JC&E entrevista a candidata Ana Luiza (PSTU)

Candidata quer aumentar piso salarial do funcionalismo e explica estratégias para maior investimento na educação municipal

Redação
Publicado em 19/09/2012, às 15h56

Ana Luiza começou sua militância política em 1979, quando era bancária em Porto Alegre. Ajudou a construir a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos Trabalhadores (PT). Em 1994, ajudou a fundar o PSTU. É trabalhadora do judiciário federal em São Paulo e dirigente do Sintrajud e Fanajufe, entidades de sua categoria.  Foi candidata ao Senado em 2010 e obteve 109 mil votos.

JC&E - Qual a sua principal plataforma de governo?

Ana Luiza - São Paulo é a cidade mais rica do Brasil. Mas convivemos com uma desigualdade social alarmante. Isto se deve ao fato de que São Paulo, assim como o Estado e o Brasil, sempre foram governados para atender os interesses dos ricos e das empresas. Os ricos moram em mansões e andam de helicóptero. Tem a sua disposição os melhores hospitais e escolas do Brasil. Já os trabalhadores enfrentam aluguéis caros e um transporte superlotado. Não há vaga nas creches municipais, a qualidade da educação pública caiu e é difícil ter um atendimento digno na rede de saúde municipal. Nossa proposta é inverter as prioridades e governar para os trabalhadores e a população pobre.

JC&E - Em pesquisa recente, a saúde pública municipal foi apontada como o principal problema da cidade de São Paulo. A senhora tem planos específicos para aumentar o número de profissionais e, consequentemente, melhorar o atendimento à população? E quanto aos funcionários temporários, a senhora pretende manter esse tipo de contratação?

AL - A saúde está um caos. Faltam verbas. O investimento em saúde é insuficiente. Nas eleições todos os candidatos prometem mundos e fundos. Mas na hora de definir verbas, eles se opõem a investir mais na saúde. Em dezembro do ano passado, por ocasião da regulamentação da EC 29, a presidenta Dilma vetou o aumento de verbas federais. E contou com o apoio de sua base no congresso e também da oposição. Defendemos dobrar o investimento para 6% do PIB incluindo verbas das três esferas. Com recursos será possível contratar mais profissionais e melhorar os salários, inclusive com novos concursos para regularizar a situação dos trabalhadores precarizados. Desta forma será possível estabelecer o teto de 30 minutos para atendimento nos hospitais e de uma semana para consultas médicas e exames laboratoriais. Por fim defendemos a estatização de todo o sistema de saúde, incluindo os grandes hospitais privados. Não concordamos que os ricos têm que ter melhor atendimento de saúde que a população trabalhadora. Defendemos usar todos os recursos de saúde para oferecer uma saúde de boa qualidade para todos.

JC&E - A atual gestão acaba de abrir um novo concurso para professor da rede municipal de ensino, cujos aprovados devem ser contratados já sob a nova administração. No seu governo, como pretende abordar a valorização da carreira do magistério e evitar a falta/evasão de professores nas escolas públicas?

AL - Os salários e as condições de trabalho são impeditivos para uma educação pública de boa qualidade. Hoje os professores têm que dar aulas em duas redes para ter um salário digno. E enfrentam salas de aula superlotadas nas quais não há condições de oferecer um ensino de qualidade. Essa sobrecarga acaba levando o professor ao adoecimento. Defendemos o piso de um salário mínimo do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), cerca de R$ 2.300, para uma jornada de 20 horas semanais, com os respectivos reflexos na carreira e para jornadas mais longas. Além disso, temos que garantir um terço da jornada fora da sala de aula para preparação pedagógica coletiva e individual. E um limite de 25 alunos por sala de aula. Há ainda um problema seríssimo na educação municipal que é a educação infantil. Há cerca de 300 mil crianças de 0 a 3 anos sem vagas nas creches municipais (chamadas de Centros de Educação Infantil - CEI). Defendo a suspensão da dívida municipal paga ao governo federal, que somente neste ano consumirá mais de R$ 4 bilhões, para construir duas mil creches e garantir o atendimento a todas as crianças. Entendo que a prioridade deve ser nenhuma criança fora da escola, e não o pagamento de dívida para o governo federal repassar para os bancos.

JC&E - O que os servidores municipais podem esperar da sua gestão? Como a senhora vê a política de valorização no serviço público municipal?

AL - Vamos derrubar o PL 155/2012 que prevê o reajuste de 0,01% para os servidores municipais nos anos de 2011 e 2012. Isto é inaceitável. Ainda mais que os cargos em comissão e funções de confiança tiveram de 218% a 236% de reajuste. O próprio prefeito e vice-prefeito tiveram 63%. Hoje a tabela de vencimentos dos servidores começa com R$ 440,39, o que é inferior ao salário mínimo. Defendemos uma política de valorização que parta do salário mínimo do DIEESE e que o tempo de serviço seja valorizado com um plano de carreira digno, negociado com as entidades representativas do funcionalismo.

JC&E- A Guarda Civil Municipal não realiza concurso público desde 2004 e está com o efetivo bastante defasado – por lei a GCM pode ter até 15 mil servidores e conta atualmente com cerca de 6.500. Um novo concurso é aguardado desde o final de 2009, mas o órgão alega não ter verba para realizar a seleção. Quais e como deverão ser os investimentos na área de segurança urbana durante o seu mandato?

AL - A segurança urbana é atribuição do governo do Estado, e não do município. Entendemos que a solução para a falta de segurança não é mais polícia, mas sim políticas sociais de emprego, moradia, educação, saúde, assistência social, cultura, esportes e lazer. Somos contra demitir o efetivo da GCM. Defendemos realocá-los para os diversos equipamentos da prefeitura, escolas e unidades de saúde em particular. Por fim defendemos que a prefeitura tem que ter políticas especiais para atender os casos de violência doméstica contra a mulher e a criança, contra a discriminação racial e a violência homofóbica.

JC&E - Como a senhora encara a falta de qualificação profissional em São Paulo e quais ações e projetos pretende colocar em prática para capacitar os trabalhadores?

AL - É necessário investir mais no ensino técnico de nível médio e superior. Ambos são atribuições do governo estadual e federal. Nosso compromisso é pressionar ambos os governos a ampliar a rede de ensino médio e superior técnico em todo o município e formar conselhos populares em cada subprefeitura para definir quais cursos devem ser dados em cada unidade, de forma democrática com participação popular.

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