Empreendedorismo às avessas

O que é necessário para se tornar um empreendedor de sucesso?

Redação
Publicado em 23/12/2010, às 14h27

O que é necessário para se tornar um empreendedor de sucesso? A coluna que reveza com o “Cineclube JC” quinzenalmente, “A vida em parágrafos”, tenta a partir de trajetórias minimamente bem sucedidas clarear a questão. O cinema, guardadas as devidas proporções, se presta ao mesmo exercício com resultados objetivos variados. Está em cartaz nos cinemas um filme que reproduz, em termos, a trajetória mais bem sucedida, e também a mais fulminante, de empreendedorismo. “A rede social” traz de maneira engenhosa as circunstâncias que envolveram a criação de um dos maiores fenômenos midiáticos de nossos tempos, o site de relacionamentos Facebook. Baseado no livro “Bilionários por acaso” (Ben Mezrich, editora Intrínseca), o filme mostra a ascensão do adolescente que criou de maneira descompromissada o famoso site em um dormitório na Universidade de Harvard. A fita acompanha, a partir de 2003 (data da criação do Facebook), o desenrolar dessa história; os processos e os litígios que Mark Zuckerberg teve de enfrentar no caminho de se tornar o bilionário mais jovem do planeta. É, em parte, pela curiosidade de saber como o Facebook foi concebido e pelo caráter acidental da trajetória de seu criador que “A rede social” se tornou um dos filmes mais comentados do ano. A fita, que deve estar presente na próxima edição do Oscar (prêmio concebido anualmente ao que de melhor o cinema apresenta), traz um curioso case de empreendedorismo. É lógico que medir o sucesso a partir do contemplado na carreira de Zuckerberg não é aconselhável, mas o filme traz outra tendência certeira dos nossos tempos: o boom de oportunidades disponíveis na internet. Basta ter visão e capacidade de planejamento. Zuckerberg, como demonstrado no filme, não construiu seu império sozinho. Logo, é prudente reconhecer que uma andorinha só não faz verão.   

Ainda no campo do empreendedorismo que vinga aparentemente por acaso, há dois outros saborosos filmes que agregam valor a essa curiosa rotina. O primeiro deles é um legítimo Woody Allen. Em “Trapaceiros”, o ator e diretor vive Ray, um tipo que cansado da pobreza resolve assaltar um banco. Chama uns comparsas e como disfarce aluga uma lojinha para que sua esposa cozinhe uns biscoitos e os venda em horário comercial enquanto eles cavam um túnel em direção ao banco. Só que Ray não contava que os biscoitinhos da patroa seriam um sucesso acachapante e que o negócio fosse crescer (e chamar a atenção) de tal maneira. Resultado? Ele é “obrigado” a abandonar o plano de assaltar o banco e curtir a nova vida de empresário bem sucedido. Daí em diante, Allen lança boas piadas com a condição de novos ricos de seus personagens. Outra bem humorada sátira do viés empreendedor está em “O barato de Grace”. Nesse pequeno filme inglês, a protagonista (vivida com graça por Brenda Blethyn), após o suicídio do marido e de se encontrar em sérios riscos financeiros, aceita uma proposta indecente de um conhecido: cultivar em sua estufa pequenas mudas de maconha. O filme diverte ao mostrar essa recatada senhora de boa família enveredar pelo cultivo e, posterior, tráfico de drogas. Grace aplica uma visão empreendedora revolucionária no meio. Está aí, no tino gestor da senhora que trafica maconha, um dos achados dessa inteligente comédia britânica. 

Você pode não ter a resposta para aquela pergunta lá de cima quando terminar de assistir um desses filmes (ou quem sabe os três?), mas certamente estará se sentindo muito mais leve e, quem sabe, receptivo aquela piscadela que a sorte está para te lançar. 

           

Serviço:

A rede social

Nome original: The social network

País: Estados Unidos

Ano de produção: 2010

Direção: David Fincher

Em cartaz nos cinemas

O barato de Grace

Nome original: Saving Grace

País: Inglaterra

Ano de produção: 2000

Direção: Nigel Cole

Disponível em DVD

Trapaceiros

Nome original: Small time crooks

País: Estados Unidos

Ano de produção: 2000

Direção: Woody Allen

Disponível em DVD

Por Reinaldo Matheus Glioche

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