Audiência pública discute melhorias para policiais civis

Audiência "SOS Segurança Pública" realizada na Assembleia Legislativa levantou questões como déficit de policiais, salários defasados, sobrecarga de serviço, aumento de suicídio entre policiais

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Coluna do servidor
Publicado em 18/10/2019, às 11h56

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Déficit de 14 mil policiais civis, salários defasados, sobrecarga de serviço, aumento no número de suicídio entre os policiais. Essas foram as principais questões abordadas na audiência pública SOS Segurança Pública, realizada na Assembleia Legislativa. O SOS Segurança Pública é um grupo formado por associações e sindicatos dos policiais civis. Criado em 2014, tem o objetivo de fortalecer a categoria. Prestes a completar 25 anos na Polícia Civil, Rosely Guido, agente de telecomunicações, trabalha no Presídio da Polícia Civil, onde ficam presos os policiais civis. Roseli trabalhou no presídio por 11 anos, depois ficou afastada para atuar no Sindicato dos Trabalhadores em Telemática Policial do Estado de São Paulo (Sintelpol).

Recentemente, voltou ao Presídio da Polícia Civil, onde constatou a falta de funcionários. “Estamos com quase 14 mil funcionários a menos. Esse é um problema, pois você acaba sobrecarregando o funcionário que está no plantão, no dia a dia, fora o reajuste salarial que há muito tempo não temos. As delegacias estão totalmente sucateadas. Tudo isso tem ocasionado problemas emocionais em policiais civis. Temos visto muitos casos de suicídio. É necessário que o governo preste atenção no que está acontecendo”, comentou. Qualidade da investigação policial O presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Gustavo Mesquita Galvão Bueno, ressaltou que a falta de policiais afeta a atividade-fim da Polícia Civil, que é a investigação criminal. “Muitas vezes não temos condições suficientes para investigar a grande quantidade de crimes que ocorrem no Estado de São Paulo. É importante dizer que a Polícia Civil continua exercendo um excelente papel, a duras penas, graças ao esforço, vocação e abnegação de seus policiais”, observou.

O delegado afirmou que o déficit de 14 mil policiais está relacionado aos baixos salários. Ele exemplificou dizendo que, recentemente, um delegado de polícia deixou a carreira para ser oficial de justiça no estado de Rondônia. A deputada Adriana Borgo (PROS), que conduziu a mesa dos trabalhos, observou que os policiais estão sofrendo com a falta de valorização salarial. “Os nossos policiais civis fazem o que podem e o que não podem. Isso leva ao suicídio, causa estresse. Esses homens e mulheres dão a vida por quem nem conhecem.

Precisamos pensar neles como seres humanos diferenciados, pois eles são o último elo entre o bem e o mal da sociedade”, afirmou a deputada. Ao final da audiência pública, foi elaborada uma pauta de reivindicações que será entregue ao governador e ao presidente da Alesp. Além dos citados, estavam presentes representantes da Adispesp, Associação de Defesa dos Integrantes da Segurança Pública do Estado de São Paulo; Associação Internacional de Polícia; além de representantes dos oficiais administrativos, papiloscopistas, escrivães e peritos criminais.  

Privatização ameaça patrimônio histórico e direito ao esporte

Além do direito ao esporte e ao lazer, muitos argumentos foram apresentados contra a privatização dos complexos esportivos do Pacaembu e do Ibirapuera na audiência pública realizada em 1º/10, na Alesp. “Esses equipamentos marcaram época, sediando importantes competições internacionais”, afirmou o professor Flávio de Campos, do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Futebol e Modalidades Lúdicas da USP.

No Pacaembu, a demolição do Tobogã – arquibancada de preço popular com 13 mil lugares – para a construção de um prédio de escritórios “representa o aumento da desigualdade e uma mudança na sua finalidade”, afirmou a arquiteta Stela Da Dalt.

Sobre a legalidade da obra, Asunción Blanco, moradora do bairro, apresentou documentos do Condephaat que comprovam o tombamento integral do complexo. Ela também explicou que o estádio, embora municipal, foi construído em terreno do Estado, que só foi transferido ao município, por decreto, em dezembro de 2018. Isso pode anular a concessão por dois motivos: 1º - A licitação aconteceu antes de o município ter a titularidade do bem; e 2º - A transferência do imóvel ao município teria de ser autorizada por lei, já que a destinação final seria de concessão. Em posse dessa documentação, Carlos Giannazi vai representar ao Ministério Público e aos tribunais de contas do Estado e do Município pedindo a anulação do contrato de concessão do Pacaembu.

Fontes: Diário Oficial e Duarte Moreira

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