A Importância da Comunicação Não-Verbal

O ser humano se comunica continuamente, muito mais por atos e gestos que por palavras. Sons, toques e até...

Redação
Publicado em 30/03/2007, às 11h35

Por Dr. Leonard F. Verea *

Comunicação Não-Verbal pode ajudar durante uma entrevista de emprego

O ser humano se comunica continuamente, muito mais por atos e gestos que por palavras. Sons, toques e até mesmo a distância mantida entre duas pessoas são sinais: atos comunicativos que nada mais são do que manifestações aparentes da sua Comunicação Não Verbal (CNV). Mostrar com o dedo polegar que está tudo bem, responder com um "hum-hum" gutural ao invés de responder sim ou não, se afastar de alguém que está ficando perto demais ou tentar diminuir o espaço comunicativo para se aconchegar são atitudes não verbais de quem prefere naquele momento os sinais ao uso da palavra.

Esta é a explicação para que a maior parte dos candidatos que se apresenta para a entrevista a uma vaga de emprego tem quase sempre a sensação de que está começando um degrau abaixo. "Eles têm toda a razão: não fazem parte do grupo, não são conhecidos pelo entrevistador, devem mostrar tudo o que valem em alguns minutos e a pressão do meio em cima deles é muito forte", explica o Dr. Leonard F. Verea, psiquiatra e presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose Clínica e Dinâmica.

Quem já participou de entrevistas de algumas entrevistas se sente mais seguro, pois, mesmo inconscientemente, já aprendeu alguns macetes de como se portar nesta situação. "As experiências anteriores fazem com que o candidato se sinta mais à vontade e as chances de tudo correr bem são muito maiores. Em outras palavras, essa pessoa aprendeu mesmo a se comunicar melhor de forma não verbal", esclarece o psiquiatra.
O entrevistador, que escolherá entre vários candidatos, irá sentir-se muito mais confortável com que conseguir lhe transmitir uma emoção positiva, uma relação empática - e vai escolher quem se apresentar melhor e mostrar mais segurança – além, claro, do bom preparo técnico que o cargo exige.

O médico aconselha: basta usar o bom senso. Elegância, sobriedade e simplicidade são os segredos na hora de escolher a roupa. Para passar uma boa impressão na hora da entrevista, não adianta colocar o melhor traje que se tem no armário, mas sim algo que transpasse confiança, sobriedade e, principalmente, seriedade.
"Simplicidade não é desleixo. O certo para saber o que usar é levar em conta o perfil da empresa na qual vai fazer a entrevista. A internet pode ser uma boa ferramenta: se a empresa tiver um site, faça uma pesquisa. Visitar o lugar alguns dias antes, na hora da entrada e da saída dos funcionários, é outra dica que ajuda muito", recomenda.

Exagerar na maquiagem ou no perfume é outro erro muito comum. "A maquiagem tem que ser condizente com a estação do ano, a roupa que a pessoa está vestida e a própria personalidade. Lembre-se de que você não está indo a uma festa e não quer deixar rastros", explica o psiquiatra.

Outro detalhe importante é a postura do candidato durante a entrevista. Ficar à vontade não significa se sentar de qualquer jeito, falar alto ou de forma inoportuna, mas sim estar informado sobre o que está acontecendo no mundo atualmente. Isso lhe dará segurança para enfrentar uma conversa "informal" com qualquer pessoa em qualquer parte da entrevista. "Nada pior do que ser um ótimo técnico desconectado do contexto social no qual vive (o livro mais vendido, o filme mais visto, a peça de teatro mais atual, além de outras informações gerais sobre atualidades)", diz ele.

Preste a máxima atenção aos gestos. Evite todas aquelas posturas de "fechamento". Dr. Leonard explica que braços e pernas cruzadas indicam pouca receptividade para a conversa, assim como cruzar e descruzar continuamente as pernas mostra insegurança e nervosismo.
Bater os dedos na mesa, balançar muito as pernas, quebrar palitos ou pão na mesa, rasgar o guardanapo de papel são mais sinais de desconforto e nervosismo que o entrevistador certamente vai perceber. "É muito melhor denunciar este sentimento abertamente e vai perceber na hora que esta insegurança passa, deixando você muito mais seguro para continuar a venda de si próprio", indica o psiquiatra.
Ele dá uma última dica. "A sua imagem será fortalecida quando for honesto e sincero com o seu interlocutor, admitindo o que todo mundo sabe: a importância daquele momento e a expectativa de um bom emprego", finaliza.

* Dr. Leonard F. Verea é médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão, Itália. Especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Clínica, o Dr. Verea é membro de diversas entidades nacionais e internacionais, como o CID CNV - Istituto di Psicologia Analogica e di Ipnosi Dinâmica - o SIMP - Societá Italiana di Medicina Psicosomatica, Roma-Italia, The International Society for Medical and Psychological Hypnosis, New York-EUA, ABMP - Associação Brasileira de Medicina Psicossomática e a Sociedade Brasileira de Hipnose. Atuando no Brasil desde 1985 como Clínico Geral e Hipnoterapeuta, ministra grande parte dos cursos e palestras oferecidos pelo Instituto Verea. É presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose Clínica e Dinâmica. Além do Instituto, o Dr. Leonard criou e dirige a UNICAP, empresa voltada à implementação e manutenção das condições de saúde e segurança no ambiente de trabalho.

Comentários

Mais Lidas