Erros no estudo: a escolha do livro certo

O maior erro de um candidato a concurso público é escolher uma carreira ao acaso. É preciso um encantamento com o desempenho daquela função. Esta admiração é fundamental para manter a motivação durante o processo de estudo.

Redação
Publicado em 24/10/2014, às 18h21

Fernando Bentes

O maior erro de um candidato a concurso público é escolher uma carreira ao acaso. É preciso um encantamento com o desempenho daquela função. Esta admiração é fundamental para manter a motivação durante o processo de estudo.

Outro equívoco muito comum é o desprezo pelos termos do edital. Ele é a “lei do concurso” e prevê a receita básica necessária para a aprovação. Recomendo um resumo, uma espécie de quadro com as informações mínimas: datas de inscrições, provas e recursos; programa de disciplinas; peso das matérias; entre outros. Assim, ninguém precisa ler páginas e páginas do documento mais de uma vez, basta recorrer a esta síntese quando tiver alguma dúvida.

Mas o desvio que eu gostaria de enfocar neste breve ensaio se relaciona ao material de consulta. Parece evidente, certo? Se quero passar em uma prova, preciso saber qual o melhor livro. O problema é que o óbvio, nem sempre, é simples.

Em todo o campo do conhecimento humano existe uma divisão social do trabalho. Nas ciências, não é diferente. Alguns professores e pesquisadores se esforçam em desenvolver doutrinas, teorias e experimentos mais revolucionários, enquanto outros reproduzem este conhecimento de vanguarda para a massa de alunos e operadores profissionais. As duas tarefas são igualmente importantes e necessárias: a criação e a difusão do saber.

Em concursos muito complexos, alguns destes trabalhos complexos são cobrados. Em outros, basta recorrer a um livro popularmente chamado de “manual”, “curso” ou “resumo”, que sintetiza o conhecimento ao máximo.

Alguns “manuais” são atemporais e permanecem como referência durante décadas. É o caso das bibliografias sobre administração, química, cálculo, raciocínio lógico etc. Já em outras disciplinas, como direito e história, é preciso perceber duas situações: há livros péssimos em qualquer época da humanidade e há trabalhos excelentes que podem envelhecer com o tempo e tornam-se defasados. Estes “cursos” ou “resumos” são recortes superficiais e resumidos, mas muito claros e atualizados. Se não forem reeditados e revistos de tempo em tempo, acabam se transformando em uma obra inútil e descartável.

Já encontrei alunos lendo autores que eu consultava na época da faculdade, há dez anos. No direito, isto é bastante temerário. No direito constitucional é proibido. Os conceitos jurídicos e a jurisprudência dos tribunais sofrem influência de doutrinas estrangeiras, de trabalhos inovadores e renovam-se com muita facilidade. Portanto, ler um livro que não se atualizou pode levar o candidato a conhecer temas que não despertam tanto interesse da banca organizadora de prova.

Outros livros favorecem um estudo mais profundo, mas não são pertinentes à prova do concurso. Certa vez, encontrei um amigo lendo um autor bastante complexo. Perguntei se estava fazendo mestrado ou doutorado e recebi a seguinte resposta: “não, fazendo concurso”. Na verdade, ele estava perdendo tempo, mas não cheguei a verbalizar o que minha mente lamentava. O edital não cobrava aquela disciplina e o estudo daquele péssimo autor não o ajudaria a compreender nada, nem mesmo se a matéria caísse na prova. Porém, o mais curioso foi a fonte da indicação: “professor fulano de tal”. Há muitos docentes sem formação, aventureiros, que passam em um concurso (ou nem isso!) e já se acham na condição de dar aula. Recomendam monstruosidades aos seus alunos, que perdem seu tempo e dinheiro com literatura antiga e desnecessária.

Como comprar um livro, então? Simples: consulte a formação acadêmica de seu professor e pergunte a ele sobre as vantagens e desvantagens de cada livro indicado – se ele for bom, saberá responder. Depois, você pode pesquisar o currículo do autor na internet e comparar com a opinião de seus colegas de sala, com quem já leu algum material dele, ou com amigos de fórum na internet, que estão se preparando tanto quanto você. Após tudo isso, não precisa pestanejar. Compre o livro, dedique seu tempo e estude!

Fernando Bentes é diretor acadêmico do site Questões de Concursos e professor de direito constitucional da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

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