Fale as formas verbais corretamente

A fala é individual, diz respeito ao uso que cada falante faz da língua, por isso evolui, transformando-se foneticamente, adquirindo novas palavras e rejeitando outras

Sandra Ceraldi
Publicado em 04/09/2015, às 14h23

A fala é individual, diz respeito ao uso que cada falante faz da língua, por isso evolui, transformando-se foneticamente, adquirindo novas palavras e rejeitando outras. A fala do indivíduo modifica-se de acordo com sua história pessoal, suas intenções e sua maior ou menor aquisição de conhecimentos.
O nível culto é utilizado em ocasiões formais, cuja linguagem é mais obediente às regras gramaticais. Já o nível coloquial ou popular é utilizado na conversação diária, em situações informais, descontraídas e é acessível a qualquer falante, por isso, muito cuidado com algumas expressões, como é o caso do gerúndio, que é a forma nominal verbal que indica ação em continuidade e apresenta a terminação “ndo”: falando, escrevendo, permitindo, brincando, debatendo, rompendo, entre outros.
Na língua portuguesa, devemos evitar expressões do tipo: “Vamos estar ministrando a palestra no sábado, às 16h”. Na frase, temos três verbos: auxiliar (vamos), infinitivo (estar) e verbo principal no gerúndio (ministrando). Corrija essa construção com apenas um verbo (ministraremos) ou a locução verbal (iremos ministrar) que respeita o padrão culto da língua. A qualidade de seu vocabulário é importante dentro do contexto profissional, inclusive se você estiver interessado a alguma vaga em concursos. Leia bastante e procure superar as frases errôneas e comuns do dia a dia com expressões mais normativas. Lembre-se de que o padrão culto de qualquer língua existe para ser falado e escrito, deve, acima de tudo, ser respeitado por seus usuários.
Outro deslize da língua diz respeito aos verbos abundantes. Esses verbos possuem duas ou mais formas equivalentes e a frequência da abundância está centralizada no particípio, que apresenta terminações regulares (“ado” ou “ido”), bem como terminações irregulares. Veja alguns exemplos:  aceitar – aceitado (forma regular) e aceito (forma irregular); entregar – entregado e entregue; suspender – suspendido e suspenso; imprimir – imprimido e impresso; fritar – fritado e frito; enxugar – enxugado e enxuto; tingir – tingido e tinto; benzer – benzido e bento; entre outras formas abundantes.
Para não errar, lembre-se de que os verbos auxiliares que acompanham os particípios delimitam seus usos, por isso, para o particípio regular, empregaremos os auxiliares “ter” ou “haver”, ao passo que para o particípio irregular, empregaremos os auxiliares “ser” ou “estar”. Acompanhe então os exemplos: “As empresas haviam ou tinham entregado as mercadorias”. Nesse caso usamos os auxiliares (haver ou ter) que exigem o particípio regular (entregado). “O dinheiro foi ou estava entregue”. Agora usamos os auxiliares (ser ou estar) que exigem o particípio irregular (entregue). Então, preste atenção e corrija frases cotidianas: “A editora havia ou tinha impresso o livro”, corrija para “A editora havia ou tinha imprimido o livro”. “O papel foi imprimido erroneamente”, corrija para “O papel foi impresso erroneamente”.
Muita atenção para com verbos que aparentemente parecem ser abundantes, como é o caso de chegar e também abrir, que apresentam particípios: chegado e aberto. Entenda que o verbo chegar possui somente um tipo de particípio, chegado, inexistindo o particípio irregular viciosamente falado: chego. Chego é a forma flexionada do verbo chegar no presente do indicativo: “Eu chego sempre muito cansada de meu trabalho”. 
Após essas explicações evite frases errôneas: “Eu havia chego muito tarde ontem”, corrija para “Eu havia chegado muito tarde ontem”.
Também o cuidado deve ser redobrado quando lidarmos com particípios somente falados em suas formas irregulares, os quais não são abundantes. Memorize essas formas verbais para não cometer vícios: cobrir (coberto); dizer (dito); fazer (feito); ganhar (ganho); gastar (gasto); pagar (pago); pôr (posto); entre outros. Bons estudos!
Sandra Ceraldi Carrasco é consultora, especialista em língua portuguesa e autora de livros e periódicos na área. Há mais de 20 anos ministra cursos e palestras com índice recorde de aprovação. Seu mais recente trabalho aborda de forma prática o Acordo Ortográfico. Atualmente é docente da Academia de Polícia de São Paulo e professora universitária. Contato: professora.sandracarrasco@uol.com.br.

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