Nexialismo, uma nova embalagem à vista

Professor Edison Andrades comenta sobre Nexialismo.

Redação
Publicado em 24/06/2011, às 10h57

Em artigo anterior, comentava sobre profissionais generalistas, os quais chamei de “embalagens econômicas”. Comparei-os a pacotes de mercadorias que atraem em primeira instância, mas que podem sair mais caros posteriormente. Gostaria de dar prosseguimento àquela discussão para falar de uma nova tendência que chega ao mercado de trabalho: o nexialismo.

Até ontem, tínhamos os profissionais generalistas, de um lado, e os especialistas de outro. De forma simplista, podemos dizer que estes concentram seu conhecimento numa só área, enquanto aqueles desenvolvem uma visão mais abrangente e atuação mais ampla. Disse “até ontem” porque hoje o mercado de trabalho abre lugar para mais um perfil profissional: surgem os nexialistas, profissionais que mesclam competências daqueles dois perfis clássicos. 

Os nexialistas possuem uma grande facilidade de adaptar-se a novos ambientes, justamente por assumirem uma postura interdisciplinar, acumulando conhecimentos de áreas diversas. Conseguem trilhar do “Oiapoque ao Chuí” em questão de instantes. Costumam ser bem informados e, sobretudo, interessados em buscar respostas para o que poucos sabem. Os nexialistas não possuem todas as respostas, mas buscam encontrá-las, dando nexo às informações, daí a origem da nomenclatura.

O mercado de trabalho precisa desse perfil, principalmente quando falamos dos líderes. A maioria dos líderes que conhecemos chegou a essa posição, quase sempre, de forma brusca e no esquema do ”se vira”. Portanto não conseguem gerir de forma tão eficiente, ao menos, no início. Com isso improvisam em boa parte dos desafios que lhes são apresentados. Mas improviso nem sempre é a melhor alternativa, pois sob uma boa liderança deve haver planejamento e planos de ação. O fato é que excesso de planejamento sem ação, não passa de sonho. Uma ação realizada sem planejamento também representa risco ou ameaça. Os nexialistas vêm, portanto, como uma promessa de resolução desse impasse, ao passo que são capazes de planejar, como os generalistas, e executar, como os especialistas. Não conhecem cada assunto a fundo (como os especialistas), mas são capazes de ir fundo no assunto que mais interessa à organização. Tudo isso sem perder a visão macro (herança dos generalistas), que se espera de todo líder. 

O ideal é o equilíbrio em tudo que se realiza. Como entender de tudo, quando tudo é muita coisa? Está aí a sacada: não é preciso entender de tudo! Necessário é saber onde buscar as soluções. O grande problema em conhecermos demais sobre algo é que, dificilmente, dosamos nossos sentidos a ponto de eliminar o alto poder crítico sobre aquilo. Explico melhor: um bom diretor teatral possui grande dificuldade em assistir um drama e se emocionar profundamente como a maioria dos expectadores. Isso acontece porque ele, ainda que involuntariamente, observará a posição cênica dos atores, as marcações, interpretações, cenário etc. 

É isso que ocorre com um especialista, ele acaba criando barreiras para seu próprio desenvolvimento e perde o gostinho de pesquisar e celebrar uma nova descoberta. Os nexialistas se isentam da responsabilidade de saber e, assim, eliminam a resistência ao novo.

Pare de gastar suas energias tentando saber tudo! E concentre seus esforços na busca de uma habilidade cada vez mais valorizada pelo mercado de trabalho, a habilidade de fazer conexões entre as informações disponíveis, o que permite ver as situações por um novo ângulo, que os demais não enxergaram. Mais importante do que ter as respostas, é saber onde encontrá-las! Lembre-se de que o maior talento do nexialista é sua capacidade de encontrar soluções, pensar “out of the box” (fora da caixa) ou seria “out of the packing” (fora da embalagem)?

Ah! E nunca se esqueça de incluir Deus em todos os seus planos.

Prof. Edison Andrades é palestrante e escritor.

Twiter: @edison_andrades. Site: www.edisonandrades.com.br


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