Casais estudam e tentam manter a harmonia

Cada vez mais pessoas têm se juntado a seus companheiros na hora de se preparar para concursos.

Redação
Publicado em 10/06/2009, às 13h28

A rotina de quem se prepara para um concurso é árdua e cansativa. Quem almeja uma vaga nos órgãos públicos tem que se dedicar com garra e determinação. Às vezes, uma companhia pode ser muito útil, como fonte de troca de motivações, dúvidas e experiências. Em outras vezes, quando a relação não vai muito bem, esse mesmo companheiro pode causar embaraços na hora de estudar e, consequentemente, o desânimo e a perda da tão sonhada vaga.

Casos como esses podem ser comuns para pessoas que se juntam a seus companheiros na preparação para concursos. Não deixar que a crise da relação influencie nos estudos de ambos é uma das dificuldades de quem divide seu empenho com o parceiro. Evitar que o rigor dos estudos desgaste o relacionamento é outro desafio.


Para Leandro Fortes, coordenador pedagógico do Instituto de Ensino Jurídico JusPodivm da Bahia, é difícil separar os conflitos pessoais e emocionais da razão e da concentração, porém, ele acredita que a diferença está na seriedade e compromisso com o objetivo buscado.

“Alcançam o sucesso aqueles que encaram o desafio de conquistar a vaga com comprometimento, independente da pressão e dos problemas que surgirem no caminho”, afirma Fortes. O coordenador defende, ainda, a importância em ter um tempo para estudar sozinho, dedicando concentração absoluta, e só recorrer ao companheiro para discutir o conteúdo estudado individualmente. “Essa prática é extremamente proveitosa para troca de conhecimentos e experiências”, completa.

Na visão de muitos, a determinação de regras é o grande segredo para manter uma relação estável, que tem boa parte do tempo voltado para os estudos. O professor Juarez Ângelo Lopes, fundador do Instituto de Otimização da Mente, do Rio de Janeiro (RJ), dá algumas dicas de regras que devem ser adotadas pelos casais: “administrem com eficácia o tempo de estudo, priorizando o estudo diário e sempre no mesmo horário. Estudem sempre em períodos de 50 minutos e descansem. Tenham um objetivo claro e definido para o estudo. E, o mais importante: sejam melhores amigos”.


Apesar dos entraves que podem surgir com o passar do tempo, o número de pessoas que se unem a seus companheiros quando pretendem se preparar para um concurso é altamente significante. “A cada curso que oferecemos é comum termos, no mínimo, um casal por turma”, revela Cícero Leon Zucco, coordenador do curso preparatório Morgado, em Itajaí (SC). Porém, além dos casais que se juntam para estudar, há também aqueles que, estudando, se juntam.

“Como os objetivos de quase todos da turma são comuns, a relação pessoal nos intervalos começa a revelar semelhanças entre os alunos e, a partir daí, a formação de casais começa a acontecer”, conta o coordenador.

Companheirismo

Carolina Iten namora Vandré Vicente e, em fevereiro deste ano, ambos se matricularam na Central de Concursos de Santo André (SP) com um mesmo objetivo: preparar-se para o concurso de auditor da Receita Federal – o mais aguardado do ano pelos concurseiros.


O casal passa três horas diárias no curso, onde um ajuda o outro em matérias que tem mais facilidade, além de trocarem motivações.


Embora estudem para o mesmo concurso e, teoricamente, sejam concorrentes, Carolina garante que torce tanto pelo seu sucesso, como para o de Vandré. “Acho que é necessário buscar a parte positiva de estudar juntos”, conta Carolina, “o maior erro é deixar a competição atrapalhar”, completa.

Organização

Casados há 12 anos, Junior Alves e Fernanda Ribeiro (foto), estudantes do Obcursos de Goiânia (GO), colocam a organização no topo das prioridades para ter uma relação que vive em harmonia com a preparação para os concursos. “Nós mantemos nosso local de estudos sempre em ordem, com tudo o que precisamos. Isso faz com que no momento de estudar nossa atenção seja totalmente direcionada a esse objetivo”, revela o casal, que, no curso preparatório, divide sala com mais dois casais, dentre os 80 alunos.

Junior e Fernanda, porém, não estudam juntos o tempo inteiro. “Optamos por fazer o curso juntos e, em casa, estudar individualmente”, contam. Para eles, tanto o estudo em dupla quanto o individual têm suas vantagens. Ambos acreditam que a motivação que um deve exercer sobre o outro também é fator decisivo na hora de se preparar para um concurso.

Recompensa

Carlos Eduardo Coelho e Adriana Floriano, casados e estudantes do curso Sem Dúvidas, no Rio de Janeiro (RJ), já participaram juntos do concurso da Polícia Federal e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro. Hoje, um apoia o outro na preparação para o concurso do Banco Central. Eles afirmam que são muito focados na busca pela aprovação e em momento algum a crise da relação interferiu nos estudos do casal.


Eduardo tem mais facilidade nas questões de direito, Adriana na área de exatas. E é dessa forma que eles se completam na hora de estudar. Tanto é que um formula provas para o outro, fazendo com que o companheiro treine conteúdos que ele ainda não explorou com tanto afinco.

Para esse esforço valer a pena, Eduardo conta que quando um se sai bem no exame aplicado pelo outro, sempre acaba resultando em um afago a mais, para recompensar.


O casal enfatiza a importância de saber separar os altos e baixos da relação com a preparação para os concursos. Para eles, os horários de cada um têm que ser respeitados e, por isso, defendem a imposição de regras, cumprindo-as com rigor. “Estudar só no curso não basta”, diz Eduardo, “É preciso se dedicar pelo menos mais três horas por dia em casa”, aconselha.

Bom humor

Para Denise Dalganoli, de Brusque (SC), o segredo para estudar com o companheiro sem deixar desgastar o relacionamento está no bom humor. Ela é casada com Daniel Bertoldi e há cerca de um ano e meio eles estudam juntos para o exame da OAB e para o concurso de técnico judiciário do Ministério da Fazenda. Para isso, contam com a preparação do curso preparatório Morgado.


Estudando quatro horas diárias, eles utilizam o bom humor para permanecerem bem-resolvidos tanto na vida pessoal como na profissional, embora passem tanto tempo juntos, compenetrados nos livros. Denise deixa transparecer que não falta determinação na vida do casal, e garante: “quando temos um objetivo, vamos até o fim”.

Intensidade
Visando à aprovação, o casal baiano Carlos Roberto Firme e Luciana Mascarenhas submete-se a uma intensa jornada de estudos, que vai das 8h às 18h.


Há dois anos e meio eles estudam por conta própria e só recorrem a cursos preparatórios quando veem necessidade em reforçar alguma matéria ou quando um concurso muito esperado se aproxima. Ele pretende passar na área jurídica, especialmente em procuradorias; ela prefere a área fiscal, como concursos de auditor ou do TCU.


Para evitar que a relação seja influenciada pelos estudos, e vice-versa, Carlos Roberto e Luciana têm um segredo: “estudamos no mesmo local, mas nunca juntos”.


Leandro Cesaroni/SP

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