Nuvens no clima organizacional

Nesta semana, o prof. Edison reflete sobre a influência negativa que algumas pessoas exercem sobre as outras.

Redação
Publicado em 30/09/2010, às 13h25

Recentemente, eu me encontrava num desses congestionamentos de São Paulo, enquanto, no carro a minha frente, alguém comprava um pacote de amendoins. Observei a dedicação e alegria do vendedor ambulante que corria para buscar o troco. Nesse ínterim, o semáforo se transformara, tomando a cor verde, então, com a fúria de uma manada de elefantes selvagens, buzinas soaram sobre a cabeça daquele que, assim como todos nós, precisava mastigar algum alimento enquanto contava os minutos para retornar ao seu lar. Percebi, através do retrovisor, que os veículos anteriores ao meu esbravejavam e insultavam aquele sorridente vendedor. Já não tão sorridente assim.


Parei para pensar: os insultos e xingamentos teriam como causa os 72 segundos a mais que todos gastaram devido ao fato de o semáforo ter fechado? Ou seriam resultado da percepção de que aquele vendedor estava em melhor situação que todos nós naquele momento? Ele não possuía um automóvel, mas não estava em regime de “cárcere privado”, preso no trânsito. Além disso, ele sorria!

Todas aquelas pessoas conseguiram multiplicar suas “neuras”, contagiando alguém que, assim como nós, trabalhava. Conseguiram, talvez por minutos, contagiar o pobre ambulante com o que havia de pior depositado dentro de cada um.


No interior das organizações, essas coisas se repetem. As pessoas alimentam-se umas do “bolor” das outras. Proliferando, pelos corredores, climas pesados e psicologicamente comprometedores.

Conheço gente que não suporta mais a empresa em que trabalha. E, quando pergunto por que, respondem: - O clima é péssimo. Costumo estender esse tipo de conversa, replicando: - Há quanto tempo você está sentindo isso? Daí, quase que automaticamente, vem a resposta: - Desde quando entrei lá.


A próxima pergunta seria: - Há quanto tempo se encontra nessa empresa? Mas prefiro não investigar. Não alteraria quase nada no aspecto conceitual do problema, pois problemas de clima, no que se refere a multiplicação e fortalecimento, são como vermes.


Voltando ao vendedor ambulante, creio que, após alguns carros e ao contemplar mais uma venda de amendoins, ele já tenha voltado ao seu estado rotineiro. Sorrindo e servindo.


Servir, para muitos, é estar abaixo. Mas, ao contrário, servir está no balaio da altivez. Jesus serviu. As pessoas que servem somam, para si e para os outros, pétalas de bondade, felicidade e sucesso. E isso não é uma frase de autoajuda, mas um alerta para todos os que buzinaram naquele dia.

O mercado de trabalho até gosta de habilidades e títulos adquiridos no interior de salas de aulas, congressos, seminários e viagens de negócios, mas ainda faltam pessoas humanas nas organizações. Falta o intangível. É isso que agrega valor.


Até quando transferiremos os péssimos resultados, frutos de nossas próprias escolhas, aos que não têm nenhuma responsabilidade sobre eles?


Em seus carrões e ternos caríssimos, muitos buscam incessantemente o sucesso, almejando milhões sobre suas cabeças. Enquanto, por vezes, o sucesso esconde-se naquele que, com um sorriso de poucos dentes, segura firme e confiante, em suas mãos, um simples saco de amendoins.


Ah! E nunca se esqueça de incluir Deus em todos os seus planos.

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Professor Edison Andrades é escritor e palestrante. Visite seu site: www.edisonandrades.com.br


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