Sabe o que é coesão sequencial e coesão referencial?

A coesão sequencial e coesão referencial podem ser conteúdo importante para a produção de textos e para as questões objetivas

Leandro Cesaroni
Publicado em 16/11/2016, às 14h20

A coesão sequencial pode ser conteúdo importante para a produção de textos e para as questões objetivas. Quando tratamos desse tipo de coesão levamos em consideração, principalmente, o uso dos conectivos. Os conectivos, além de estabelecerem relação de sentido entre as orações, são elementos coesivos entre períodos e parágrafos. 
A ideia de sequência está relacionada à progressão do texto, por isso sua importância para a construção coerente dos períodos e parágrafos. A ideia atrelada ao conectivo é também importante para que a progressão se confirme. 
É muito comum que as bancas façam substituições desses conectivos em questões de reescrita, por exemplo. Ainda que a presença do conectivo permaneça no período, a substituição poderá trazer problemas para o sentido do texto. 
Vejamos um exemplo: 
Quero encontrar João e pedir um favor. Mas não sei se ele vai aceitar, ainda que seja muito meu amigo. Se ele aceitar, ganhará minha confiança para sempre. 
O primeiro conectivo (E), apresenta uma ideia de adição à sequência apresentada. O conectivo MAS insere ideia de adversidade ao texto; o SE é uma conjunção integrante e sua continuidade insere um complemento para o verbo “saber”. O uso do AINDA QUE apresenta sentido de concessão ao período; o SE, logo na sequência, introduz ideia de condição. 
Nesse pequeno trecho, podemos perceber a importância desses conectivos para a coesão sequencial do trecho. A ausência desses marcadores discursivos pode prejudicar a coerência e dificultar a compreensão adequada da ideia pretendida. 
Assim, fica evidente que para a construção de textos dissertativos ou para questões de compreensão e interpretação, conhecer e dominar o uso desses elementos será um diferencial. 
A coesão referencial está relacionada, assim como a sequencial, ao textos dissertativos e às questões objetivas. O nome dessa coesão já é um indicador do tipo de relação que ela estabelece. Para a coesão referencial, existirão diversas classes de palavras que podem ser utilizadas. 
Devemos partir do entendimento de que os textos devem evitar repetições, para isso, será preciso fazer uso de elementos que promovam o sucesso dessa intenção. O uso mais comum desses elementos se dá com o pronome, uma vez que essa classe de palavras, em sua função morfológica, pode acompanhar ou substituir um nome. 
De modo genérico, destacam-se as coesões realizadas por elementos anafóricos e catafóricos. A anáfora é a recuperação de um termo já mencionado, enquanto a catáfora é a antecipação de um elemento que ainda será mencionado. Vejamos um exemplo: Ela é muito esperta, a minha filha! = elemento catafórico que antecipa “minha filha”. 
João encontrou os sapatos. Ele estava cansado de procurar. = elemento anafórico que recupera “João”. 
É mais comum que a coesão se realize com o uso de pronomes, no entanto também é muito frequente o uso de sinônimos ou outras construções para estabelecer a coesão referencial. Vejamos mais um exemplo. 
Maria olhava as flores na calçada. Seus cabelos esvoaçaram e fizeram-na perder as margaridas de vista. Ela desejava o ramalhete, era uma menina determinada.  
Nesse trecho temos os referentes “Maria” e “margaridas”. O primeiro aparece inicialmente, o segundo tem um elemento catafórico que o antecede. AS FLORES é o elemento catafórico de MARGARIDAS; SEUS tem como referente MARIA; NA também tem como referente MARIA; ELA é outro elemento anafórico de MARIA; O RAMALHETE se refere às margaridas; MENINA tem como referente Maria. 
Logo, é possível perceber toda a importância desses elementos de coesão para que o texto não e torne repetitivo e que apresente progressão adequada. Muita atenção!
Janaina Arruda é professora de língua portuguesa no AlfaCon Concursos Públicos

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