O melhor emprego do mundo

Roberto Seba é o brasileiro ganhador do concurso Best Jobs in the World, saiba mais sobre o fotógrafo que viaja e registra a vida na Austrália

Carolina Pera
Publicado em 06/12/2013, às 10h39

Conquistar um dos postos intitulados como os melhores empregos do mundo não é para qualquer um. Uma das seis vagas disputadas no concurso Best Jobs in the World realizado pelo órgão de turismo da Austrália foi preenchida pelo brasileiro Roberto Seba.

O processo seletivo não foi fácil. Roberto teve que superar mais de 600 mil concorrentes vindos de todas as partes do mundo. Foram diversas etapas durante toda a competição. A primeira envolvia o envio de um vídeo de 30 segundos que deveria explicar o porquê ele deveria ocupar o cargo. “Eu enviei esse vídeo para a competição e, felizmente, fui um dos 25 selecionados que passaram para a próxima fase”, conta ele.

A segunda parte envolvia a ajuda de terceiros, mas somente os amigos e familiares não dariam conta do número de votos que o brasileiro precisava. “Quanto mais gente apoiando melhor. Então, eu criei uma página no Facebook e logo consegui chamar a atenção da mídia no Brasil. Assim, seria possível alcançar mais de pessoas apoiando.” Após todo esse processo, Seba produziu outro vídeo mostrando todo o resultado da campanha. Para quem ficou curioso sobre esta produção basta acessar www.youtube.com/robertoseba.

A terceira etapa do concurso já incluía uma viagem à Austrália. Os finalistas fora até lá para participar de desafios e entrevistas. “O processo foi bem divertido, mas bastante difícil. Primeiro, eu fui para Sydney e conheci todos os outros 18 competidores das seis categorias disponíveis. Lá, nós tivemos exercícios em grupo, briefings, entrevistas com imprensa e várias atividades divertidas, como jogar com o time de futebol australiano Sydney Swans e subir no topo da Sydney Harbor Bridge.”

As seis carreiras que seriam ocupadas eram as de chefe funster, aventureiro outback, guarda florestal, cuidador de animais, fotógrafo de cotidiano e mestre do paladar. Seba foi atrás do que ele já fazia: fotógrafo de cotidiano (lifestyle photographer).

Roberto é formado em publicidade e propaganda, mas desde a adolescência se interessava por artes visuais. Durante a faculdade, trabalhou em uma agência na qual teve muito contato com fotógrafos e diretores de comerciais de televisão, com os quais aprendeu e intensificou seu interesse pelas artes visuais.

O fotógrafo conta que duas viagens que fez mudaram muito sua vida. Seba nasceu em Vitória/ES e antes de se mudar para São Paulo/SP ele passou três meses em Angola, trabalhando como designer, e, antes disso, fez uma viagem para Berlim e outros países da Europa, quando foi convidado para participar do Berlinale Talent Campus, uma iniciativa para jovens realizadores no Berlin Internacional Film Festival.

“Quando voltei de Angola para o Brasil, em meados de 2007, eu já tinha na cabeça que queria focar em fotografia. Então, me mudei para São Paulo e consegui um trabalho como assistente de fotografia de um fotógrafo de moda. Aos poucos comecei a mostrar meu portfólio para diretores de arte de revistas e fui conseguindo os trabalhos”, explica.

Foi em São Paulo que ele passou a trabalhar para revistas de viagem e gastronomia. “Fiz diversos trabalhos para a revista Lonely Planet e para outras revistas de viagem no Brasil. Tenho feito trabalhos para a revista Gol, além de publicações de gastronomia como Gula, Casa e Comida, entre outras.”

Agora o fotógrafo está na Austrália registrando o estilo de vida dos que lá vivem. Ou seja, viajar, fazer o que gosta e ainda receber por isso; foi exatamente o que ele conquistou: uma remuneração de 100 mil dólares australianos para passar seis meses em Melbourne clicando tudo o que acontece por lá.

“Comecei o trabalho no início de setembro. Mudei para Melbourne e estou morando em Southbank. Meu dia a dia de trabalho tem sido bastante intenso. Tenho fotografado bares, restaurantes, cafés e toda a cena gastronômica local, que é bastante vibrante; além de lojas, festivais, pontos turísticos da cidade e diferentes lugares para a revista TimeOut e para o Turismo de Victoria. Em breve, vou viajar pelo Estado de Victoria para explorar as belezas naturais e fotografar praias, vinícolas e parques do Estado”, conta Roberto.

Ao ser questionado se o título da vaga condiz com o que oferece, ele não hesita em dizer que sim. “Sempre achei que o melhor trabalho do mundo é aquele que você pode fazer o que você gosta. Tenho trabalhado com o que gosto aqui. Então sim, para mim, o título da vaga condiz com o que oferece.”

Ele afirma que seu trabalho lá não é muito diferente do que ele fazia no Brasil. “No Brasil também trabalhava fotografando viagens, lifestyle e gastronomia e foi o que me atraiu para este trabalho na Austrália. A oportunidade de continuar fazendo o que gosto, em um lugar novo e incrível como Melbourne é sensacional”, comemora o felizardo.

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