Estude para o concurso mais esperado do ano

Dois especialistas e um candidato dão dicas para o novo processo do órgão, que preencherá 1.150 vagas.

Redação
Publicado em 29/05/2009, às 15h26

Rômulo de Freitas Madureira, de 38 anos, é formado em farmácia e letras e, hoje, trabalha no Ministério Público Federal (MPF), em Vila Velha (ES). Além do emprego, o funcionário público também reserva de quatro a cinco horas de seu dia para estudar. Ele é um dos muitos brasileiros que almejam ser aprovados no concurso da Receita Federal. Atualmente, a remuneração para auditor é de 12.535,36 e, para analista (antigo técnico), R$ 7.095,53.


Prova do grande interesse por este processo seletivo é a recente enquete realizada pelo site do Jornal dos Concursos & Empregos, que questionou quais seleções programadas para este ano os internautas pretendiam fazer. Das quatro opções, o processo da Receita Federal foi o mais votado, com mais de 33% das indicações.

Para Madureira e todos os outros que se preparam para este concurso, 2009 promete ser um ano de muito estudo e dedicação. Isto porque, no dia 24 de abril, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) autorizou o órgão a realizar concurso para preencher 1.150 vagas, das quais 700 são para analista e 450 para auditor. Depois da autorização, a Receita Federal tem até seis meses para publicar o edital, ou seja, o prazo para o documento ser divulgado se esgota em outubro.

Enquanto o edital não sai – “Quem ainda não começou, comece a estudar imediatamente”, este é o principal conselho de Carlos Eduardo Guerra, autor de vários livros para concursos e professor do curso preparatório Centro de Estudos Guerra de Moraes (RJ).


Para Guerra, o concurseiro deve estudar aquelas disciplinas que certamente estarão presentes na prova, o que significa uma lista não muito pequena: português, direito constitucional, direito administrativo, direito tributário, direito previdenciário, contabilidade, comércio internacional, informática, línguas, estatística e matemática financeira.


De acordo com ele, a preparação deve ser dividida em dois pontos: o estudo teórico e a resolução de muitos exercícios de seleções anteriores.


Já Sylvio Motta, autor de publicações especializadas, professor e coordenador do curso preparatório Companhia dos Módulos (RJ), recomenda que os candidatos analisem os exames mais recentes organizados pela Escola de Administração Fazendária (Esaf), responsável pelo último concurso do órgão, em 2005. “É comum a repetição dos temas e esta análise ajudará o candidato na hora da prova”, afirma.

Como a Receita Federal costuma exigir dos concorrentes graduação superior completa em qualquer área, muitos interessados podem não ter familiaridade alguma com as matérias pedidas no edital. Guerra considera normal que graduados em cursos não relacionados tomem um susto ao analisarem o conteúdo programático dos processos anteriores da Receita, mas isto não deve ser motivo para desistir. “O candidato deve sempre adquirir materiais de estudo acessíveis e didáticos, isto o ajudará bastante. É preciso ter persistência, pois é normal vermos auditores formados em odontologia”. 

   

Qualidade e não quantidade – Os dois especialistas são unânimes em afirmar que mais importante que a quantidade de horas estudadas diariamente é a qualidade do estudo. Segundo Guerra, no momento dedicado aos livros e apostilas, é imprescindível que a pessoa esteja bem e concentrada.

Motta, por sua vez, aponta outro item que deve pautar a rotina de quem deseja ter êxito em concursos como a da Receita. “O segredo está na preparação contínua, evitando hiatos ou picos de estudo”.

Ele recomenda que o candidato monte um quadro de horários e cumpra o que está estabelecido ali fielmente. Foi esta uma das atitudes de Madureira para dinamizar sua preparação. O concurseiro, que concorrerá a uma vaga de auditor, conta que fez um cronograma de oito meses para revisar as disciplinas.

Sem predileções – Sylvio Motta atenta para outro fator que pode atrapalhar os concurseiros, a preferência por determinadas disciplinas. De acordo com ele, é preciso se profissionalizar e racionalizar o processo de aperfeiçoamento. “Não dá para gostar de contabilidade e não gostar de direito. O candidato profissional ama todas as matérias porque sabe que precisa de todas para ser aprovado”.  

Guerra relembra ainda que a avaliação da Receita tem eliminação por disciplina. “O candidato tem que acertar, em média, 40% de cada prova”, destaca.

Graças ao nível de complexidade deste concurso, Motta não ousa citar quais as disciplinas merecem mais atenção dos candidatos. Para ele, todas, sem exceção, devem ser igualmente estudadas. No entanto, o especialista aponta as matérias de contabilidade, língua portuguesa, informática e direito constitucional como as que costumam complicar a vida dos candidatos na hora do exame.

Em relação à prova de idiomas, na qual o candidato pode optar por inglês, espanhol ou francês (este último somente na avaliação para auditor), Motta dá outro conselho. Para ele, dominar inglês, mas não conhecer os termos técnicos exigidos no exame não faz sentido. “Outro erro comum é achar que a avaliação de espanhol é mais fácil, ledo engano”, revela.

O dia D – Atenção deve ser a palavra-chave no momento da prova, como relata Madureira. Segundo o candidato, no concurso de 2005, ele começou o teste pelas questões de português, pois sabia que a disciplina fazia diferença na avaliação. Conseguiu fechar esta prova, mas perdeu muito tempo e, no exame de informática, não conseguiu resolver todos os exercícios e não obteve a pontuação mínima exigida naquela matéria.    

De acordo com Guerra, também é fundamental ter resistência física, já que a seleção da Receita costuma acontecer em três turnos diferentes, sábado à tarde, domingo de manhã e domingo à tarde. “É normal que o concorrente chegue exausto para a última etapa, no domingo à tarde. Esta prova tem um índice de eliminação muito grande”, explica o especialista.

Como resume o candidato do Espírito Santo, muito mais que estudo, é necessário ter preparo para enfrentar um concurso como o da Receita Federal. “É preciso conhecer bem todas as matérias, estar com a cabeça tranquila, relaxado e ter uma boa noção de tempo para não correr demais ou demorais demais”, completa.

Talita Fusco/SP

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