Universo concurseiro vira mote do filme "O concurso"

Estrelado por Fábio Porchat, Sabrina Sato e Danton Mello, filme faz graça com tensão pré-prova ao flagrar candidatos "perdendo a noção" às vésperas do exame final para a magistratura federal

Reinaldo Matheus Glioche
Publicado em 16/07/2013, às 13h41

“Uma das ideias era fazer um filme sobre os sonhos dos brasileiros”, disse Pedro Vasconcellos na entrevista coletiva do filme “O Concurso”, que marca sua estreia na direção de longas-metragens, e estreia nos cinemas do país na próxima sexta-feira (19) com aproximadamente 400 cópias.

LG Tubaldini Júnior, produtor do filme, carinhosamente chamado pela equipe de Tuba, conta que a inspiração para fazer um filme com o universo do concurso público como pano de fundo veio do âmbito pessoal. Advogado, Tuba tem grande número de amigos do meio jurídico que prestam concursos para a magistratura. Uns conseguem passar e outros não. “Mas todos tem ótimas histórias. Percebi que os contos, os adágios davam base para um roteiro e havia grande potencial cômico”. O produtor então conversou com parceiros da Paris Filmes, uma das empresas responsáveis pela distribuição do filme, à época do lançamento do filme “Qualquer gato vira-lata” (2011) sobre a possibilidade de propor uma nova comédia com o universo concurseiro como pano de fundo.

“É uma brincadeira em cima de estereótipos”, avalia Vasconcellos. Em “O concurso”, acompanhamos quatro finalistas no processo de seleção para juiz federal no TRF do Rio de Janeiro. A última fase da seleção, um exame oral, ocorrerá às 8h de uma segunda-feira. Os quatro candidatos são Rogério Carlos (Fábio Porchat), gaúcho que vive um dilema acerca de sua sexualidade, Freitas (Anderson Di Rizzi), cearense que crê em todos os santos e almeja uma vida melhor para sua família, Bernardinho (Rodrigo Pandolfo), paulista do interior filhinho de mamãe, e Caio (Danton Mello), típico malando carioca na pele de advogado.

Com a chegada ao Rio no sábado para o credenciamento no exame, os quatro acabam reunidos, muito em parte graças à cara de pau de Caio, e vivem um fim de semana de perdição na cidade maravilhosa.

Vasconcellos explica que os estereótipos foram pensados para representar o Brasil, de forma bem humorada, mas que isso não desabilita o tratamento dos personagens de maneira humana. “Comédia é verdade, como qualquer outro gênero. Só é mais técnica”, acrescenta Rodrigo Pandolfo, cujo personagem é paixão dos tempos de colégio de Martinha Pinéu, atiradora de facas circense que marca a estreia da apresentadora de tv Sabrina Sato no cinema. Sato faz essa interiorana à caça de Bernadinho pelas noites cariocas com o intuito de tirar a virgindade do rapaz. “Sabrina foi nossa primeira opção”, informa Vasconcellos sobre uma de suas estrelas com maior capacidade de atração de público.

Referências e prazo curto

Foram 30 dias de filmagens, antecedidos por outros 20 dias de ensaio. Anderson Di Rizzi diz que para caprichar no sotaque cearense recorreu a vídeos de cearenses na internet. “Gostaria de ter ido fazer um laboratório melhor, mas não havia tempo”, lamenta. Já Pandolfo foi a Salto de Pirapora, no interior de São Paulo, para se ambientar com a cidade que serve de inspiração para a cidade de seu personagem, Piraporinha. “O mais engraçado é que assim como meu personagem, quando sai de minha cidade para o Rio de Janeiro para tentar o show business, a cidade fez uma faixa para mim”, ri o gaúcho interiorano. Se Rizzi vê elementos chaplinianos na construção de seu personagem, Pandolfo vê algo de Woody Allen, mas reconhece “fui improvisando e descobrindo o personagem”. O malandro carioca coube ao mineiro de Passos Danton Mello – o irmão de Selton. “Ele é o anti-carioca”, diz Tuba. Justamente por ser tímido, e demonstrar pouca afinação com o microfone, impressiona o que Mello alcança com seu personagem. “É aí que você vê o baita ator que ele é”, sentencia o produtor. Mello, por sua vez, se diz mais à vontade em fazer comédia. “Estou com o filme, com uma peça em São Paulo que também é comédia e em ‘A grande família’. Virei comediante”.

Uma influência que salta aos olhos em “O concurso” é “Se beber, não case!” (2009), filme americano que de tanto sucesso rendeu uma trilogia. A trama mostrava quatro amigos aprontando todas em uma despedida de solteiro em Las Vegas. Vasconcellos entende a comparação, mas diz que não há uma influência consciente e que antes do filme em questão muitos outros giravam em torno do mesmo mote. Tuba é mais enfático em seu comentário e diz que a única equivalência entre os filmes está na “química dos quatro caras juntos”. Vasconcellos faz coro: “Quando você tem a disposição atores tão virtuosos fica fácil para um diretor trabalhar”.

Assim como ocorreu com “Se beber, não case!”, a equipe de “O concurso” faz figas para se reunir em possíveis sequências. “Tudo depende do filme acontecer. De ser abraçado pelo público”, finaliza Tuba com brilho nos olhos.

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