Conheça a técnica que pode acelerar os estudos

Para especialista nenhum macete substitui o conhecimento, mas mudanças no processo de leitura e memorização podem render bons resultados

Redação
Publicado em 15/02/2013, às 11h49

O futurista e escritor norte-americano, Alvin Toffler, conhecido pelos trabalhos sobre revolução digital e nas comunicações, afirma que esta é a era da onda do conhecimento, na qual a mercadoria mais valiosa, que um dia já foram as especiarias do Oriente, é a informação. A informação é fundamental para se destacar no mercado de trabalho e também para passar em concursos públicos, afinal o conhecimento é a única coisa que não se pode tirar de um ser humano, como diz o ditado popular. Mas como unir informação e as tarefas diárias que temos a realizar? Seria bom poder ler mil palavras por minuto ou se pudesse ler um livro com mais de 100 páginas em no máximo três horas, não seria? Esse é um dos principais recursos da leitura dinâmica. Sobre o tema, o JC&E conversou com o professor Juarez Ângelo Lopes, especialista em leitura dinâmica e diretor do Instituto de Otimização da Mente.

Jornal dos Concursos & Empregos – Quais as diferenças entre os processos de leitura convencional e os de leitura dinâmica?
Juarez Ângelo Lopes –
Antes de falar em leitura dinâmica e leitura tradicional, devemos falar de leitura. Como funciona a leitura? Os olhos batem fotos. Essas fotos são transformadas em impulsos eletroquímicos e mandadas para o cérebro. O cérebro revela a foto e compara com o arquivo que ele tem, que desde a infância vai sendo mexido. Se aquela informação tem no arquivo, entende-se. Se não tem, mas viu, sabe que viu, se vir de novo vai dizer: já vi isso, não sei o que é, até que alguém ou você mesmo decodifique isso. A partir daí, toda vez que vir isso, entenderá. É assim que funciona a leitura. Na leitura dinâmica, os olhos batem fotos. Posso bater fotos de uma letra, de uma sílaba, de uma palavra ou até de um pensamento. Já vim de fábrica com leitura dinâmica. Quem tem em casa uma criança de um ano, essa criança vê na televisão Coca-Cola, Danone, aquelas propagandas todas. Se levar essa criança no mercado e ela vir uma Coca-Cola, um Danone, vai apontar o dedo. Não sabe nem falar, mas quer porque lê. Não precisa soletrar para ler. Nascemos assim. A professora primária não tem culpa, ela aprendeu assim também. Fui alfabetizado para ler. Não precisava. Precisava me alfabetizar para escrever. Ler é uma função natural do cérebro, já nasci sabendo ler, não sabia decodificar. Então o que ela fez, ensinou o alfabeto. Depois começou a juntar letras. Para chegar a uma ideia, tinha que fazer tudo isso. Não precisava. Se é foto, poderia bater foto na palavra inteira, mas fui programado assim. Se em casa, você tiver algum texto, tente lê-lo mentalmente. Vai ver que só consegue ler pronunciando sílaba por sílaba. Isso é a leitura tradicional. A leitura dinâmica é uma mudança no programa de dados. Ao invés de fotografar sílaba, fotografa blocos de palavras. Isso é feito através de exercícios repetitivos em que se estressa o cérebro. O cérebro detesta estresse, detesta trabalho. Sempre que pode, ele automatiza e não trabalha mais. Quando vamos aprender a dirigir, é uma dificuldade. Dois pés, três pedais. Como, com dois pés, vai mexer com três pedais? Tem que segurar o volante, a marcha. A impressão que tinha era que jamais ia aprender. Hoje faço barbeiragem sem ver, já não penso mais. Dessa forma, o cérebro, quando pode, automatiza. Então, através de exercícios repetitivos, o cérebro vai ser estressado com um programa novo. As nossas redes gerais têm conexões chamadas sinapses. Essas sinapses é que provocam o condicionamento, que são responsáveis pela parte inteligente do processo. O aluno não participa, faz a parte mecânica. Por isso não exige que seja um gênio. Fazer leitura dinâmica qualquer um consegue, desde que esteja afim de mudar.

