Pilates para concursos

Encontrar o equilíbrio, mesmo em terrenos tortuosos e arenosos, pode ser a chave para conquistar o cargo público. Assim como no exercício de pilates, qualquer desafio da vida pede que você ache seu eixo

Redação
Publicado em 15/02/2013, às 11h01

William Douglas
Motivado pela necessidade de manter a saúde, um dos recursos foi me render ao pilates. Depois de um período de rejeição e implicância, me curvei à eficácia do método. A técnica está me trazendo, admito, muitos benefícios! Falarei um pouco sobre o assunto e suas lições para concurseiros.
Inicialmente, a mudança do estúdio e da professora fizeram muita diferença. Às vezes, é preciso mudar de curso, professor ou livro para vencermos alguns obstáculos que, aparentemente pessoais, podem ter sua gênese no método do curso ou professor. Nem sempre isso significa que o curso e/ou o professor sejam ruins. Trata-se apenas de uma questão de afinidade, empatia.
Um dos exercícios do pilates – o que me inspirou a escrever este artigo – é realizado com um disco inflável. Consiste em ficar em pé sobre uma base de borracha, em formato de disco, com algum ar no seu interior. Ficar ali em cima gera uma boa dose de desequilíbrio. Não bastasse isso, a professora fica a distância arremessando duas bolas, uma atrás da outra, para que sejam agarradas e devolvidas. Tudo isso sendo feito em cima daquela base “bamba”, claro! 
O início é enjoadíssimo, mas com o tempo pega-se o jeito e é possível cumprir a “missão”. O segredo para se equilibrar é manter a postura correta e estabelecer o centro de equilíbrio, o que exige enorme reprogramação.
Pois bem, na última sessão percebi que as coisas estavam melhores e até recebi elogios da professora. A base não mudou, muito menos a rotina, frequência e o modo de lançamento das bolas. Porém, eu estava mais equilibrado e, acredite, tranquilo! A mudança não foi externa...Foi interna. Veio de dentro de mim. A professora explicou que tudo havia melhorado, pois estava mais ereto.
Antes de mais nada, a verdade é que quando alguém começa a se abaixar demais e olhar para baixo, a aceitar vaticínios pesarosos e contrários, as coisas pioram. Ficar ereto ajuda a mudar esse quadro.
A grande aplicação dessa metáfora é a manutenção do próprio eixo, o eixo central, é a verticalidade. Assim como no exercício de pilates, qualquer desafio da vida pede que você ache seu eixo.
O que define nossa capacidade de andar sobre um terreno instável não tem nada a ver com o terreno! O que define a marcha não é a natureza do caminhante. Uma pessoa “torta”, mesmo com o chão estável, vai mancar. Uma pessoa equilibrada, porém, caminha bem no terreno fofo ou irregular. E é fato: a vida é repleta de terrenos irregulares...Em suma: o que define sua capacidade de caminhar em direção aos sonhos não é o terreno, mas sua verticalidade. Se perder o eixo, você entra em caos.
Eis uma notícia maravilhosa: quando a solução dos nossos problemas não reside na mudança do cenário, significa que temos em nossas mãos a capacidade de mudar nossa história. As pessoas, em geral, ficam torcendo para que o ambiente mude e se torne favorável a seus planos, mas, na maioria das vezes, o caos externo é um sintoma da falta de harmonia interna.
Não sei como está sua vida pessoal. Talvez haja caos e instabilidade. Provavelmente esteja difícil pegar todas as bolas e devolvê-las de forma adequada. Mas estou certo de que se você encontrar seu eixo e sua verticalidade, o equilíbrio interno decorrente ajudará sobremaneira.
Como encontrar nosso eixo? O primeiro passo é estar atento a ele. O segundo é encontrar nosso eixo de serenidade. Se você parar e refletir, e de forma honesta se comparar com o resto da humanidade, provavelmente, vai descobrir muita coisa boa em sua vida. Sugiro fazer uma lista de coisas boas e aquelas pelas quais vale ter gratidão.
Outro caminho para manter seu eixo é se esforçar muito pelo sonho, mas sem que isso gere demasiado grau de estafa. Tenho presenciado muitas pessoas que surtam, entram em crise ou depressão porque se submetem a um tratamento desumano. Acham que são super-homens ou “mulheres maravilha”! Não somos nada disso! É preciso um mínimo de equilíbrio na administração do tempo.
Por fim, ressalto que concurso é um projeto para médio e longo prazos. Seu eixo principal precisa ser estabelecido em si mesmo, mas nada impede que alguém que você admire participe da montagem dessa estrutura emocional tão importante para o nosso equilíbrio. Seja como for, saiba que a hora em que você encontrar seu eixo, o caminho mais arenoso será trilhado com firmeza.
Se houver caos, busque, primeiramente, as soluções dentro de si mesmo. Busque aquilo que você acredita e quer para si. Ao encontrar seu eixo, sua verticalidade, você terá equilíbrio para caminhar melhor. O pilates é um bom começo para tudo isso!
William Douglas é juiz federal, professor, palestrante, autor de diversas obras. Passou em nove concursos, sendo cinco em 1º lugar: www.williamdouglas.com.br.

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