Vale a pena fazer um concurso público?

Estabilidade, remuneração alta, sem disputa com o mercado de trabalho e ameaça de desemprego são alguns dos motivos que atraem cada vez mais pessoas para concursos públicos.

Redação
Publicado em 23/04/2014, às 16h43

Fernando Bentes

Vários motivos diferentes podem seduzir pessoas à carreira pública. A estabilidade atrai os candidatos que desejam ter paz, sem a preocupação com a disputa no mercado de trabalho privado e com a ameaça de desemprego. O serviço público dá uma identidade social, fornece uma inserção positiva na comunidade e, geralmente, oferece cargos com alto status e que conotam sucesso. Porém, algumas pessoas são atraídas pela possibilidade de ganhar uma remuneração alta, o que é a mais pura verdade. O serviço público ainda oferece uma média de rendimentos superior aos salários da iniciativa privada.

É justamente por todas essas vantagens que a carreira pública oferece que há uma procura muito grande de interessados, com uma consequente concorrência que dificulta a aprovação dos candidatos. E, convenhamos, não poderia ser diferente. Tudo o que vale a pena na vida exige certa dose de empenho.

O antropólogo inglês Victor Turner estudou rituais de ascensão de status,definindo como uma pessoa pode se diminuir, submeter-se a sacrifícios e humilhações antes de se elevar na hierarquia da sociedade. Eventos como o"trote" universitário, o sofrimento de cursos de formação de militares, as eleições para os políticos ou as bancas de monografia de faculdades são exemplos elucidativos de como a pessoa pode passar por um período de teste ou dificuldade, para depois elevar seu status.

O candidato de um concurso público passa pela mesma experiência: estuda várias horas por dia, tem dificuldades na vida pessoal, reduz ao máximo o seu lazer e submete-se a um processo penoso de provas para depois gozar de um período de bonança, com alto status social e verdadeira tranquilidade de vida. Na área de concursos, este status é reconhecido por dois caminhos. O primeiro é o caráter do cargo, consolidado na cultura de um povo como uma posição de autoridade e importância, como o "juiz", o "auditor-fiscal" ou o"delegado". O outro viés de reconhecimento social vem pela contaminação do status da instituição no seu agente ou funcionário. É o caso dos tribunais judiciais ou da Caixa Econômica e do Banco do Brasil, instituições consolidadas, algumas centenárias, e que gozam de alto grau de respeitabilidade e tradição, independente das críticas que se faz às atividades que elas desempenham. 

Na busca por este status de sucesso, a vida do candidato passa a ter apenas um objetivo social: passar nas provas e conquistar o cargo público. No entanto, querer não é poder e recomendo algumas diretrizes subjetivas e objetivas necessárias para que o interessado possa se preparar adequadamente, destacando-se da legião de competidores.

Fatores subjetivos contam bastante e o candidato deve resolvê-los antes de fazer aprova. Medo, nervosismo, baixa concentração, pouca autoestima, excesso de confiança e autossuficiência são características que podem atrapalhar o candidato. Mas o que conta mesmo para a aprovação são os critérios objetivos de educação e preparo do candidato.

A primeira etapa é escolher uma carreira pela felicidade que ela trará. Isso será essencial para a sua motivação. Depois desse passo inicial é preciso analisar o edital; fazer um cronograma factível de leitura; consultar fontes de estudo(aulas, livros e apostilas) de qualidade; intercalar o estudo teórico com a resolução de questões de concursos passados (da mesma instituição e banca organizadora); trocar informações com outros candidatos; e treinar a concentração e a dosagem do tempo no momento da prova. 

Todas essas orientações são de extrema importância, fundadas na experiência pessoal,acadêmica e de acompanhamento de milhares de candidatos efetivamente aprovado sem concursos e felizes no exercício de sua função pública. “Vale a pena fazer um concurso?”, eu garanto que sim. E se alguém quiser a tão sonhada aprovação,recomendo com entusiasmo seguir esses passos.

Fernando Bentes é diretor acadêmico do site Questões de Concursos e professor de direito constitucional da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

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