JC&E – Como um leitor convencional pode se tornar um leitor dinâmico?
JAL –
Ele vai fazer exercícios, vai acelerar. E acelerando a voz dele também acelera. Morreu recentemente no Rio, estava no Guinness, a pessoa que mais rápido falava, que era o Ernani Pires, locutor de corridas de cavalos. Quando ele chegava no ápice, ele lia 600 palavras por minuto. Então, é um processo de crescimento, vai subindo. Até chegar a 600, a voz ainda fala. Se você acelera, ela acelera também. A partir de 600 ela não consegue mais. Ela some sozinha. Não é você quem acaba com ela, é ela que não consegue acompanhar depois. É um processo inconsciente.

JC&E – Quem leva mais vantagem nos processos de leitura dinâmica? Aquela pessoa que já tem certo domínio da leitura convencional ou aquela que não lê tão bem no processo habitual?
JAL –
Ser alfabetizado é um pré-requisito. Analfabeto não consegue fazer leitura dinâmica. A pessoa que tem bastante hábito da leitura é perfeccionista. Aquela pessoa que já teve sucesso com a leitura tradicional quando você propõe mudanças radicais, essa pessoa reage um pouco, tem dificuldade de mudar. É necessário esquecer tudo o que aprendeu e fazer tudo o que está sendo ensinado. Essa pessoa que é perfeccionista, não consegue não ser perfeita. Mas nesse momento do processo tem que jogar o jogo. Se fizer isso, conseguirá ser perfeito na leitura dinâmica. A pessoa que não tem o hábito da leitura o que vier é lucro. Consegue um resultado muito bom porque não está preocupado com nada.

JC&E – Quanto tempo é necessário para um leitor convencional se tornar um leitor dinâmico?
JAL –
Nosso curso tem uma carga horária de 16 horas, 4 dias de 4 horas. Em 15-16 horas é possível dobrar a velocidade inicial do aluno. Ele lê, no último dia, um livro de 119 páginas, faz uma prova com 50 questões de múltipla escolha e acerta mais do que acertaria tradicionalmente. Só que isso é pouco em relação ao nosso projeto. Quero que ele chegue a ler mil palavras por minuto, é o nome inclusive do livro. Mil palavras não é muita coisa. Se terminado o curso, for cumprido o ritual que mandamos para casa de treinamento de uma hora e meia por dia, em aproximadamente um mês, chega-se a mil palavras por minuto. Não é tão difícil, mas exige uma mudança. A programação neurolinguística diz o seguinte: se você tem um resultado esperado e não o alcançou, precisa mudar a atitude. Se tiver a mesma atitude, vai ter o mesmo resultado. Leitura dinâmica é uma mudança de atitude.

JC&E – Com a leitura dinâmica a compreensão é integral e permanente? Não é só das informações importantes e nem só de maneira imediata?
JAL –
Eu comecei com a leitura dinâmica em 1968. Fui o primeiro a trazer para o Brasil e o único que continua até hoje. Comecei pelo método francês, que trabalha com alta velocidade e uma compreensão global, ou seja, com uma boa ideia de princípio, meio e fim. Mas queria uma leitura dinâmica que desse a mesma compreensão da leitura tradicional ou até melhor. Procurei melhorar até que encontrei o método da professora norte-americana Evelyn Wood, o adaptei para a realidade brasileira e hoje tem o método Professor Juarez de Leitura Dinâmica. Então, a compreensão dessa leitura dinâmica é melhor e por muito mais tempo. Quando se trabalha com associação guarda-se mais e por muito mais tempo.

