Os caminhos rumo à Diplomacia

Confira dicas de professores e especialistas para se obter sucesso durante este disputado processo seletivo.

Redação
Publicado em 18/02/2011, às 14h58

O concurso para diplomata é considerado um dos mais difíceis de se obter aprovação. Diplomacia é uma das carreiras públicas mais importantes do Estado. Nossos diplomatas são responsáveis por representar o Brasil em qualquer discussão que envolva outras nações ou organismos internacionais. Mas, para alcançar a aprovação no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), processo seletivo oferecido pelo Instituto Rio Branco anualmente, é necessário ter conhecimentos de português, história do Brasil, história mundial inglês, espanhol, francês... É necessário muito esforço para ser aprovado nesses processos; porém, a perspectiva de uma carreira promissora tanto aqui quanto no exterior, bons salários e estabilidade já compensam qualquer sacrifício.

Atualmente, são oferecidas 26 chances na seleção de 2011, cujo requisito é o nível superior em qualquer área. Os vencimentos iniciais são de nada menos que R$ 12.962.

O JC&E conversou com os especialistas Alexandre Vasconcellos, diretor do Centro de Estudos Alexandre Vasconcellos - CEAV, e Profª Raphaela Serrador, diretora do Curso Clio, para saber os caminhos que o candidato deve trilhar rumo à Diplomacia.

JC&E - O concurso para diplomata é considerado um dos mais difíceis de se obter aprovação. Quanto tempo de estudo em média o candidato leva para conquistar a vaga? Quais são os melhores métodos de estudo para um concurso complexo como esse?


Raphaela - O tempo de preparação varia substancialmente. Há candidatos que passam na primeira tentativa, com poucos meses de estudo, e há outros que estudam ao longo de anos antes de obterem sua aprovação. Talvez a média de estudo gire entre 1 e 3 anos de estudo, mas há casos extremos que fazem com que esta média não seja um parâmetro para a preparação.

São premiados aqueles candidatos que possuem maior disciplina de leitura, maior conhecimento do concurso e que se atualizam mais constantemente com os fatos cotidianos. Por isso, a leitura constante de jornais e periódicos (nacionais e internacionais) e a realização de provas antigas são fundamentais para o sucesso no concurso, bem como o hábito de produção de textos argumentativos, fundamentais para a aprovação na segunda e na terceira fases do concurso.

Vasconcellos - Um concurso de alto nível como esse exige uma preparação de médio e longo prazo, já que exige uma grande carga de leitura e bons conhecimentos de língua estrangeira. É um concurso que exige boa capacidade de raciocínio e, principalmente, de escrita. A Fundação Alexandre Gusmão - FUNAG - disponibiliza em formato eletrônico (pdf) a Série Manual do Candidato ao Instituto Rio Branco especialmente encomendada a prestigiados especialistas para servirem como subsídios e guia de estudo para a preparação dos candidatos ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, constituem marco de referência conceitual, analítica e bibliográfica das matérias indicadas no programa de seleção, o site é http://www.funag.gov.br/biblioteca-digital/manuais-do-candidato. A FUNAG mantém também uma biblioteca digital com os volumes publicados pela fundação, cujo site é http://www.funag.gov.br/biblioteca-digital.


JC&E - Qual fase da seleção é considerada a mais difícil? Como o candidato deve se preparar?


Raphaela - Cada fase do concurso possui uma dificuldade específica. O Teste de Pré-Seleção (TPS), que equivale à primeira fase, tem um perfil de questões relativamente simples. O que define, portanto, a aprovação nesta fase é a minimização dos erros, já que afirmativas erradas subtraem pontos dos candidatos (a prova é elaborada pela CESPE/UnB). A maior dificuldade nessa fase é a concorrência, já que apenas os 300 primeiros colocados são chamados para a realização da segunda fase. Tanto a segunda como a terceira fases pedem conhecimentos mais específicos, e exigem um poder argumentativo mais aprofundado, além de grande organização e disciplina nas respostas, que são sempre discursivas. A maior dificuldade destas fases é a capacidade de abordar uma grande quantidade de temas, em um número limitado de linhas, com organização e clareza. Em termos relativos, a quarta fase é a mais simples, por abordar francês e espanhol de forma instrumental, longe do nível de complexidade das duas fases anteriores. Devida à grande quantidade de temas abordados, a preparação para este concurso requer disciplina de estudos para que o candidato tenha tempo de se aprofundar em todas as matérias cobradas no concurso.

Vasconcellos - A segunda, terceira e a quarta fases, porque são provas escritas. Já que é um concurso que exige boa capacidade de raciocínio e, principalmente, de escrita, vale a pena treinar com provas anteriores com a orientação de profissionais especializados em preparatórios de concursos para diplomatas, ter um bom domínio de leitura da bibliografia indicada, para isso vale a pena fazer resumos dos livros.


JC&E - Existe um perfil ideal do candidato que almeja ser diplomata? Qual?

Raphaela - O fundamental é o interesse pelos temas internacionais. Nenhum perfil de candidato pode ser descartado no concurso, como temos observado nos últimos anos, quando observamos a aprovação de profissionais de diversas áreas, da biomedicina à engenharia, passando pela área de humanas.

Vasconcellos – Sim, existe. Um perfil ideal é de uma pessoa com excelente cultura geral, que goste muito de ler e tenha uma ótima base em línguas estrangeiras. Em geral quem procura esse concurso são pessoas com formação na área de Humanas, tais como Relações Internacionais, História, Jornalismo, Direito, mas não excluindo pessoas da área de exatas, como Engenharia.


JC&E - O novo concurso oferece reserva de vagas para afrodescendentes. Em sua opinião, tal medida é eficiente para que haja inclusão social na carreira?


Raphaela - O resultado final do concurso será definido pela capacidade do candidato, já que a reserva de vagas se observa apenas para atingir a segunda fase. Isso cria um incentivo adicional para que afrodescendentes se interessem por este concurso, mas a aprovação final depende do empenho de cada candidato.

Vasconcellos – Sim, é importante a inclusão social desse grupo étnico, já que na área de Humanas é muito numerosa a presença de afrodescendentes. Pelo novo critério, as cotas serão aplicadas somente na segunda das quatro fases da seleção, assim na primeira fase todos concorrerão em igualdade de condições.

Veja também:

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