Aprovado em concurso clama por imparcialidade

O concurso da PRF continua suspenso temporariamente para que sejam averiguadas as supostas fraudes.

Redação
Publicado em 11/12/2009, às 15h37

O concurso da Polícia Rodoviária Federal continua suspenso temporariamente para que sejam averiguadas as supostas irregularidades apresentadas por inúmeros candidatos – veja os detalhes aqui. Enquanto a maioria pede a anulação imediata do processo, deparamo-nos com o outro lado da moeda: e aqueles que foram aprovados regularmente na seleção?

Recebemos o depoimento de um deles, que não quis se identificar, e está descontente com o andamento do caso. Para o candidato, há “interesses obscuros” por trás de muitos dos que pedem a anulação do concurso (sejam candidatos reprovados que gostariam de uma nova chance, sejam diretores de cursos preparatórios que visam lucrar mais com novas turmas e publicações).

O assunto é controverso e gera discussões. Conheça, a seguir, a versão do candidato que conquistou a aprovação e que, apesar de todos os entraves acerca do concurso, segue com a esperança em tomar posse do cargo de policial rodoviário federal.

Não direi meu nome porque quero preservar minha integridade. Minha declaração é sobre um tema polêmico, que divide opiniões. Mas não o direi principalmente porque tal assunto encontra-se preso a interesses obscuros.

Há dois anos venho me preparando para o concurso da PRF. Planejei esse tempo justamente para que coincidisse com a minha graduação (2009) e, para isso, abri mão de muita coisa.

Para quem quer ser aprovado não existem feriados ou finais de semana. Não existem festas ou descanso. O dinheiro que se ganha é gasto em livros, apostilas, cursinhos e aulas online. Mas tudo isso que disse já é de conhecimento daqueles que conseguiram alcançar suas aprovações ou daqueles que almejam conseguir. Eu consegui a minha, mesmo que ainda parcialmente.

Jamais defenderei as falcatruas de cidadãos que querem entrar para a vida pública pela “porta de trás” (se é que podemos chamá-los de cidadãos). Sou a favor da anulação do processo se os órgãos investigativos assim o decidirem e apresentarem provas concretas de que as fraudes culminaram em uma contaminação generalizada do concurso. Mas também sou contra aqueles que se utilizam de argumentos moralistas para defenderem seus próprios interesses, desprezando e ignorando o contraditório e a ampla defesa (e isso vai desde os vários candidatos que não conseguiram a aprovação – com exceções – até aos muitos diretores de cursinhos preparatórios – também com raras exceções).

Hoje, presenciamos a manifestação egoísta e hipócrita de muitos. Não ligam se quem passou para as próximas fases fizeram-na de maneira honesta e digna. Pensam apenas em dinheiro com possíveis novas turmas, em venderem mais livros, em conseguirem outra chance, etc.

É necessário sim que se lute pela justiça e pela probidade nos concursos, mas que seja feita de forma justa e por quem é designado para isso, e não por pessoas magoadas em não conseguirem a aprovação e muito menos por aqueles que disfarçam seus interesses econômicos levantando a bandeira da moralidade. Que se levante então a bandeira para todos os concursos e não só para aqueles que se tem interesse, pois nenhum concurso está totalmente livre das “supostas” irregularidades (seja por desorganização, seja por eventuais fraudes, seja por horários que não se respeitam, seja por diversas outras situações).

Se estes problemas serão sanáveis ou não, apenas investigações imparciais poderão dizer. Não cabe a nós ficarmos especulando sobre isso. Cabe apenas lutarmos por nossos sonhos. Eu lutei pelo meu e continuarei lutando nas próximas fases (no caso da continuação do concurso). Só espero que tudo seja resolvido de forma justa. Sem interesses obscuros. Sem manipulação de opiniões. Sem falsos modelos morais.

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