JC&E – A técnica vale também, por exemplo, para a leitura de imagens, para os filmes, documentários e fotografias?
JAL –
De certa maneira já se faz um pouco de leitura dinâmica quando se vê um filme. Quando era garoto, não conseguia ver o filme e ler a legenda. Pedia para minha irmã ler a legenda para poder ver o filme. Mas o tempo vai passando, você olha o filme e lê a legenda, nem sabe como faz isso, mas faz. Então já é um pouco de leitura dinâmica. Não é todo o processo mas já é uma variação da leitura, melhora também.

JC&E – Quais exercícios as pessoas já podem começar a fazer quanto à leitura dinâmica e à memorização?
JAL –
Primeiro precisamos esclarecer a diferença entre decorar e memorizar. As duas usam a repetição nesse processo. Quando repito sem entender, decoro. Mas decorar é o seguinte: se a pergunta for feita igualzinha, respondo. Mas se mudar um pouquinho, dancei, porque só sei responder daquela maneira. Memorização tem que repetir após entender. Porque nenhum macete substitui o conhecimento. Primeiro passo: se pensa em fugir de estudar, caia fora porque não adianta nada. Se estudei, sei. Chega na hora sei muitas coisas, mas posso embaralhar. Aí sim vale a pena fazer uma técnica de acesso à memória, uma técnica associativa. Por exemplo, numa prova de direito constitucional. Quais são os princípios da administração pública? Li e aprendi. São legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Mesmo sabendo, na hora da prova pode embaralhar. Para evitar que embaralhe, crio um link associativo. Pego a letra inicial de cada uma e crio a palavra “LIMPE”. Não tem nada a ver com direito, mas na hora da prova, se surgir a pergunta, escrevo no rascunho o link “LIMPE”. Na pergunta “quais são os elementos do ato administrativo?”. Primeiro tem que saber e aí pode pegar pedaços das palavras. Competência, finalidade, forma, motivo e objeto. “COMFINFORMOB”. Não quer dizer nada, mas na hora da prova, escrevo no rascunho. Sobre leitura dinâmica, enquanto não se faz o curso, tenho umas dicas para melhorar como leitor tradicional. Primeiro, nunca mais leia na cama, em sofá ou em rede. Leia sempre numa mesa, numa postura ereta. Só de mudar a postura, vai melhorar muito a qualidade da leitura. Acaba com o livro de cabeceira. Livro de cabeceira é um livro eterno, não acaba nunca. É começar a ler e dormir. Começa a associar leitura com sono. Às vezes pode estar na mesa e ter sono também. Não crie link entre sono e leitura. Outra coisa, um leitor dinâmico usa a mão forte para guiar os olhos. Faz um movimento especial. Pode-se fazer usando a mão espalmada ou com dois dedos e guiar os olhos. Essa é a primeira coisa do condicionamento da leitura dinâmica. Mão e olhos trabalhando juntos. De tal maneira que se acelero as mãos, acelero os olhos e acelero o cérebro. Se mudar a postura, se guiar a mão com os olhos, já vai melhorar muito como leitor tradicional.

JC&E – Essas técnicas podem ser facilmente aplicadas em reuniões profissionais, conferências e no estudo para  concursos e vestibulares?
JAL –
Pode para tudo. Para estudar, é preciso ter dúvidas. A dúvida vem do meu objetivo. Quando se estuda para um concurso, tem um edital que diz tudo o que tenho que saber. Se não estudar aquilo, não passa. Em cima disso, posso gerar dúvidas, dar uma direção para o estudo. A mente humana, se não disser para ela o que está procurando, pega qualquer coisa. É como se fosse um site de buscas, as respostas começam a pular na sua frente. Só que não usamos nada do que temos desse equipamento fantástico que é o cérebro humano. Na otimização dos estudos não uso a leitura tradicional, uso a leitura dinâmica. Estudar é muito mais do que ler. Tenho que ler, interpretar, descobrir o tema do texto. Se não entendi o tema, tenho que ler várias vezes. Se resolveu as dúvidas, aprendeu. Esse é um processo que você estuda para a vida, não para passar de ano como é o método tradicional de estudo.

Pâmela Lee Hamer e Renan Abbade/SP

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