Embalagens econômicas

Professor Edison Andrades escreve artigo sobre embalagens econômicas.

Redação
Publicado em 17/06/2011, às 11h19

Por esses dias, fui ao supermercado e percebi algo que, tenho certeza, passa longe da percepção de muitos consumidores: as embalagens econômicas são mais caras. Ao verificarmos aquela embalagem “econômica” temos, por instantes, a certeza de que estamos pagando menos ao compararmos com o mesmo produto em embalagens menores. Alguns produtos que passaram pelo meu crivo, naquele supermercado, chegaram a diferença de quase 20%. Portanto cuidado! Percebo que o mesmo ocorre dentro das empresas.

Muitos candidatos se apresentam à área de recursos humanos dotados de inúmeras habilidades e titulações. São, aparentemente, profissionais altamente competentes em diversas áreas. Isso empolga a contratante que julga estar diante de um colaborador multifuncional (semelhante àquelas impressoras que fazem de tudo!). Esses profissionais lembram as embalagens econômicas, pois apresentam muito mais conteúdo, se comparados àqueles especialistas já existentes na organização.

Acredito em grandes e completos profissionais, mas, durante minha carreira como executivo da RH, raramente tive êxito ao contratar pessoas com esse perfil. Primeiramente, porque alguns desses profissionais consideram-se tão capazes e ecléticos que desprezam tudo que já existe. Mesmo as coisas boas. São profissionais que necessitam emplacar a qualquer custo. Eu falei a qualquer custo! 

Percebo que os “embalagens econômicas” costumam impressionar em primeira instância, com suas terminologias (termos próprios pertencentes a algum segmento), daí enchem os olhos dos novatos e avassalam os veteranos, mas, geralmente, causam desarmonia no ambiente corporativo.

Sei que é possível um mesmo profissional acumular várias funções e ser competente em todas elas, mas o perigo desse modelo é que as empresas correm o risco de ficarem reféns desses profissionais. Isso ocorre por um motivo muito simples: uma embalagem econômica não divide seu conteúdo. Provavelmente, centralizará seu poder, monopolizando suas funções chave. Com isso, ao se ausentar, independentemente do motivo, causará transtornos à empresa no que tange à reestruturação da área. 

Recentemente, no Brasil, tivemos um fato que, metaforicamente, aproxima-se de nosso tema de hoje: a saída do chefe da Casa Civil. Devido a sua saída, foi necessária uma reestruturação no ministério e redistribuição de diversas atividades para outros ministérios, já que o ex-ocupante possuía predominância e habilidade em uma série de cadeiras.

Um profissional “embalagem econômica” ajuda a tirar os colaboradores mais antigos da zona de conforto, pois sua presença deverá alertar os demais colaboradores sobre a necessidade de buscarem autodesenvolvimento, contudo, ao contratarem bons colaboradores, as áreas devem avaliar adequadamente os perfis. De forma gradativa e sistematicamente controlada, esses colaboradores poderão ir acumulando novas atribuições. Isso evitará danos maiores, pois, a exemplo de Brasília, uma bela “embalagem econômica” pode custar bem mais caro. 

Ah! E nunca se esqueça de incluir Deus em todos os seus planos.

Prof. Edison Andrades é palestrante e escritor.

Twiter: @edison_andrades

Site: www.edisonandrades.com.br  

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