Mitos e Verdades sobre o Exame da OAB

O professor Cristiano Rodrigues, da LFG, comenta a segunda fase da prova, aplicada no último domingo (24)

Redação
Publicado em 01/03/2013, às 12h31

Cristiano Rodrigues

No último domingo (24/02) tivemos mais uma 2ª Fase da OAB, uma prova que gerou muitas expectativas em face do baixíssimo índice de aprovação em todo o Brasil na primeira fase, e, portanto, com um numero bastante reduzido de candidatos prestando esta segunda etapa do exame.

Em face disto, todos nós, professores da rede LFG, estávamos apostando e torcendo por uma prova mais equilibrada, e ouso dizer, ate´ mesmo mais fácil do que de costume, para compensar a evidente desproporção na cobrança da FGV na primeira etapa deste exame, o que efetivamente me parece ter ocorrido nas maiorias das áreas de especialização.

Posso falar melhor a respeito da prova de Direito Penal, para a qual, junto com meus amigos Nestor Távora e Flavio Cardoso, preparei os alunos da rede LFG em todo o Brasil.

Inegavelmente foi uma prova equilibrada, não digo fácil, aliás menos fácil do que esperávamos principalmente no que tange a peça prático-profissional, que embora tenha sido de fácil identificação (memoriais), possuía inúmeras teses e detalhes que exigiram muita atenção e preparo dos candidatos.

No que tange as questões discursivas não houve grandes surpresas ou dificuldades, conforme eu havia "previsto" no Dia D, na véspera da prova, e falado durante minhas aulas na 2ª Fase aqui no LFG, o examinador veio com questões diretas, objetivas, cuja resposta não exigiu mais do que duas ou três linhas, perfil já esperado para o tipo de prova imaginado diante da desequilibrada primeira fase, como já mencionamos.

Na verdade, o que me motivou a escrever este breve texto não foi comentar tecnicamente mais esta prova de segunda fase da OAB, mas exatamente esse curioso aspecto de previsões, palpites e apostas que rodeiam todos os exames de ordem, principalmente nas segundas fases, que povoam o imaginário dos alunos/candidatos, e movimentam a nossa atividade, professores/videntes, à medida que se aproxima a data de um novo certame.

É claro que num curso como o LFG, não se pode esperar nada diferente do que, em cada área, os professores forneçam aos seus alunos todo o conteúdo técnico a ser exigido nas provas elaboradas pela FGV, abrangendo todas as peças possíveis de serem cobradas, o que evidentemente ocorre. Mas não é disso que eu estou falando.

O que me levou a escrever este artigo, caro leitor, foi à mística que envolve a véspera de cada prova da Ordem: a crença inocente, quase que pueril, o mistério, quase que uma dúvida travestida de esperança, a respeito da capacidade que o professor tem de prever, intuir, saber e acertar, no dia que antecede a prova, exatamente o que vai cair, qual será a peça pedida, e quais os temas que, dentre os muitos passíveis de cobrança, estarão lá diante do candidato na hora H.

O curioso e´ que esta expectativa de acerto, esta confiança em poderes místicos, quase mágicos dos professores, capazes de dizer ao aluno, com precisão, o que irá aparecer no dia seguinte na sua prova, deixou de permear o imaginário somente do aluno/candidato, e já passou a fazer parte de uma poética autoconfiança, uma responsabilidade velada, no afã de ajudar nossos alunos, internalizada também em nós, professores/videntes.

Posso falar por mim, que desde que entrei pra rede LFG como professor responsável pelo Direito Penal, tenho sucessivamente acertado muitas, e em alguns exames, como neste último, todas, eu disse todas, as questões e temas cobrados, e algumas vezes, como agora, intuído com sucesso qual a peça que será cobrada.

Estou falando de "previsões" realizadas no Dia D LFG, as vésperas da prova, ou algumas mesmo durante as aulas, já que movidos por esse imaginário coletivo que toma conta da preparação para o exame, os alunos sempre me pedem os famosos palpites sobre ?o que eu acho que vai cair?.

Posso falar também de muitos outros amigos e professores da rede, que a cada prova passam pela mesma situação de cobrança por vidência, e que surpreendentemente acabam acertando peças e questões. A impressão que passa e´ que em cada cadeira temos um "professor vidente", com poderes sobrenaturais, capaz de prever e avisar seus alunos a respeito do que vai cair na prova no dia seguinte.

O que me assusta e´ que normalmente as previsões acabam se concretizando mesmo!

Mas será que realmente temos uma bola de cristal? Seríamos nós professores, legítimos videntes, quem sabe meio mágicos, ou mesmo dotados de algum poder metafísico de adivinhação?

Com a mais absoluta sinceridade, e com a acidez e amargor que a verdade dita inexoravelmente possui, lhes digo: NÃO! Nós não temos qualquer poder sobrenatural, não somos videntes, e nem possuímos bolas de cristal.

Então como explicar tantos acertos, tantos palpites certeiros, tantas apostas bem sucedidas em qual peça que será cobrada? Será que o Mazza recebe mesmo dicas do "Batuira", a Nathalia joga cartas, o Montans ouve vozes do além, o André joga búzios, o Sanchez e o Sabbag tem bola de cristal, ou serei eu, Cristiano, uma espécie de "mãe Dinah jurídica"?

Não e´ nada disso, o que verdadeiramente ocorre, amigos, é que cada um de nós professores da rede LFG, estamos constantemente nos preparando, analisando provas, pensando em temas, e buscando através de estatísticas e conhecimento técnico orientar cada um dos nossos alunos quanto àquilo que acreditamos que será cobrado.

Vou lhes revelar um segredo: sim, a experiência de anos de docência, o conhecimento técnico, a dedicação, o estudo, as estatísticas, a análise detalhada das provas anteriores e do perfil do examinador são a nossa verdadeira "mágica" para "adivinhar" o que vai cair na sua prova, e claro, por que não, contar com um pouco de sorte, não é?

Confesso que a verdade às vezes não me satisfaz tanto quanto a crença no impossível, a esperança lúdica de que há algo além do pragmatismo, da técnica, que existem fatores inexplicáveis, e confidencio a vocês que ainda tenho minhas duvidas se não há algo de mágico, místico, imponderável nos meus palpites nas vésperas de prova da OAB.

Mas prefiro continuar assim, sabendo a verdade, mas crendo naquilo que não posso explicar, pois, "se o universo conspira a favor quando se deseja de verdade alguma coisa", que assim seja, e que eu e os meus amigos, professores da rede LFG continuemos a acertar, como que por mágica, as questões da prova, pois e´ de corpo e alma que desejamos, e lutamos sempre pelo sucesso e aprovação de nossos alunos.

"No creo en brujas, pero que las hay, las hay"

Cristiano Rodrigues é professor de Direito Penal exclusivo da Rede LFG, doutorando em Ciências Criminais pela Universidade de Coimbra – Portugal. Mestre em Ciências Penais pela UCAM/RJ.

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