Ser feliz é muito mais do que ser aprovado

Este não é um texto que o orientará a se preparar para o concurso que mudará a sua vida. É um artigo que o orientará na escolha do concurso que fará com que se sinta plenamente realizado

Daniel Sena
Publicado em 27/05/2015, às 11h19

No ano passado, enquanto festejava com meus alunos no dia da formatura da Polícia Federal (PF), uma policial federal antiga que acompanhava a solenidade soltou o seguinte comentário: “aproveitem porque essa felicidade durará pouco tempo”.
Após conquistar o seu sonho de ser aprovado em um concurso público, de ter superado milhares de concorrentes, após conquistar a estabilidade e uma boa remuneração, como é possível uma pessoa se sentir infeliz? Este não é um texto que o orientará a se preparar para o concurso que mudará a sua vida. É um artigo que o orientará na escolha do concurso em que deve focar seus estudos para que se sinta plenamente realizado.
Existe uma situação clara nisso tudo: a aprovação não é garantia de felicidade. Assim como ser rico não é garantia de felicidade e do mesmo jeito que ser lindo não é certeza de atingir a plenitude da realização pessoal. 
Os padrões de felicidade impostos pela sociedade moderna têm se mostrado, nos últimos anos, incapazes de satisfazer as necessidades humanas. Temos necessidades que vão além do estereótipo esperado pelos outros. Felicidade é satisfação pessoal, é interior, é de cada um. Somos diferentes uns dos outros e essas diferenças refletem no nosso estado de espírito. Mas o que todo esse papo tem a ver com concurso público? Tudo a ver! Se você está lendo esse texto é porque de alguma forma considerou o concurso como uma possibilidade de transformação e satisfação da sua vida.
A grande questão é: o que é mais importante para mim quando faço um concurso público? Alguns acham que a remuneração é mais importante, outros valorizam a estabilidade no cargo. Tem aqueles que procuram o reconhecimento do cargo, a projeção, o respeito. Ou seja, o valor de cada pessoa é invariavelmente pessoal. Parece redundante dizer isso, mas eu quero que fique muito claro que cada um se satisfaz de uma forma. 
Segundo pesquisa publicada por uma revista nacional, a estabilidade financeira apareceu em um primeiro lugar como o fator que gera mais satisfação com o trabalho, mas não apareceu sozinha. Junto com a estabilidade financeira, dividem o primeiro lugar o senso de utilidade e o prazer. Vejam que interessante: ganhar bem é fundamental, mas sentir-se útil e ter prazer no que faz também são fatores essenciais na escolha do cargo que você quer concorrer.
Com base em tudo o que falei aqui, gostaria que você pensasse em uma coisa bem importante na hora de escolher qualquer concurso: onde você deseja trabalhar o restante da sua vida? O que você deseja fazer até se aposentar? Em qual órgão ou cargo você deseja passar a maior parte do seu tempo?
Eu considero essas perguntas fundamentais, pois elas vão além da questão salarial ou do status profissional. Elas estão intimamente ligadas ao seu nível de satisfação pessoal. Ao responder essas perguntas você descobrirá qual o concurso que o fará mais feliz.
Um dia desses eu conversava com um aluno que acabara de ser aprovado no concurso do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran/SP). O cargo não tem uma boa remuneração e não é “muito importante”, o que me levou a questioná-lo acerca de qual concurso iria focar a partir daquele. Ele olhou bem nos meus olhos e disse: “nenhum, esse era o que eu queria. Antes de prestá-lo, analisei o cargo e me pareceu bem agradável desenvolver as atividades que terei lá”. Você consegue perceber o nível de satisfação dele? Ele de fato sabia o que queria. Ele definiu isso antes de estudar e focou sua energia até passar. 
A pergunta que faço agora é: em qual concurso você deseja ser aprovado e que te fará mais feliz? Essa não é uma pergunta comum que norteia os alunos em suas escolhas, contudo, diante das situações que tenho presenciado nos últimos anos, acho que deve ser o principal elemento de decisão. 
Imagine você estudar para ser um policial e depois que passar descobrir que não era o que queria? Imagine se você se dedica a um concurso de tribunal, passa e percebe que não é o lugar onde deseja trabalhar todos os dias? Imagine se o seu sonho é ser juiz e depois percebe que não consegue dormir após proferir suas sentenças? O critério de felicidade é importante na hora da sua decisão. Para saber o que o fará feliz é preciso autoconhecimento. Se você não sabe quem é, certamente não saberá para onde ir! De forma bem prática, deixo aqui um exercício para você: qual atividade você imagina ter que acordar todos os dias para executá-la até se aposentar? Fica a reflexão! De qualquer forma, faço votos para que acima de tudo, você seja feliz em sua escolha.
Daniel Sena é diretor do AlfaCon São Paulo, professor de direito constitucional e especialista em concursos públicos. Twitter: @ProfDanielSena. Facebook: /Profdanielsena.

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