Não pare o relógio, vai dar para fazer tudo!

Na gestão do tempo e dos objetivos, organização e determinação são as posturas mais importantes.

Redação
Publicado em 23/12/2010, às 14h23

A falta de tempo é cantada em canções, está em poemas e faz parte das páginas de revistas e jornais. Encontra-se também no falar diário, na correria impedida pelo trânsito, na cobrança.

Porém, para o instrutor da Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística, Alexandre Bortoletto, sentir a necessidade de realizar tantas tarefas e não conseguir cumpri-las na totalidade não é uma sina ou uma conseqüência da vida moderna. Basta ter organização e disciplina para mudar esse aprisionamento emocional.

Da mesma forma são os objetivos. Todos estipulam planos para serem executados na próxima hora, no final de semana, no mês seguinte ou daqui a cinco ou dez anos mas, muitas vezes, não obtêm o sucesso. Isso pode ser efeito de uma meta mal elaborada.

Acompanhe, na íntegra, a entrevista que Bortoletto concedeu recentemente à JCTV sobre esses dois temas.

Jornal dos Concursos e Empregos - Como o tempo pode ser administrado de maneira objetiva e equilibrada?

Alexandre Bortoletto - Temos dois tipos de tempo. Um é o tempo de fato, do relógio. Mas há o tempo emocional, subjetivo, aquele que está na nossa cabeça e que dá a impressão de que não temos tempo suficiente, que tudo passa muito rápido.

Administrar o tempo do relógio parece muito fácil, porque todos nós temos 24 horas no dia-a-dia. A questão é como administrar o tempo emocional, do nosso pensamento.

JC&E - Essa não é uma tarefa tão simples. De que maneira deve-se agir para o melhor gerenciamento do tempo subjetivo?

AB - A primeira coisa a se perceber é a definição do que é importante e do que é urgente, ou seja, manter prioridades. Urgente é aquela conta que tem de ser paga, aquela coisa que precisa ser feita rapidamente. As importantes são aquelas para cuidar de você, do seu emocional, da sua autoestima.

Priorizar a nós mesmos faz a diferença nos resultados, porque quando administramos o tempo para nós, geralmente todas as outras coisas, as urgentes, saem de acordo e no tempo certo.

JC&E - Muitos candidatos a concursos públicos encontram dificuldades para conciliar trabalho e estudo. Como essas atividades podem coexistir sem que uma atrapalhe a outra e sobre o tempo necessário para a realização das duas tarefas?

AB - Se você não prioriza as coisas na vida, ou seja, não faz uma hierarquia das prioridades, o que tem de ser feito fica perdido. Você acaba não sabendo mais o que é importante, se é importante passear com o filho, filha, esposo, esposa ou se vai estudar para aquela prova.

Todos nós fazemos as coisas por dois motivos: em busca de prazer ou para evitar a dor. Se você está prestes a participar de um processo seletivo, pergunte a você o porquê.

Se a resposta for ‘eu estou fazendo isso para evitar o pior’, provavelmente, esse teste será muito mais difícil do que para aquela pessoa que está fazendo para encontrar prazer. São os que costumar dizer ‘eu quero isso porque eu amo isso’.

Geralmente, as pessoas que fazem as coisas porque gostam do que fazem, provavelmente, vão fazer muito melhor, conseguir administrar o tempo e obter resultados mais significativos em relação àquelas que fazem por obrigação, porque têm de fazer.

JC&E - Preparar uma lista com os afazeres diários e ir eliminando um a um conforme sejam completados é um bom exercício para estabelecer prioridades?

AB - Sim. Há uma grande diferença entre as pessoas que guardam as tarefas no pensamento e as que anotam em papel ou no computador e, à medida que fazem, vão ticando e não retornam mais a elas.

As que possuem o hábito de escrever são mais organizadas e, ao contrário daquelas que organizam a rotina só na mente, não ficam com o pensamento voando.

Por isso uma agenda, seja ela de papel, no computador ou no palmtop, é muito importante nos dias de hoje. Anote o que é importante executar e o tempo necessário para realizar as atividades.

JC&E - A escolha de um concurso público, de uma carreira ou de uma oportunidade de emprego deve ser feita com base em um objetivo. Como esses objetivos podem ser elaborados para não haver frustrações futuras?

AB - A primeira coisa para formular ter um objetivo sustentável e chegar no resultado é colocá-lo em termos positivos. Por exemplo: ‘eu quero ser uma pessoa magra’. Essa frase está construída da corretamente, no termo positivo. Mas, se disser: ‘não quero ser uma pessoa gorda’ está falando o que não quer, ou seja, o contrário.

Depois de identificada a meta, vale saber se o objetivo está do tamanho apropriado para a sua vida. Se você quer uma Ferrari, mas ganha um salário mínimo por mês, vai ficar estranho. Talvez o objetivo não seja do tamanho adequado.

O terceiro passo é pensar ‘bom, o objetivo é meu ou é de outra pessoa?’. Se você tem objetivos próprios, ótimo, porque vai conseguir iniciar, manter, controlar e finalizar o que deseja. Agora, se a intenção é para outra pessoa, como ‘eu quero que você mude’, pode ser que o alvo não seja atingido, porque não é seu.

JC&E - Como possível identificar, antes mesmo de se atingir os planos, se o futuro almejado é uma meta própria ou pertencente a outros?

AB - Depois que o objetivo for elaborado é importante pensar sobre o que vai ser visto, ouvido, percebido e sentido quando o resultado for atingido. Se você conseguir alcançá-lo e depois partir para outro objetivo é porque este já foi realizado, era uma intenção própria.

Muitas vezes, as pessoas já têm um objetivo, mas como não sabem mensurá-lo, acham que não têm.

JC&E - Em que objetivo e sonho distinguem?

AB - A diferença é bem simples. O objetivo é um sonho, só que tem data, tem um planejamento para que se realize. O sonho não tem prazo, é simplesmente um devaneio.

JC&E - O que fazer quando o objetivo não é atingido, apesar de todo o esforço empreendido? Que posturas são necessárias para enfrentar uma situação como esta?

AB - Em programação neurolinguística nós pensamos na seguinte premissa: não existem erros nem fracassos. O que há é um feedback, um resultado.

É como quando você se propõe a preparar um bolo, espera assar, tira do forno e na hora em que vai cortar nota que está muito duro. Tem pessoas que vão falar ‘xi, errei’. Outras vão dizer ‘não era bem isso que eu esperava’.

Aquelas que falam ‘errei, fracassei’, geralmente não vão repetir a receita. Já as que dizem ‘não era bem isso que eu esperava’ vão se perguntar ‘o que foi que não deu certo, onde foi que eu tropecei?’ e vão experimentar novamente, só que dessa vez vão aprender o que não deu certo.

Esse é o segredo do sucesso de quase tudo na vida. Ou seja, se deu certo, comemore. Se não deu, olhe, tome feedback, analise o que pode aprender e vá em frente. Estabeleça outro objetivo e toque a vida.

Pâmela Lee Hamer

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