Gerações fora de foco

O fato é que toda essa gente está aí, todos juntos, num mesmo planeta e num mesmo mercado de trabalho. Origens diferentes, mas anseios semelhantes: prosperidade e felicidade

Edison Andrades
Publicado em 17/04/2014, às 10h04

Quatro gerações vivas e ativas. Não vamos entrar aqui na controversa discussão sobre anos de nascimento de cada geração, nosso foco serão os conceitos e características das mesmas.

Temos a Geração “Baby boomer”, são os nascidos no pós-segunda guerra. Senhores e senhoras que viveram numa época em que a espécie humana chegou à ameaça da extinção; a explosão dos bebês (baby boom) se deu no retorno dos soldados aos seus lares. Os integrantes dessa Geração vivenciaram grandes transições e, por natureza, valorizam a estabilidade trabalhista. Destes originou-se a tal Geração “X” (faço parte dela), são os nativos analógicos. Conhecemos o telégrafo, fax, telefone fixo (com fio), e-mail, Orkut, Facebook, WhatsApp e aguardamos mais.

Demos vida à Geração “Y”, uma garotada que também deu um “boom”, no manuseio tecnológico. Sabem tudo no que se refere ao mundo virtual. São imediatistas, instáveis, versáteis, multifuncionais e tem muita pressa em comunicar-se. Essa geração se mistura à Geração “Z”, que é composta por “pequenos adultos”, eles encabeçam a era do Touch (toque). Para eles, o mouse (aquele ratinho que servia para navegarmos por onde queríamos na tela) não existe mais. Ah! Também desconhecem teclados plásticos, pois abrem e fecham telas e imagens com o toque das mãos, aliás, essas (mãos) também já estão quase obsoletas, com a chegada de óculos e relógios inteligentes. E, um dia, cheguei a achar que só gente poderia ter o dom da inteligência! É que sou “X”. Está explicado!

O fato é que toda essa gente está aí, todos juntos, num mesmo planeta e num mesmo mercado de trabalho. Origens diferentes, mas anseios semelhantes: prosperidade e felicidade. E as empresas? “PERDIDINHAS!”. Não conseguem reter talentos por não saberem preparar seus líderes e suas áreas de desenvolvimento. Treinam a Geração “Y” com o mesmo modelo usado na indústria dos tempos do “Baby boomer”. Exigem expertises (competências) da Geração “X”, achando que somos “Z”. Querem que a Geração “Z” tenha comportamento de “X”, ou seja, exigem daqueles a maturidade de um “Baby boomer” e a multifuncionalidade de um “Y”. O resultado é rotatividade alta, baixa performance operacional e uma qualidade de vida meio esquisita.

As doenças psicossomáticas são geradas pela atividade ocupacional, refletindo diretamente nas famílias. Pais e mães preocupados com o futuro de seus filhos e sem tempo para cuidar disso. Filhos com poucas referências profissionais e, por vezes, familiares estão tentando se encontrar através das redes. Tudo está em rede, tudo é permitido até que alguém diga “não”. Essa conjuntura gera pessoas sem limites, com baixa resiliência e que, consequentemente, não se adaptam aos limites organizacionais e perdem boas oportunidades. Empresas que também não estão preparadas para essa gente acabam “flexibilizando” por sobrevivência. Lá na ponta, está o cliente, elevando vertiginosamente seu grau de exigência.

O Baby boomer com muita vontade, mas pouca habilidade. O “X” tentando mandar, mas necessitando de ajuda. O “Y” sem intuito de ajudar e o “Z” chegando agora. Ufa! O que fazer? Talvez tenha chegado a hora de buscarmos o foco naquilo que queremos. Saiba que, mesmo num mundo fora de foco, você pode ajustar sua lente na direção de seus sonhos. Afinal, “em terra sem foco, quem ajusta sua lente vira rei!”.

Ah! E nunca se esqueça de incluir Deus em todos os seus planos.

Prof. Edison Andrades é escritor, palestrante e sócio da Reciclare Treinamento. www.facebook.com/professor.edison.andrade

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