Atrai cada vez mais candidatos

Alguns dos atrativos são: bons salários, a não exigência de experiência profissional ou formação específica.

Redação
Publicado em 22/05/2009, às 15h19

Recentemente, o site do Jornal dos Concursos & Empregos lançou uma enquete questionando os internautas sobre qual a melhor área para ingressar por meio de concurso. Entre as opções, estavam os setores de educação, saúde, segurança pública, jurídico, bancário/fiscal e administrativo.

Num total de 9.129 votos, 24,07% ou 2.197 participantes apontaram a área administrativa como a mais interessante. Diante da vitória, o JC&E preparou, então, um especial sobre este segmento, que atrai tantos concurseiros pelo Brasil afora.

Onde estão as vagas?

Em concursos, a maioria dos processos com oportunidades na área administrativa oferece vagas para as funções de técnico (nível médio) e analista (nível superior), como afirma Fábio Gonçalves, diretor do Meta Concursos, de São Paulo, e vice-presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac). “Assim funcionam os tribunais, como o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), e as autarquias, como o Banco Central”, explica o diretor. Instituições policiais e bancárias também costumam abrir vagas para funções administrativas – a exemplo do cargo de escriturário, oferecido no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal –, além de prefeituras, câmaras municipais, secretarias e outros órgãos públicos. 

Nas vagas de nível superior, podem existir pequenas diferenças de requisitos e atribuições de acordo com cada seleção. Alguns processos têm oportunidades para analista administrativo e exigem dos interessados formação superior em qualquer campo de conhecimento. Outros, por sua vez, dividem as vagas para analista em subáreas, como biblioteconomia, ciências contábeis, comunicação social, entre outras. Neste caso, o requisito é ter nível superior naquele curso específico.

Vantagens

E quais motivos tornam o setor administrativo de um órgão público tão atrativo? Para o diretor do Meta Concursos, estabilidade, altos salários e a não exigência de experiência profissional ou graduação específica são os principais fatores. Outro item apontado por Gonçalves é a recorrência de seleções para essa área. “Esses concursos são muito frequentes e apresentam um mesmo núcleo básico de matérias. Portanto, ao estudar para determinado processo, o candidato estará estudando para diversos concursos com salários e atribuições equivalentes”, afirma.

Tais vantagens acabam atraindo um público bastante heterogêneo. “Nas salas de aula dos cursinhos preparatórios, é comum vermos pessoas que acabaram de terminar o ensino médio e outras com o mestrado já concluído”, exemplifica Gonçalves.

A similaridade dos conhecimentos exigidos entre dois processos foi um dos motivos que impulsionou Claudinei de Lima, de Porto Alegre (RS), a prestar o concurso para técnico administrativo (nível médio) do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE/MG). De acordo com ele, além da oportunidade de trabalhar em um órgão considerado modelo e da remuneração paga – R$ 3.711,74 –, o fato de já estar estudando para o concurso do TRE/RS foi fundamental na decisão de disputar uma vaga em Minas.

O já funcionário público André Schneider, também da capital gaúcha, é outro que se prepara para uma seleção da área administrativa, a da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Formado em Letras e atuando como revisor de textos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ele disputará uma das quatro oportunidades oferecidas para o cargo de técnico administrativo (nível médio) em Porto Alegre. O salário de R$ 4.190,07 despertou o interesse de Schneider pelo concurso, mas, o grande número de atividades que englobam o setor administrativo também o atraiu. “A função desempenhada em um cargo que exige formação específica pode ser muito limitada e não trazer desafios ao dia-a-dia do trabalho. Nesse caso, atuar na área administrativa pode ser muito mais interessante”, ressalta.

Quem já chegou lá

A possibilidade de executar mais de uma atividade no ambiente de trabalho é realmente um diferencial do setor administrativo. José Renato Grillo, de Santos (SP), é formado em Administração de Empresas e, no momento em que decidiu prestar concursos, optou por vagas relacionadas à sua área de formação. Em 2006, ele foi aprovado na seleção da Prefeitura de Santos e, desde 2007, atua como oficial de administração. “Na prefeitura, existem diversos setores em que podemos trabalhar e várias tarefas fazem parte da rotina administrativa, tais como elaborar relatórios, dar andamento aos processos administrativos, prestar atendimento ao público e outras atividades solicitadas pela chefia”, conta.

Hoje, já promovido, ele está feliz com as funções que desempenha, com a remuneração e, principalmente, com a estabilidade de um emprego público. “A satisfação em saber que o salário está garantido no final do mês é grande”, revela.


Dicas de estudo

Para o diretor do Meta Concursos, Fábio Gonçalves, a aprovação em um processo para a área administrativa exige muito estudo e dedicação, já que a concorrência é grande.

Segundo ele, a aprovação em concursos de nível médio costuma ocorrer depois de quatro meses a um ano de dedicação. A estimativa é um pouco maior para os cargos de nível superior. “É preciso estudar entre um ano e um ano e meio”, completa.

Para sair à frente, a dica do profissional é estudar as disciplinas básicas, pedidas em diversas seleções. Por isso, dominar português, informática, matemática, noções de direito constitucional e de direito administrativo é imperativo para quem almeja a aprovação.

Rotina de concurseiro    

Javã de Carvalho, de São Paulo (SP), está se preparando atualmente para a prova de técnico administrativo do TRE/MG. Concurseiro desde 2006, ele chegou a estudar 12h por dia e já obteve aprovação em seleções do Tribunal Regional Federal de várias regiões, mas seu grande sonho é atuar em um Tribunal Eleitoral. Para alcançar sua meta, Carvalho resolve um média de 300 exercícios todos os dias e faz cursinho das matérias específicas, como regimento interno e direito administrativo. “Regimento interno é o mais complicado e, no concurso do TRE/MG, foram pedidos dois regimentos no edital. Temos de utilizar técnicas de memorização e resolver muitos exercícios”, conta.

Lima, que também estuda para o exame do Tribunal de Minas Gerais, mantém uma rotina igualmente intensa. “Estudo de quatro a seis horas por dia. Normalmente, das 20h30 às 23h30 e, depois de um intervalo, fico até as 4h da manhã”, afirma. Sua principal dificuldade está nas disciplinas de direito e, para ele, resolver muitos exercícios, participar de fóruns na Internet e conhecer a banca examinadora são as principais formas de driblá-la.

Talita Fusco/SP

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