Candidatos aprovados no concurso da PRF protestam

Nova polêmica envolve o concurso de 750 vagas da Polícia Rodoviária Federal, que encontra-se suspenso.

Redação
Publicado em 11/12/2009, às 15h48

Nova polêmica envolve o concurso de 750 vagas da Polícia Rodoviária Federal, que encontra-se suspenso temporariamente para que o Ministério Público apure as supostas irregularidades ocorridas na avaliação do dia 18 de outubro. Dentre as denúncias, estão as de que os primeiros colocados teriam feito o exame em salas extra e que haveria números de identidade falsos nos cartões de prova.

Após inúmeros candidatos se manifestarem a favor da anulação do processo, agora é a vez daqueles que foram aprovados regularmente protestarem. Descontentes com o rumo das investigações (que, segundo eles, estão sofrendo influência tanto de candidatos reprovados quanto de conhecidos nomes do mundo dos concursos), eles pleiteiam que a Justiça tome decisões de forma totalmente imparcial.

Um desses candidatos aprovados, que preferiu não se identificar (com medo de possíveis retaliações), relatou sua insatisfação ao JC&E. Ele se diz a favor do cancelamento da seleção caso a Justiça obtenha provas concretas da fraude. “Mas também sou contra aqueles que se utilizam de argumentos moralistas para defenderem seus próprios interesses (e isso vai desde os vários candidatos que não conseguiram a aprovação – com exceções – até aos muitos diretores de cursinhos preparatórios – também com raras exceções)”.

O juiz federal William Douglas, que desde as primeiras denúncias posicionou-se abertamente a favor da anulação do concurso (inclusive em entrevista ao JC&E, em que relatou ter recebido diversos documentos que comprovariam as irregularidades), foi um dos alvos da indignação de alguns concurseiros. “Recebi mais de 150 mensagens de agradecimento e elogios por me posicionar contra a fraude, 20 e-mails de leitores ou alunos aprovados e magoados com minha postura e cerca de 14 manifestações ofensivas, agressivas e mal-educadas, com acusações e até ameaças de representação contra mim no Conselho Nacional de Justiça”.

O magistrado, em carta enviada ao público recentemente (veja o arquivo anexo), procurou esclarecer seu papel mediante a situação. “Em geral, as autoridades se omitem e todos criticam isso. Pois bem, não é meu caso. Avaliei os documentos para saber se tinham alguma coisa séria ou se seriam ‘abobrinhas’. Não eram ‘abobrinhas’. O Código de Processo Penal, artigo 40, dá ao juiz o dever de enviar ao Ministério Público a notícia de crimes de ação pública que cheguem ao seu conhecimento. Não fazê-lo é prevaricação (artigo 319 do Código Penal). Assim, tão somente cumpri meu dever legal.

Se quem levou os documentos eram reprovados ‘chorões’ ou pessoas mal intencionadas, não sei, mas sei que os documentos eram consistentes, tanto que a própria FUNRIO eliminou 27 candidatos”.

O aprovado anônimo que entrou em contato com o JC&E é um exemplo de que, apesar de todos os obstáculos, a esperança deve ser mantida. “Eu lutei pelo meu sonho e continuarei lutando nas próximas fases (no caso da continuação do concurso). Só espero que tudo seja resolvido de forma justa. Sem interesses obscuros. Sem manipulação de opiniões. Sem falsos modelos morais”.

Clarissa Janini

Veja também:

Confira na íntegra a carta do juiz William Douglas

PRF: novas denúncias abalam concurso de 750 vagas

PRF 2009: aprovado em concurso clama por imparcialidade

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