JC&E entrevista o candidato Gabriel Chalita (PMDB)

Dentre as propostas para a capital paulista, o candidato pretende criar polos de economia criativa, incluindo uma “espécie de Broadway paulistana”

Redação
Publicado em 02/10/2012, às 09h32

Nascido em 30 de abril de 1969, em Cachoeira Paulista/SP, Gabriel Chalita é professor, doutor em filosofia do direito e em comunicação e semiótica e tem 60 livros publicados.
A carreira política começou aos 19 anos, como vereador e presidente da Câmara Municipal de Cachoeira Paulista. Foi também secretário da Juventude, Esporte e Lazer; secretário da Educação do Estado de São Paulo; presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação; vereador da cidade de São Paulo, e assume atualmente o cargo de deputado federal pelo PMDB-SP.
Jornal dos Concursos & Empregos - Qual a sua principal plataforma de governo?
Gabriel Chalita - O principal desafio é unir a São Paulo rica, uma metrópole repleta de oportunidades, à São Paulo das regiões periféricas, cujos moradores são tratados como invisíveis pelo poder público. Por um lado, São Paulo precisa de uma gestão que dê agilidade e segurança aos processos que envolvem a Prefeitura, estimule o trabalho e o empreendedorismo e reduza a corrupção. Tal objetivo será alcançado com forte investimento em governo eletrônico. Por outro, é preciso cuidar dos mais carentes, que não têm acesso aos serviços públicos mais básicos como saúde e educação. Propomos um novo modelo territorial de gestão, descentralizado, que busque compreender as demandas e as necessidades de cada distrito da cidade. O prefeito deve governar para todos, sem exceção, com relevante ajuda dos subprefeitos. Por fim, vamos recuperar o valor simbólico do Centro.

JC&E - Em pesquisa recente, a saúde pública municipal foi apontada como o principal problema da cidade de São Paulo. O senhor tem planos específicos para aumentar o número de profissionais e, consequentemente, melhorar o atendimento à população? E quanto aos funcionários temporários, o senhor pretende manter esse tipo de contratação?
GC - Os serviços de saúde municipal vivem um caos na atual administração. A meta é implantar definitivamente o SUS em toda a cidade, melhorando os serviços oferecidos à população e instalando novos equipamentos onde for necessário, sempre mediante estudos rigorosos da oferta e da demanda de cada região. Vamos informatizar o atendimento para reduzir filas e organizar a oferta de vagas, criar o Cartão do Paulistano, que reunirá todas as informações do paciente, construir quatro hospitais e 57 UBS´s, criar centros de referência para mulheres e idosos e trazer as UPA´s para São Paulo. A valorização dos profissionais de saúde será essencial. Por fim, logo no início do mandato faremos uma análise criteriosa de todos os contratos assinados. Honraremos os contratos, mas denunciaremos aqueles que contiverem irregularidades ou não resultarem em bons serviços para a população.

JC&E - A atual gestão acaba de abrir um novo concurso para professor da rede municipal de ensino, cujos aprovados devem ser contratados já sob a nova administração. No seu governo, como pretende abordar a valorização da carreira do magistério e evitar a falta/evasão de professores nas escolas públicas?
GC - Quando fui secretário estadual da Educação (2002-2006), não houve nenhuma greve de professores porque mantive um diálogo permanente com os professores. Também quando secretário, criamos programas para oferecer curso superior, de mestrado e doutorado para os professores da rede estadual, inclusive por meio de parcerias com universidades no exterior. Além da formação em nível superior e de pós-graduação, vamos incentivar a formação contínua dos profissionais com o estabelecimento de uma Casa do Professor em cada uma das 31 subprefeituras. Será um lugar de formação e debate pedagógico contínuo, onde os professores poderão buscar orientação, treinamento e aperfeiçoamento. Além disso, haverá um banco de projetos a serem desenvolvidos e um prêmio anual para as melhores práticas educacionais de iniciativa dos professores.

JC&E - O que os servidores municipais podem esperar da sua gestão? Como o sr. vê a política de valorização do serviço público municipal?
GC - Pretendemos recuperar a auto-estima dos servidores, valorizar salários e funções. Logo no início do mandato, faremos uma reforma administrativa para enxugar o número de secretarias e o excesso de cargos de confiança. Com o fortalecimento das subprefeituras, darei aos funcionários da Prefeitura a oportunidade de escolher trabalhar mais perto de casa, trazendo redução de despesas com transporte e alimentação e mais tempo para a vida pessoal e familiar.
JC&E - A Guarda Civil Municipal não realiza concurso público desde 2004 e está com o efetivo bastante defasado – por lei a GCM pode ter até 15 mil servidores e conta atualmente com cerca de 6.500. Um novo concurso é aguardado desde o final de 2009, mas o órgão alega não ter verba para realizar a seleção. Quais e como deverão ser os investimentos na área de segurança urbana durante o seu mandato?
GC - O Programa de Segurança para o Município de São Paulo implicará em um novo conceito para a Guarda Municipal, transformando-a em uma Guarda dos Bairros, comunitária, como existe em muitas cidades do mundo. Precisaremos abrir concurso para mais 9.000 guardas para chegarmos a um contingente de 15 mil. Elaboraremos uma política permanente de valorização da formação do guarda metropolitano.

JC&E - Como o senhor encara a falta de qualificação profissional em São Paulo e quais ações e projetos pretende colocar em prática para capacitar os trabalhadores?
GC - Os projetos de formação e qualificação profissional devem ter como premissa a realidade atual da metrópole paulistana, que desde os anos 80/90 deixa paulatinamente de ser uma metrópole industrial para, cada vez mais, se transformar em uma cidade que gera mais empregos e renda. Por isso, pretendemos investir fortemente na chamada economia criativa, com a criação de polos de produção audiovisual, moda, games e de uma espécie de Broadway paulistana. O objetivo é formar pessoas para trabalhar ou empreender nesse novo setor da economia. Esses polos serão distribuídos pelas diversas zonas da cidade, para reduzir a atual concentração de emprego e renda no centro expandido.

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