Da empolgação à exoneração

“Minha felicidade profissional foi mais importante do que qualquer estabilidade", conta Natália.

Redação
Publicado em 17/10/2011, às 11h30

Em meio às dificuldades do mercado de trabalho, encontrar uma alternativa que ofereça estabilidade financeira é o sonho de qualquer profissional atualmente. Com a simpática Natália Lott da Costa, de 30 anos, não foi diferente. Ela viu nos cargos públicos a oportunidade de conquistar esse objetivo.

Estudar nunca foi problema para Natália. Mesmo com pouca idade, a mineira de Juiz de Fora é arquiteta e publicitária e, ainda possui duas pós-graduações, sendo uma em marketing e relações públicas e outra em iluminação e design de interiores. Cerca de três horas diárias de estudos foram suficientes para aprovação no cargo de analista educacional na Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, em 2006.

A jovem não tinha muitas esperanças antes do exame. “Confesso que queria desistir na véspera da prova, pensando que o estudo não fosse suficiente. Não tinha expectativa de passar. Então, fui fazer o exame tranquila e já esperando o pior. Acredito que a prova foi de um nível médio, mas quando se faz na sua área de atuação profissional, as coisas ficam mais simples”, explica.

Poderia ser um final feliz tanto na estabilidade financeira quanto na conquista alcançada num curto período. Pois é, poderia, mas não foi. Após assumir o cargo, Natália viu que não era bem o que buscava profissionalmente. “Ver que o cargo que eu estava ocupando não me fazia feliz foi uma triste constatação. Não foi uma decisão fácil, realmente. Acredito que tenha demorado uns oito meses para pedir a exoneração. Conversei bastante com os meus chefes, que tentaram me convencer a ficar, mas no final entenderam a minha necessidade”, conta.

Ela relata os motivos que levaram a pedir exoneração. “Achava que o trabalho seria tranquilo, tinha aquela ideia errada de que a vida de funcionário público é sossegada. Que nada! A realidade desse cargo específico é um pouco diferente. A responsabilidade em torno dele era alta, uma vez que eu tinha sob minha jurisdição 30 municípios, com 92 escolas estaduais”, comenta. 

“Houve também a questão da carreira. O meu cargo não previa plano de carreira, com promoções a cargos mais altos”, diz. Natália conta que motivos pessoais pesaram muito neste momento. “Minha natureza é bem diferente da realidade de um funcionário público. A minha necessidade de liberdade e oportunidade de criar falou mais alto também. O serviço era basicamente burocrático, o que, de fato, é fundamental para que tudo saia dentro dos padrões. Mas eu não sou uma pessoa burocrática. Apesar de organizada, muitas vezes aquela quantidade enorme de procedimentos me incomodava”, explica.

A mineira não se arrepende da decisão tomada. “Minha felicidade profissional foi mais importante do que qualquer estabilidade. Hoje trabalho com arquitetura e comunicação digital home-office, com toda a liberdade que preciso para produzir”. Natália tinha certeza que naquele momento um cargo público não era o ideal para sua vida, no entanto, sabe que ainda é jovem e tem muito tempo pela frente. “Não descarto a possibilidade de um novo concurso no futuro, mas atualmente não pretendo fazer. Foi muito desgastante a decisão de pedir para sair. Mas se fizer novamente, não farei para a área de arquitetura”, conta.

Nem só de motivos ruins podemos descrever a passagem da arquiteta e publicitária no serviço público. “Havia um clima de cooperação, de boa vontade entre todos, de amizade verdadeira. Tanto que quando vou visitá-los, mesmo depois de mais de três anos que saí, sou muito bem recebida, como se tivesse saído de férias e voltado ao trabalho”, ressalta a sorridente jovem, sobre o ciclo de amizade que conquistou durante o período no cargo.

A experiência de Natália é um bom exemplo para os jovens concursandos evitarem decepção semelhante. “Acho importante conhecer o dia a dia do profissional, ir à instituição, conversar com quem já trabalha no local, saber o que é bom e o que é ruim. Até para decidir se quer realmente trabalhar ali. Não escolher o cargo apenas pelo salário no fim do mês, mas ter certeza de que aquela rotina vai te satisfazer profissionalmente. Por melhor que seja o salário e se tenha estabilidade financeira, eu ainda acredito que estar feliz com aquilo que se faz é a melhor forma de se trabalhar bem e com competência”, finaliza.

Por Douglas Terenciano

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