Mães concurseiras podem levar filho para a prova

Candidatas que amamentam têm direito de levar o bebê para o dia da prova com um acompanhante.

Redação
Publicado em 07/05/2010, às 15h41

Mães cuidadosas não deixam seus filhos pequenos sozinhos um minuto sequer, principalmente nos primeiros meses de vida, quando eles ainda mamam no peito e requerem todo um cuidado e atenção especial. O que fazer então quando a data da prova daquele aguardado concurso coincide com essa fase tão delicada na vida de mães e bebês?

Afastar-se do filho durante um dia todo de provas pode deixar as zelosas mamães apreensivas, e até prejudicar sua concentração e desempenho no concurso.

Mas não é preciso se preocupar ou desistir de fazer a prova. A maioria dos concursos garante às mães lactantes o direito de levar o filho no dia do exame, mediante algumas condições descritas no edital.

Normalmente é reservada uma sala em que a criança e o acompanhante ficam na presença de um fiscal, para evitar possíveis fraudes.

Apesar de não ter uma lei específica, o direito é baseado no artigo 227 da Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente, que em seu artigo 4° diz: “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação (...)”.

Organizadoras – Em alguns casos é preciso fazer a solicitação antecipadamente, por meio de um requerimento encaminhado à empresa organizadora da seleção, indicando um adulto que ficará responsável pela guarda da criança durante o período em que a mãe estará fazendo a prova.

Essa informação deve ser conferida no edital, que indicará todos os procedimentos necessários para a obtenção do benefício. O Cespe/UnB, a Esaf e a Fundação Carlos Chagas solicitam em seus editais que seja feita a solicitação de atendimento especial, e no caso do Cespe/UnB, é preciso até mesmo encaminhar a certidão de nascimento da criança dentro de um prazo determinado.

Já nos editais da Fundação Vunesp, Cesgranrio e do Instituto Cetro, por exemplo, não constam a exigência de solicitação prévia, mas todos concedem a condição especial no dia da prova.

Família unida - Foi o que aconteceu com Thais Costa, bacharel em educação física, que se inscreveu quando ainda estava grávida no concurso da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, para professora de educação básica (PEB) II.

Confirmada a data do exame para o final de março, Thais decidiu que iria levar a filha Bruna, à época com quatro meses, e convocou o namorado, Alex Martins para acompanhá-las.

Apesar de não ter feito o pedido formal à Fundação Carlos Chagas – ela não sabia que era preciso e não se atentou a essa regra do edital – ao chegarem ao local de prova, Thais informou sua necessidade a um fiscal. A coordenação então atendeu ao pedido e permitiu que pai e filha permanecessem dentro da escola. Com o número da sala de Thais em mãos e um aparato de fraudas e mamadeiras, Alex ficou preparado para avisar a um fiscal caso a mãe precisasse ser chamada.

“Fiquei mais tranquila em levá-la, pois ela mama a cada três horas e o local de prova era distante da minha casa. Fiz o teste pensando que se ela precisasse de mim poderia sair da sala e ela estaria logo ali”, lembra a candidata.

Tudo correu bem, Thais não precisou ser interrompida e Bruna até dormiu enquanto esperava a mãe. Durante as três horas em que ficou incumbido da tarefa, Alex conta sobre a experiência: “Foi bem tranquilo, ela não deu trabalho nenhum. Fiquei brincando e distraindo minha filha, até que ela pegou no sono. Achei válido levá-la porque assim a mãe ficou mais aliviada”.

Thais ainda não tem o resultado do concurso, mas espera que a presença da filha tenha lhe dado sorte para conquistar uma vaga, que seria o seu melhor presente de Dia de Mães.

Atenção - As regras também são claras em relação ao tempo que a candidata perde fora da sala de prova cuidando do filho: não há compensação de tempo em favor da candidata. Ou seja, perder o foco pode ser prejudicial e fazer com que a mãe não consiga terminar a prova no prazo estabelecido. Por isso, é preciso ter senso prático e organização.

Como a presença de um acompanhante, parente ou não, é obrigatória, também é importante que a mãe combine com antecedência com a pessoa que será escalada, evitando assim imprevistos que a impossibilite de participar do concurso. Outra dica é chegar cedo ao local da prova, para deixar os fiscais sob aviso e acomodar o bebê na sala reservada.

No domingo de Dia das Mães, 9 de maio, serão aplicadas as provas de importantes concursos como o da Caixa Econômica Federal, Liquigás e Emgepron, e provavelmente muitas candidatas terão de levar seus filhos.

O importante, para as mamães, é saber que existe essa opção que atende às necessidades especiais dos bebês e ficar atenta ao que diz o edital com relação às providências que devem ser tomadas.

Maysa Correa/SP

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