JC&E entrevista a candidata Anaí Caproni (PCO)

Candidata quer estatizar saúde, aumentar remuneração de professores e acabar com o repasse de verbas para empresas

Redação
Publicado em 14/09/2012, às 13h42

JC&E: Qual a sua principal plataforma de governo?

Anaí Caproni:O PCO defende como uma das principais questões da cidade hoje o fim da ingerência dos monopólios sobre o dinheiro público. É preciso acabar com o repasse de verbas públicas para as grandes empreiteiras, as empresas de ônibus, construtoras, empresas de lixo etc. É necessário utilizar as verbas públicas exclusivamente para atender os interesses da população.

JC&E: Em pesquisa recente, a saúde pública municipal foi apontada como o principal problema da cidade de São Paulo. A sra. tem planos específicos para aumentar o número de profissionais e, consequentemente, melhorar o atendimento à população? E quanto aos funcionários temporários, a sra. pretende manter esse tipo de contratação?

AC: Primeiramente é necessário que todos os serviços relacionados à saúde sejam estatizados. Devem ser realizados concursos públicos para a contratação ampla de profissionais especializados na área. É necessário investir para a ampliação e construção de hospitais e unidades de saúde. Já no caso dos funcionários temporários somos totalmente contra este tipo de contratação. Achamos que estes funcionários que já trabalham na área da saúde devem ser incorporados no quadro de funcionários, sem concurso público, e receber os mesmos benefícios.

JC&E: A atual gestão acaba de abrir um novo concurso para professor da rede municipal de ensino, cujos aprovados devem ser contratados já sob a nova administração. No seu governo, como pretende abordar a valorização da carreira do magistério e evitar a falta/evasão de professores nas escolas públicas?

AC: Além de uma ampla contratação de professores para atender a demanda da rede pública de saúde defendemos que tanto os professores como os profissionais da área sejam remunerados de acordo com suas necessidades. É necessário que o professor tenha um salário que possa dar tranquilidade para poder se dedicar ao ensino e não ficar dependendo de jornada dupla, dando aula em mais de uma escola o que faz com que seu rendimento seja bem inferior afetando diretamente o ensino. Este salário deve também permitir que o professor possa se atualizar, ampliando o conhecimento e consequentemente transferi-lo para os alunos.

JC&E: O que os servidores municipais podem esperar da sua gestão? Como a sra. vê a política de valorização no serviço público municipal?

AC: Pretendemos estabelecer uma política para valorizar o funcionário público por meio de um aumento salarial que seja de acordo com as necessidades destes trabalhadores. A contratação em larga escala para que tenha um grande número de funcionários em todas as áreas para que a população seja atendida de maneira adequada. Também vamos convocar conselhos populares que sejam compostos pela população dos bairros e os trabalhadores públicos das diversas áreas para discutir os problemas da administração pública, onde deve ser empregada as verbas etc.

JC&E: A Guarda Civil Municipal não realiza concurso público desde 2004 e está com o efetivo bastante defasado – por lei a GCM pode ter até 15 mil servidores e conta atualmente com cerca de 6.500. Um novo concurso é aguardado desde o final de 2009, mas o órgão alega não ter verba para realizar a seleção. Quais e como deverão ser os investimentos na área de segurança urbana durante o seu mandato?

AC: Primeiramente gostaria de esclarecer que a posição do nosso partido sobre a Guarda Civil Municipal não atende os interesses de segurança da população paulistana. Esta guarda é utilizada não para proteger o cidadão, mas para reprimir, como nos frequentes casos de repressão contra ambulantes no centro da cidade ou a qualquer manifestação pública na cidade. Antes de realizar um concurso público para a contratação de mais pessoas para compor a Guarda Civil seria necessário uma reestruturação em que o cidadão possa ter o controle sobre essa guarda. Os membros deveriam ser eleitos por um conselho popular nos diferentes bairros e regiões para que a ação desses guardas pudesse ser fiscalizada pela população para que não houvesse um abuso como acontece hoje em que a guarda atua como Polícia Militar reprimindo ambulantes, moradores de rua, etc.

JC&E: Como a sra. encara a falta de qualificação profissional em São Paulo e quais ações e projetos pretende colocar em prática para capacitar os trabalhadores?

AC: A falta de qualificação profissional não é um problema real no que diz respeito a ofertas de emprego. Os trabalhadores, qualificados ou não estão com dificuldades para obter emprego. Mas é muito importante oferecer qualificação profissional para os trabalhadores e a prefeitura pode criar cursos e dar condições para que os trabalhadores possam se aperfeiçoar. Em contrapartida é necessário que além da qualificação os trabalhadores recebam um salário correspondente com suas necessidades, pois em muitos casos a qualificação não garante um salário condizente com sua qualificação.

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