Um homem movido à música

Na década de 70, Pedro Luiz Martins descobriu na igreja que a música seria a grande paixão de sua vida.

Redação
Publicado em 05/03/2010, às 15h39

Na década de 70, Pedro Luiz Martins descobriu na igreja que a música seria a grande paixão de sua vida. Nos encontros de jovens, ainda menino, aprendeu a tocar violão, conheceu grandes amigos e foi produtor de bailes de garagem. “Você sabe o que é LP? Vivia com os discos embaixo do braço, mas não tinha dinheiro para comprar os aparelhos porque eram caros. Todos achavam que eu era louco”, afirma.

A música veio sempre em primeiro lugar e o empresário e DJ perdeu as contas de quantas vezes ligou para uma rádio só para perguntar o nome da canção ou largou a esposa sozinha na mesa de jantar em busca de informações musicais.

Formado em marketing e propaganda, Pedro deixou a música por um período e iniciou sua carreira nos extintos bancos BCN e Nacional, onde trabalhou até 1989. Em meados de 90, começou a produzir um programa na Rede Bandeirantes onde cuidava da parte comercial. Depois, passou a trabalhar em grandes empresas da área de moda feminina até perceber que o mercado caminhava para outra direção.

Perspicaz, montou o seu próprio negócio com um sócio e atualmente presta serviços para duas empresas de moda no sul do país. “Optei por marketing porque gosto das relações entre as pessoas, empresas e o mundo, e agora, atuando como representante comercial, mantenho o contato com os clientes e procuro atender as suas necessidades”, explica.

Para ele, a maior dificuldade de ser autônomo é não ter uma renda fixa mensal, mas a liberdade para agir em qualquer direção compensa o risco. Mesmo com todos os obstáculos da carreira, o empresário jamais pensou em desistir e atribui isso a sua teimosia. Ao completar 40 anos, resolveu comemorar e proporcionou uma festa com o tema “flashback” aos amigos e familiares. “Foi o grande evento da minha vida. Produzi a festa nos mínimos detalhes e vi pessoas de todas as idades vibrarem e se divertirem com músicas de todos os estilos musicais”, relata.

Com uma ideia fixa, Pedro resolveu fazer um curso de DJ e conheceu um colega que compartilhou de seu sonho. Em 2008, eles transformaram o sonho do novo DJ em negócios. A empresa é responsável por fazer acreditar que as pessoas estão realmente no passado. O ambiente da festa é todo decorado com ícones antigos, totens de cantores famosos, vitrines com objetos de época e quadro de bandas. Criatividade é o que não falta. Além disso, os aperitivos também remetem aos anos 80. As pessoas podem experimentar ou relembrar os sabores de hi-fi, cubas libre, repolho com picles, ponches, entre outros alimentos e bebidas. Nos eventos também podem ser acrescidos mais produtos como um bar temático, um local de brincadeiras ou um set point (local para tirar fotos). “Tudo isso para criar um ambiente nostálgico com muita alegria e qualidade”. O negócio deu tão certo que, atualmente, uma festa temática produzida por eles pode custar até R$ 5 mil.

Aos 46 anos, casado há duas décadas e com uma filha de 18 anos, orgulha-se do trabalho que realiza e lamenta não ter tido uma banda antes. Brincalhão e tempestuoso, fica indignado quando peço que me revele a sua música predileta. Acredita que definir apenas uma seria uma injustiça com as demais. Simplesmente porque ele não vive sem música. Não consegue ficar no silêncio. Adora todos os tipos de bandas, estilos e cantores. Após certa insistência, o DJ revela: mantém uma pastinha no computador com as dez mais queridas. As músicas são classificadas pela emoção. O empresário/DJ não se importa muito com a qualidade delas. Elas são as mais importantes porque o fazem chorar e relembrar algo marcante. Aqui vão elas, não necessariamente nessa ordem: 1. My way – Frank Sinatra, 2. Fly me to the moon – Sinatra e Tom Jobim, 3. Greatest love of all – George Benson, 4. Beauty and the best – Celine Dion, 5. É preciso saber viver – Titãs, 6. The long and widding road – Beatles, 7. Encontros e despedidas – Maria Rita, 8. Hino Nacional Brasileiro, 9. I´ll be there- Michael Jackson e 10. Always on my mind- Elvis Presley.

Pedro acredita que agora sua vida está completa. Quando uma festa temática ocorre, ele se sente realizado. “Com os eventos eu consigo fazer com que as pessoas se emocionem e revivam os melhores momentos de suas vidas. Mesmo que seja por apenas algumas horas, sei que a festa permanecerá para sempre em suas memórias”, diz.

O nome da empresa criada não poderia ser outro, LongPlay, uma pequena homenagem ao “LP”, companheiro de todas as horas, que o acompanhou por anos e é responsável por tudo isso que está escrito aqui.

Samantha Cerquetani/SP

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