As metamorfoses de Kafka

Radialista, concurseira, mãe e roqueira. Estas são algumas das várias facetas de Alessandra Kafka, 35 anos, que acredita ser parente distante do escritor tcheco Franz Kafka.

Redação
Publicado em 27/08/2010, às 14h51

Radialista, concurseira, mãe e roqueira. Estas são algumas das várias facetas de Alessandra Kafka, 35 anos, que acredita ser parente distante do escritor tcheco Franz Kafka. A concurseira começa a entrevista relembrando a sua paixão pelo som, que fez com que ela optasse pelo radialismo. “Escolhi essa carreira porque sou apaixonada por som, por música, por qualquer coisa que faça meu ouvido trabalhar e prestar atenção. Adoro ir ao cinema para ‘escutar’ um filme bem barulhento”, diz.

Assim, após dois anos de faculdade, Alessandra conseguiu um estágio em uma emissora de rádio em São Paulo, onde aprendeu as mais diversas funções. Lá, tornou-se responsável pela assistência de produção de um programa.

Atualmente, ela mora com o filho Felipe, de oito anos, e a gata Francesca. Alessandra dedica-se integralmente aos estudos e pretende ser Procuradora da Fazenda do Estado de São Paulo.

Lá se vão mais de dois anos em busca de uma vaga na área pública. A concurseira, entretanto, acumula algumas vitórias: foi aprovada no concurso da Prefeitura de Mauá, no cargo de fiscal de rendas, na Prefeitura de Santo André, para a função de auxiliar de recursos humanos, e na Fundação Zoológico de São Paulo, para o cargo de assistente de departamento pessoal.

A experiência dela não para por aí. Alessandra já prestou concurso no Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), no Tesouro Nacional, na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz/SP), na Receita Federal, no Banco Central (BC), na Fundação de Desenvolvimento da Educação (FDE) e na São Paulo Turismo (SPTuris). Alguns para ter experiência, outros porque realmente desejava trabalhar no órgão.

Mas vida de concurseiro não é nada fácil. Alessandra estuda das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira, com uma hora de intervalo para o almoço e pequenas pausas no decorrer do dia. “Leio muito, faço muitos exercícios e não trato o concurso como uma mera opção de quem não tem o que fazer no momento e simplesmente presta para passar tempo. Concurso para mim é uma profissão”, afirma.

Tudo que aprende nos estudos, a mãe coruja tenta passar para o filho. Por ser filha única, Felipe tornou-se o “irmão” que ela nunca teve e sempre quis, além de ser um companheiro para todas as horas. “Criá-lo tem sido um prazer. Ele sabe todas as matérias que estudo, todos os concursos que presto. Não o deixo fora da minha vida, em hipótese nenhuma”, diz orgulhosa.

Além do filho e dos concursos, Alessandra se orgulha do trabalho de conclusão de curso realizado na pós-graduação em jornalismo cultural. Após passar um tempo na Europa, ela presenciou a primeira excursão internacional do Sepultura com o novo vocalista. Gostou tanto que em 1999 apresentou uma monografia sobre o grupo. “Eu realmente dei vida ao meu sonho. Meu maior prazer foi poder ter entrevistado os quatro integrantes do Sepultura. Eles foram muito atenciosos e meu nome aparece nos agradecimentos do trabalho Roorback”, relata.

A concurseira também quer encontrar um amor, tarefa que considera nada fácil, uma vez que pretende cursar a faculdade de direito, prestar o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e estudar muito para ser procuradora. “Com certeza, meus próximos dez anos de vida não serão nada fáceis. Ele vai ter que ter muita paciência mesmo”, brinca.

Quando começou a estudar para os concursos, Alessandra se apaixonou pela disciplina de direito tributário e desde então fazer parte da Fazenda Pública Estadual tornou-se muito mais do que um desafio. Agora é uma necessidade. Mas por que procuradora? –pergunto curiosa. “Ser procuradora é uma homenagem a alguém muito especial que conheci nessa vida de concurso. Mas isso é uma outra história que jamais será contada. Essa vai ficar comigo mesmo”, conclui com certo ar de mistério.

Samantha Cerquetani/SP

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