Questão de escolha

Artigo do professor Edison Andrades.

Edison Andrades
Publicado em 21/11/2013, às 13h31

Muitas pessoas confundem salário com remuneração. O fato é que, embora os dois conceitos se complementem, eles tratam de coisas diferentes, o que poderá confundir o trabalhador no ato de uma escolha. Nem sempre a melhor, entre duas oportunidades ofertadas, será aquela que acena com o maior salário.

Vários aspectos estão em jogo na hora de uma decisão. Algumas pessoas, em momento de desespero, aceitam a primeira proposta que aparece. Em alguns casos, há arrependimento. E, se o recuo ocorrer antes do final do prazo de experiência, ainda haverá prejuízo em termos de marketing pessoal, além do desgaste com a empresa.

Sempre que optar por um trabalho, você deverá ter duas coisas em mente: Você precisa do trabalho; a empresa precisa de seus serviços. Portanto trata-se de uma relação recíproca, de troca de recompensas. De um lado, o trabalhador sendo recompensado por aquilo que desempenha. De outro, a empresa obtendo resultados a partir de um trabalho executado por alguém.

Quando uma empresa decide contratar um determinado profissional, isso significa que ela fez uma boa análise do pacote de benefícios que aquele colaborador trará aos negócios. O mesmo deveria acontecer com os trabalhadores. Todo profissional deveria avaliar os diversos aspectos que permeiam uma vaga. Mas o que costumamos presenciar é algo bem diferente. Vejo trabalhadores com o foco diretamente apontado para um só aspecto: o salário. Como se esse fosse suficiente para determinar, sozinho, o começo ou o fim de uma relação trabalhista.

Eu diria que o salário, embora essencial, deve ocupar a terceira posição na escolha de um emprego. Antes dele encontra-se, primeiramente, a tarefa em si. Você deve saber exatamente qual será sua função e se o que estão lhe oferecendo poderá ameaçar princípios morais, sociais, éticos ou qualquer de seus valores. Se a ameaça existir, “caia fora”. Pode ser que, em curto prazo, tal emprego lhe traga vantajosos benefícios, mas afirmo que, no final, você encontrará a falência profissional. Em segundo lugar, coloco o pacote de remuneração, que engloba todo o tipo de recompensa (tangível e intangível). As gratificações tangíveis são facilmente calculadas. Como exemplo delas temos planos de saúde, bônus, complemento para refeição, premiações, comissões, participação em convênios, seguros etc.

Para as recompensas intangíveis temos clima organizacional, localização (trabalhar longe de casa ou em locais de difícil acesso poderá trazer grandes problemas, como desgaste físico, financeiro e psicológico), perspectiva de crescimento na carreira, infraestrutura, carga horária e turnos. Enfim, lá na terceira posição, está o salário, é esse o grau de importância que devemos dedicar a ele quando nos encontramos em meio a uma decisão.

Poucos pensam nos benefícios intangíveis, ignorando o fato de que eles causam impacto direto nos tangíveis. Uma péssima qualidade de vida resultante de ausência na família, cansaço e mau humor, por exemplo, é extremamente prejudicial à produtividade, causando perdas, por vezes, irrecuperáveis. Agora resta saber quais valores você prefere. Só assim fará a melhor escolha.

Prof. Edison Andrades é sócio da Reciclare Treinamento. Facebook.com/professor.edison.andrades

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