Formação de palavras e emprego do hífen

Os vocábulos são originários de vários processos de formação de palavras. Vamos estudar como as palavras surgem e compõem a nossa língua portuguesa!

Sandra Ceraldi Carrasco
Publicado em 27/11/2015, às 12h52

Os vocábulos são originários de vários processos de formação de palavras. Vamos estudar como as palavras surgem e compõem a nossa língua portuguesa!
A composição é a formação de palavras novas, combinando dois ou mais vocábulos, ou semantemas. 
Se não houver perda fonética, teremos a justaposição: pombo-correio, porco-espinho, guarda-roupa, testa-de-ferro, corre-corre, Pernalonga, guarda-chuva, malmequer, girassol, passatempo, vaivém. 
Caso a integridade fônica seja alterada e ocorra perda de fonema ou de tonicidade (uma sílaba tônica passa à átona), teremos a aglutinação: perna + longo – pernilongo; plano + alto – planalto; água + ardente – aguardente; filho + de + algo – fidalgo; em + boa + hora – embora; boca + aberto – boquiaberto; fonte + seca – Fonseca; vinho + acre – vinagre; ponta + agudo – pontiagudo; vossa + mercê – você; petra + óleo – petróleo; outra + hora – outrora.  
O processo de derivação ocorre quando houver agregação de afixos a um radical, podendo ser prefixal, sufixal, parassintética, regressiva e imprópria. Ex.: superbacana (prefixal); amoroso (sufixal); deslealdade (prefixal e sufixal); alaranjado (parassintética); resgate, oriunda do verbo resgatar (regressiva) e o rir (imprópria), alteração de categoria gramatical, de verbo passou a ser substantivo. 
O hibridismo forma vocábulos com a união de elementos de línguas diferentes: tele (grego) + visão (latim); momo (grego) + cultura (latim); sócio (latim) + logia (grego); bana (africano) + nal (latim). 
A onomatopeia reproduz certos sons e ruídos, bem como vozes e rumores. Daí a formação de algumas palavras: pingue-pongue, bangue-bangue, zinzinir, zumbir, zumzum, cacarejar. 
A abreviação é uma tendência no cotidiano, pois economizamos tempo e palavras. Assim: foto (fotografia); pornô (pornográfico); quilo (quilograma); pólio (poliomielite); Kombi (konbinations fahrzeng em alemão, veículo combinado para carga e passageiro).
A abreviatura/sigla são reduções na escrita de certas palavras, limitando-as à letra inicial ou às letras iniciais.  Ex.: pe. (padre); p./pág. (página); av. (avenida); h (horas); PT (Partido dos Trabalhadores); MEC (Ministério da Educação e Cultura); ONU (Organização das Nações Unidas).

Prefixos e a nova ortografia 

A partir de janeiro de 2016, o Acordo Ortográfico passa a ser oficial em nossa nação e por isso poderá ser exigido em sua íntegra por todas as organizadoras de concursos públicos. Acompanhe as principais regras extraídas de meu livro “Acordo Ortográfico”, Madras Editora.
O hífen será obrigatório diante de palavras iniciadas por “h” e letras iguais as dos prefixos. Ex.: inter-resistente, micro-ondas, anti-inflação, hiper-revolucionário, extra-hospitalar, pseudo-herói, ultra-humano etc. Algumas regras permaneceram iguais, como é o caso dos seguintes prefixos: além (além-fronteiras); aquém (aquém-mar); ex (ex-marido); recém (recém-nascido); sem (sem-vergonha); vice (vice-presidente); pós (pós-graduação); pré (pré-escolar); pró (pró-britânico), cujo hífen já era obrigatório. Entretanto, os prefixos que usávamos o hífen apenas em casos especiais, respeitando-se vogal, “h”, “r” ou “s”, serão modificados da seguinte forma: somente o usaremos diante de “h” e da mesma letra do término do prefixo e início da outra palavra. Ex.: auto (por si mesmo) – autoescola; contra (contrário) – contrarrevolução; extra (além) – extrarrevolucionário; infra (inferior) – infraocular; intra (interior) – intraocular; neo (anterior) – neorrepublicano; pseudo (falso) – pseudorraposa; semi (metade) – semisselvagem; supra (superior) – suprarrenal; ultra (excesso) – ultrassônico; ante (antes) – antessala; anti (contra) – anti-inflamatório; arqui (superior) – arquirrabino; sobre (acima) – sobressaia. Seguem a mesma regra: aero, agro, alfa, beta, bi, bio, co*, di, eletro, entre foto, gama, geo, giga, hetero, hidro, hipo, homo, ili, ílio, iso, lacto, lipo, macro, maxi, mega, meso, micro, mini, mono, morfo, multi, nefro, neuro, paleo, peri, pluri, poli, psico, retro, tele, tetra e tri.

Atenção para os seguintes casos 

Ab, ob, sob, sub, hífen diante de “b”, “h”, “r” (ab-rupto, ob-reptício, sob-roda, sub-bibliotecário). 
Ad, hífen diante de “d”, “h” e “r” (ad-documental, ad-histórico, ad-regimental). 
Pan e circum, hífen diante de vogal, “h”, “m”, “n” (pan-americano, circum-meridiano, circum-navegação, circum-hotel). 
Inter, super, nuper e hiper, hífen diante de “h” e “r” (inter-racial, super-realista; nuper-herói, hiper-histórico). 
*Co não se usa hífen em vocábulos consagrados na língua (coordenação, cooperar), entretanto as novas regras se aplicam para as demais derivações conforme o uso ou não do hífen (coautor, corréu). 

Composição e a nova ortografia

Hífen obrigatório em espécies zoológicas (peixe-boi, couve-flor, erva-doce).
Compostos iniciados pelos advérbios bem e mal seguidos de palavras começadas por vogal ou “h” (bem-estar, mal-estar, bem-humorado, mal-humorado). Entretanto, benfeito, benfeitor, malnascido. 
Na união de duas ou mais palavras contextualmente combinadas (Liberdade-Igualdade-Fraternidade, ponte Rio-Niterói). 
Nas combinações históricas ou ocasionais de topônimos (Áustria-Hungria, Tóquio-Rio de Janeiro). 
Entretanto, o hífen não será mais usado nas locuções substantivas (cão de guarda, fim de semana, sala de jantar); adjetivas (cor de vinho, cor de mel); pronominais (cada um, quem quer que seja); adverbiais (à vontade, à vista, às pressas); prepositivas (abaixo de, a fim de, apesar de); conjuntivas (a fim de que, ao passo que). Exceções: água-de-colônia, mais-que-perfeito, cor-de-rosa e arco-da-velha.
Um forte abraço!
Sandra Ceraldi Carrasco é consultora, especialista em língua portuguesa e autora de livros e periódicos na área. Há mais de 20 anos ministra cursos e palestras com índice recorde de aprovação. Seu mais recente trabalho aborda de forma prática o Acordo Ortográfico. Atualmente é docente da Academia de Polícia de São Paulo e professora universitária. Contato: professora.sandracarrasco@uol.com.br.

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