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Concurso Língua Afiada

Bimensal e bimestral

"Caro Professor: para se mencionar algo que ocorre duas vezes por mês, qual o termo correto: bimensal ou bimes



Redação
Publicado em 30/03/2007, às 13h32

por Prof. Cláudio Moreno


"Caro Professor: para se mencionar algo que ocorre duas vezes por mês, qual o termo correto: bimensal ou bimestral? Os dicionários, brasileiros e portugueses, nos deixam em dúvida. As gramáticas também. Em seu Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, Domingos Pachoal Cegalla afirma que são adjetivos que não devem ser confundidos. Napoleão Mendes de Almeida sustenta, em seu Dicionário de Questões Vernáculas, que são sinônimos. Para tanto, buscou a origem latina e menciona o Aulete e Cândido de Figueiredo, além do filólogo Carlos Góis. Para não mais me alongar citando os grandes mestres Carlos Laet, Rocha Lima, Evanir Bechara e outros, pergunto: como ficamos? Deixo-lhe um agradecimento pelos seus ensinamentos e um grande abraço." Aluísio Arruda - São Paulo (SP)


Meu caro Arruda: não há dúvida de que ambos vieram das mesmas fontes. Ambos ostentam o prefixo bi-, e ambos derivam de mês. O produto final, contudo, é totalmente diferente. Bimestre pertence à mesma série de trimestre, quadrimestre, etc. - dois, três, quatro meses; bimestral é o que ocorre de dois em dois meses. Mensal é o que ocorre todos os meses; bimensal, o que ocorre duas vezes ao mês - ou seja, um sinônimo para quinzenal.

O velho Napoleão Mendes de Almeida, às vezes tão esperto, às vezes nem tanto, faz aqui uma grande mistura de opinião com etimologia. Recorre ao Latim e ao Inglês para nos informar, com veemência, que bimensal e bimestral vêm do mesmo radical - até aí morreu Neves. Logo - continua o autor do Dicionário de Questões Vernáculas - as duas palavras dizem a mesma coisa. Esse é o típico raciocínio non sequitur (a conclusão não é apoiada pela premissa), pois nele está escondida a presunção absurda de que uma palavra é imóvel como uma pedra preta. Se um dia foram sinônimas, a língua fez o que sempre faz nessas situações: tratou de distribuir, entre elas, as duas nuanças semânticas. É significativo que nosso venerável Aulete, dicionarista da Belle Epoque, dê a bimensal o mesmo significado que atribuímos hoje a bimestral, enquanto o Aurélio XXI, lançado em 2000, na véspera do Milênio, já faça uma distinção taxativa entre os dois. Hoje, quem compra alguma coisa com reajustes bimensais, pensando que está contratando um reajuste bimestral, vai aprender para sempre a diferença. Concordo com Napoleão, no entanto, quando ele diz preferir quinzenal: é uma palavra que todos entendem da mesma maneira.


* Cláudio Moreno é professor, escritor e doutor em Letras.

* Matéria extraída, na íntegra, do site Sua Língua (www.sualingua.com.br).

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