Vencer é nunca desistir

Mãe, concursanda e primeiro lugar no concurso da Caixa Ecônomica Federal, para a carreira de arquiteta. Todos esses títulos cabem a uma só pessoa, Danusia do Rosário de Macedo Medeiros.

Redação
Publicado em 27/07/2012, às 13h55

Para muitas concursandas, um bebê pode adiar os planos de ocupar um cargo público, principalmente pela dificuldade em conciliar as horas de preparação com os cuidados a um ser no início da vida. 
A história de Danusia do Rosário de Macedo Medeiros desafia essa lógica. Para essa paraense da cidade de Bragança que mora em Macapá (AP) há cinco anos, o nascimento da filha foi a motivação que faltava para se lançar em busca de uma oportunidade no serviço público. “Decidi prestar concurso por opção minha, por causa da estabilidade e do salário. O mercado profissional autônomo é incerto, e para quem tem filho pequeno o concurso é uma garantia de um futuro melhor”.  
A reviravolta começou quando Rafaela tinha apenas um ano. Formada em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal do Pará, Danusia se inscreveu no concurso da Secretaria de Estado de Infraestrutura do Amapá, para o cargo de analista de infraestrutura. A decisão foi colocada à prova no momento do teste. “Minha filha tinha ficado com a babá, recém-contratada, pela primeira vez sem a minha presença e fiquei muito preocupada, porque Rafaela era muito pequena. Não conseguia me concentrar e fui a primeira a entregar a prova”.
Mesmo com a turbulência de pensamentos e emoções, o conhecimento que tinha adquirido antes do exame lhe valeu o 23º lugar entre os classificados. A nomeação veio dois anos depois, em novembro de 2011.
Sem a inquietação da instabilidade, era a hora de resgatar um antigo projeto, que a paraense arriscou pela primeira vez em 2010. “Havia tentado o concurso da Caixa, para arquiteto, e não tinha tido uma boa preparação. Não passei”.
Quando o banco publicou novo edital, em fevereiro de 2012, Danusia resolveu se dar uma nova oportunidade. A maior dificuldade foi associar casa, trabalho e cuidados com a filha e com o marido, mas para isso ela tinha um elemento fundamental: “contava com o apoio e a compreensão da família”.
O estudo foi organizado para ser feito nos intervalos da jornada profissional, cumprida das 7h30 às 12h e das 14h30 às 18h, e para depois das tarefas domésticas. “À noite, estudava das 21h às 2h. Procurava ler um pouquinho de cada tópico e me focar nos que acreditava serem mais importantes para a minha carreira, como programas sociais e temas voltados à habitação. Dormia pouco e acabava ficando com o raciocínio um pouco mais lento, mas isso não me prejudicou em nada, porque sempre trabalhei e estudei ao mesmo tempo. Na minha profissão costuma-se dizer que arquiteto não dorme, madruga”.
A persistência e a dedicação trouxeram o que Danusia esperava, a aprovação. E em um grau que ela não podia imaginar. “Passei em primeiro lugar para o Amapá e na região Norte. Fiquei muito feliz e realizada. Foi uma conquista que a família também sentiu. É uma questão de autoestima, uma vitória”.
Com o objetivo alcançado, a paraense de 31 anos que descobriu o gosto pelo desenho ainda na infância poderá exercitar tudo o que aprendeu no curso técnico de edificações e, posteriormente, na faculdade de arquitetura e urbanismo. E, para isso, se valerá de um conhecimento especial, que adquiriu durante a preparação. “Não existe fórmula nenhuma. É preciso ter perseverança, autocontrole e estudar. Eu diria que a perseverança é essencial, porque tem momentos de muito cansaço e outros obstáculos que devem ser superados para se atingir o objetivo. A chave é nunca desistir”.
A mesma consciência de Danusia a respeito do alcance das metas foi despertada em outros grandes nomes da história, como Albert Einstein, que disse certa vez: “mesmo desacreditado e ignorado por todos, não posso desistir, pois, para mim, vencer é nunca desistir”. E se serve de motivação para quem está passando por muitos desafios para se preparar e atingir o posto público desejado, Albert Einstein foi um cientista incompreendido no início da carreira e hoje é lembrado mundialmente como um dos grandes luminares da física.
Pâmela Lee Hamer

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