha competência – e sobre a vida de outra pessoa eu não tenho tamanho poder de influência. Aliás, observo que é um “poder” que os “amigos” detêm, mas nem sempre o utilizam de forma sábia, até porque nem sempre têm a boa capacidade de discernimento a seu favor.

Sempre digo e repito que lazer é fundamental, mas é preciso um “cadinho” de bom senso para ter o tempo necessário para cada coisa na vida. É assim com diversão também. Organize o tempo e deixe para tirar as merecidas férias quando estiver ganhando mais de R$10 mil por mês! Aí sim você terá tranquilidade para curtir avida, pagar as contas, ter carro e apartamento, família bem amparada, entre outras coisas. Mas sendo ainda estudante, dependente dos pais, ou ganhando no final do mês um, dois, três salários mínimos? Melhor abdicar da curtição agora e se esforçar um pouquinho mais até passar, pois, acredite, você poderá ter a possibilidade de assistir a quantas Copas quiser e ganhando bem!

Entendo que todos nós precisamos de férias, que viajar faz bem. Sei de tudo isso e já tive 25 anos também. Mas logo agora? Não é possível esperar um pouco mais?Claro que assistir aos jogos do Brasil pela TV pode ser levado em conta como um momento de relaxamento. Faz parte e é bom! Mas, viajar, entrar no clima de Copa total? Nem tentei dissuadi-los da ideia ao ouvir um sonoro “Cláudia, a gente se encontra lá”. Lá no Maracanã (RJ), ou em São Paulo, ou em outro estádio do Brasil!

Enquanto isso, a “bola” já rola em outro campo, pois os seus adversários estão em outro“jogo”!

Cláudia Jones ,especialista em concursos do site Questões de Concursos.

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