Namoro e concursos: é possível conciliar?

Entre longas sessões de estudos e migrações para outras cidades, pessoas explicam como lidam com o amor diante das adversidades que um concurso pode originar.

Redação
Publicado em 11/06/2010, às 15h47

Alguns dos mais renomados especialistas em concursos costumam dizer que quem almeja uma vaga de servidor público deve se dedicar integralmente a esse objetivo, mergulhando em longas e diárias sessões de estudos, tanto em casa, como em cursos preparatórios. Aqueles que já têm um emprego, geralmente não dispõem de muito tempo para se entregar aos livros e apostilas, e acabam tendo que dedicar cada minuto das horas livres à preparação para o concurso. Diante dessa perspectiva, a pergunta que cabe, é: não sobra tempo para namorar? Teoricamente, não.

Alberto Carlos Dias, mais conhecido como Beto Flash, é jornalista, arquiteto e concurseiro – já prestou 49 concursos e foi aprovado em 28, entre eles o da Polícia Federal, o do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e o da Caixa Econômica Federal. Hoje, ele integra o quadro de funcionários do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro. Para Beto, só um concurseiro é capaz de entender o outro, por isso, ele defende a ideia de que alguém que está se preparando para um concurso só terá um relacionamento duradouro com alguém que também busca uma carreira pública. “Os dois têm que passar pela mesma experiência, sofrer juntos. Não adianta ele ficar estudando e ela fazendo as unhas ao lado. O amor não vai sobreviver”, afirma o concurseiro, que atualmente se prepara para o concurso de procurador da república, do Ministério Público da União (MPU).

Beto já deu chance a três relacionamentos, no entanto, todos chegaram ao fim por causa da instabilidade do jornalista, que se entrega a uma intensa rotina de estudos, sacrificando boa parte dos sábados – das 9h às 18h – à preparação para concursos. “Teve uma época em que fiquei mais de seis meses sem beijar ninguém, só estudando. Eu tinha prazer pelas aulas”. No entanto, Beto não recomenda esse esquema: “Eu acredito que, em pelo menos um dia da semana, o concurseiro deve ‘chutar o balde’ e aproveitar”. Ele enfatiza também a importância da prática de esportes e exercícios físicos na vida do candidato: “No mínimo, três vezes por semana. Mesmo que seja apenas uma hora por dia”. Com tantas tarefas auxiliando na preparação para o concurso, além dos estudos diários, dificilmente resta algum tempo para namorar. E foi exatamente por isso que há dois anos Beto terminou um noivado que durou três anos e meio. “Eu gostava muito dela. Era para casar, mas quando a pessoa não está empenhada no mesmo objetivo, não adianta, não dá certo”. O jornalista, que já chegou a se inscrever em oito concursos ao mesmo tempo, conta que por diversas vezes teve que deixar de ir a churrascos e festas para enfrentar maçantes aulas de direito administrativo, por exemplo, e entende que isso incomodava sua noiva, que não precisava se privar desses eventos por causa dele. Preferiram terminar.

Hoje, Beto só ingressaria em um novo relacionamento se sua companheira também estivesse buscando uma carreira pública. “Eu quero somar contra-cheques”, brinca o jornalista.

Sem crise

Sara Luana e Fernando Schmitt são concurseiros. Eles se conheceram em 2005, em uma agência da Caixa Econômica Federal (CEF) de Blumenau (SC), após ambos terem sido aprovados no concurso para técnico bancário. Em agosto de 2007, Fernando foi convocado para a nomeação do concurso para técnico judiciário, do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª região, e teve que se mudar para Lages (SC), a 232 km de Blumenau; mesmo assim, eles iniciaram o namoro. Desde então, Fernando vem tentando uma transferência para um lugar mais próximo de sua namorada. Sara continua trabalhando na mesma agência da CEF e, ainda, advoga em um escritório, também situado em Blumenau, o que a impossibilita de acompanhar Fernando em Lages. Enquanto ele não consegue a transferência, ambos vão provando que o amor pode ter uma chance mesmo com a distância, mesmo com os concursos.

Leandro Cesaroni

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