Quanto custa se preparar para concursos

Especialistas falam sobre os gastos necessários e como se planejar financeiramente para passar em um concurso

Carolina Pera
Publicado em 15/03/2013, às 14h57

Você já se perguntou quanto uma pessoa gasta com preparação para concursos ou mesmo já desistiu de tentar uma vaga no serviço público pensando nos custos que teria com os estudos? O Jornal dos Concursos & Empregos conversou com especialistas da área para conferir quanto os concurseiros gastam, em média, para estarem aptos a conquistar um cargo. 

É importante lembrar que essa conta depende de muitos fatores. Paulo Estrella, diretor da Academia do Concurso, alerta que a oscilação varia de acordo com a área na qual o candidato deseja ingressar: “Quanto maior o conteúdo programático e mais complexa a prova, maior acaba sendo o investimento de tempo e dinheiro.”

O diretor ressalta: “O valor da preparação cabe no bolso do candidato quando ele ajusta as duas variáveis, tempo e dinheiro. Na falta de dinheiro o candidato conseguirá o mesmo resultado investindo mais tempo e na falta de tempo haverá a necessidade de mais dinheiro. O segredo é obter equilíbrio entre as duas variáveis de forma a ajustar o investimento com a situação pessoal”.

Estrella ainda acrescenta que sem esse equilíbrio há o risco de “morrer na praia” e ter que desistir da preparação para se capitalizar.

José Luis Baubeta, diretor da Central dos Concursos, afirma que os custos variam de pessoa para pessoa e de lugar para lugar, e aos que pensam em custear seus estudos ele deixa a dica: “Você não está fazendo economia burra, você está fazendo um investimento. Está comprando um sonho, o de ser feliz, ter uma qualidade de vida superior e conquistar o seu lugar ao sol”.

O diretor do IOB concursos, Leonardo Pereira, diz que um concurseiro profissional deve ter obrigatoriamente em sua planilha de gastos os seguintes itens: I- valor para pagar as taxas de inscrições nos concursos; II- verba inicial para aquisição da bibliografia recomendada, III- verba anual para atualização dos vade-mécuns; IV- custos com cursinho para os primeiros ciclos obrigatórios; e V- verba para os cursinhos de oportunidade e de resolução de questões. “No caso de alunos que ainda fazem cursos presenciais, temos que considerar também verbas de deslocamento e alimentação”, acrescenta.

Os três especialistas afirmam que os maiores gastos são no começo, principalmente no primeiro ano de preparação.

Números – Fernanda Guimarães é concurseira e estuda há dois anos. Ela conta que gasta mensalmente R$ 352 com passagens, R$ 220 com alimentação e R$ 70 com livros e materiais; somando isso aos R$ 2.000 por curso, sendo que já concluiu três, ela desembolsa R$ 10.704 por ano, em média; ou seja, já gastou cerca de R$ 21 mil neste período de estudos.

Leonardo afirma que para uma preparação mais econômica é necessário aproximadamente R$ 250 reais por mês, o que totalizaria R$ 3.000 ao ano, pensando em um curso online, que não precisa de deslocamento.

Paulo diz que o valor mensal pode variar de R$ 50 a R$ 500 com cursos e R$ 200 ou mais com material, fora as taxas de inscrição e até mesmo viagens que podem ser necessárias para concorrer em outras localidades.

Para Baubeta, o custo inicial pode ser de R$ 2.000 (cidades pequena e cargos de nível médio) a R$ 7.000 (funções superiores). Ele lembra que tem que pensar no “custo x benefício” e compara o investimento com os valores que se gasta com uma graduação: “você paga quatro ou cinco anos de faculdade e sai sem garantia de emprego. No concurso o salário é para o resto da vida. Você sabe que vai ter estabilidade, diferente de uma faculdade, poderá escolher escola para os filhos, viajar tranquilo, escolher mês de férias, pois em empresas privadas não se pode muitas vezes ter essa opção”.

Planejar – Para o diretor, não há desculpas. “As pessoas reclamam que não têm tempo, não têm dinheiro. Matam um leão por dia na empresa, mas quando é para ele isso não acontece”. E deixa a dica: “faça acontecer, há tempo sim, todo mundo tem 24 horas por dia, priorize, planeje, tenha atitude e pare de reclamar”.

Para ele o conhecimento é essencial. “Você não desaprende, não subtrai, você agrega, atualiza. Quanto mais se estuda, mais conhecimento se tem.” E acrescenta: “tem que sair na frente para não correr atrás; tem que acreditar e estar preparado para a guerra”.

Leonardo diz que já viu muitos candidatos terem que abandonar os estudos para se capitalizarem, postergando em anos o sonho de ser aprovado. Ele cita que quando o dinheiro vai acabando, a ansiedade e o estresse aumentam, tirando o foco, por isso o planejamento financeiro se faz necessário.

Paulo afirma que suspender a preparação pode ser fatal. “O risco de não voltar é enorme, se isso acontecer todo investimento já feito será perdido. Isso sem contar o aumento considerável de tempo necessário para a sua preparação. Quanto mais tempo, maior consumo de dinheiro.”

Até passar – Se a ideia de tamanho investimento, seja financeiro ou de tempo, assusta, Estrella deixa um conselho: “Passar em um concurso público é possível e comum, não existe quem não passe em um concurso. Quem não consegue é por que desistiu antes de passar. A preparação é um processo crescente e não deve ser descontinuado, já que o esforço de retomada é muito maior que o esforço de se manter na preparação”.

E finaliza: “Ser um servidor público é um objetivo de vida que demanda esforço, dedicação e investimento. Conheça o mercado e as oportunidades, organize a sua vida e inicie a preparação. O conceito é estudar até passar. Desistir significa gasto desnecessário de tempo e dinheiro. Antes de tudo, analise seus objetivos e prioridades”.

Com as dicas dos especialistas fica claro que com planejamento tudo é possível, portanto, organize-se e boa sorte nos processos seletivos.

Pense nisso:

O dinheiro da preparação não é gasto, é investimento.

Concursos de maior complexidade demandam um investimento maior, seja de tempo ou de dinheiro.

Um bom resultado pode ser alcançado equilibrando tempo e dinheiro.

Com cursos online é possível economizar verba de deslocamento e alimentação, mas é preciso compensar com mais disciplina nos estudos.

Os primeiros meses concentram os maiores gastos, pois incluem compra de livros, apostilas e outros materiais.

Se planejar financeiramente evita desgastes com ansiedade e estresse, que podem atrapalhar os estudos.

Nunca desista: o esforço para retomar os estudos é muito maior do que mantê-lo.

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