A carreira pública ficou ainda melhor

Desde 2004, houve 133% de aumento na folha de pagamento dos servidores federais, de acordo com o Boletim Estatístico de Pessoal do MPOG

Redação
Publicado em 03/10/2012, às 15h37

De Lucca
Tradicionalmente, a estabilidade tem sido o principal motivo para ingressar na carreira pública. Porém, os reajustes salariais acima da inflação nos últimos anos tornaram muitas carreiras públicas mais atraentes que as suas equivalentes na carreira privada. Desde 2004, houve 133% de aumento na folha de pagamento dos servidores federais, de acordo com o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG).
De acordo com os dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior parte dos trabalhadores no país, conforme a última Relação Anual de Informações Sociais (Rais), de 2010, ganha R$ 1.742 por mês, em média. Para os funcionários públicos, o valor médio do salário sobe para aproximadamente R$ 2.458, o que representa 41,1% a mais.
Segundo dados do IBGE, os funcionários públicos foram os que tiveram o rendimento médio real mais alto em maio de 2012: R$ 2.993. Trabalhadores do setor privado, com e sem carteira de trabalho, ganharam entre R$ 1,5 mil e R$ 1,2 mil, respectivamente. Nos grupamentos de atividades, os serviços tradicionalmente prestados pela administração pública aparecem como os mais bem remunerados.  O crescimento da economia e da carga tributária permitiu um aumento dos gastos com pessoal de mais de 60% acima da inflação em oito anos, contra pouco menos de 4% nos oito anos anteriores. A seguir, um quadro comparativo das remunerações máximas de algumas carreiras públicas em 2002 e 2010, com o percentual de aumento real nestes oito anos, descontada a inflação do período.

Carreira

Remuneração máxima em 2002

Remuneração máxima em 2010

Alta acima da inflação do período

Auditor fiscal

R$ 7.377

R$ 19.451

68,3%

Diplomatas

R$ 6.971

R$ 18.478

69,2%

Delegado da Polícia Federal

R$ 9.282

R$ 19.700

35,5%

Analista do Banco Central

R$ 7.878

R$ 18.478

49,8%

Agente da Polícia Federal

R$ 6.011

R$ 11.879

26,2%

Professor universitário

R$ 5.438

R$ 11.755

38%

Policial rodoviário

R$ 5.699

R$ 10.544

18,1%


Os dados são para as carreiras federais, mas os Estados e municípios também elevaram suas despesas com pessoal acima da inflação. 
Após uma greve em vários setores da administração federal, o governo firmou um acordo que prevê reajustes, parcelados em até três anos, de 15,8% nos salários dos civis e 30% para os militares. O número de servidores com os quais foi feito o acordo representa 93% do total.  Até o fechamento desta coluna, algumas categorias, como a dos policiais federais, continuavam em greve, pois não aceitaram o acordo que também deverá ser aplicado aos servidores do Legislativo, Judiciário e Ministério Público da União (MPU).
Estes reajustes devem aumentar o número de interessados em ingressar na área pública. O ano de 2012 foi ótimo para os concursos, com muitas oportunidades, e já estão previstas para o próximo ano as contratações de 49 mil servidores, sendo que 21 mil são para a área da educação, com a expansão da rede de universidades e institutos técnicos. Devem ocorrer também concursos no Ministério da Fazenda (2.700 vagas), no INSS (2.300 vagas) e na Polícia Federal (1.200).  Além destas vagas, teremos outros concursos, como o do Banco do Brasil e os concursos estaduais e municipais, também com boas remunerações. Bons estudos e sucesso na carreira pública.
Carlos Alberto De Lucca é professor e desde 1979 prepara candidatos para concursos públicos. cdelucca@uol.com.br.

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