Vocação sem talento mata!

Artigo do professor Edison Andrades.

Edison Andrades
Publicado em 01/08/2013, às 10h57

Todo ser humano nasce com alguma habilidade ímpar, ou seja, há algo que cada indivíduo faz melhor do que as outras pessoas, ainda que sem muita paixão. Quem nunca foi atacado por um profissional que demonstra ódio em exercer sua profissão? Quantos de nós já acordamos pela manhã e proliferamos a seguinte frase: “Lá vou eu para aquela desgraça (a empresa)?”.

Talvez o que mais nos incomode seja a velha ideia de que tem gente que nasce sabendo algo! Enxergamos isso claramente em esportes, música, artes plásticas (lembrando que a palavra “talento” tanto no latim (talentum), como no grego (tálanton) significava “moeda de ouro ou prata com alto valor agregado”). Está aí o problema, normalmente referenciamos os talentos aos que brilham num palco ou mídia e isso torna, de forma subjetiva, as demais habilidades menos importantes.

Saiba que um talento bem aplicado e relativamente orientado pode render grandes resultados, independentemente do segmento ao qual se aplica. Presenciei um garoto, certa vez, com um talento muito especial para lavar automóveis. Apegava-se aos detalhes e realizava sua tarefa de forma majestosa. Ao perguntar-lhe se gostava de trabalhar naquilo, a resposta foi: “Descobri que é o que faço melhor”. Fiquei satisfeito com sua resposta, pois esta veio acompanhada de um belo sorriso.

O talento de uma pessoa nunca é solitário, pois o descobrimos através do feedback. Um grande palestrante brasileiro chamado Waldez Ludwig diz que talento é “aquilo que você faz, e que os outros acham que você faz melhor que os outros.” Mas muitos conflitam talento com vocação (do latim vocare, que significa “chamado”). É como se uma voz nos assoprasse o que devemos fazer. É muito bom ouvir essa voz, mas nem sempre funciona.

O fato é que esse “chamado” que ouvimos originado, simbolicamente, de nosso coração, normalmente se alinha com aquilo que gostamos de fazer e, ao contrário do talento, pode ser solitário. Quando jovem, talvez eu fosse, entre os colegas, aquele que mais gostava de jogar futebol, cheguei até a pensar em ser jogador profissional, mas os elogios e incentivos de quem me observava eram raros e esporádicos. E isso deve sim ser levado em consideração, por uma razão muito simples, são os outros que vão ou não comprar ou contratar aquilo que produzirmos.

Daí, vemos muitos que possuem um grande talento, ou seja, uma bela quantidade de ouro em suas mãos, mas permanecem soterrados por um chamado que só eles ouviram e mais ninguém valoriza. Quando receber o chamado para realizar alguma coisa na qual seja muito talentoso, você estará com tudo! Mas, se isso não acontecer, não morra e nem mate. Invista em seu talento, aprimore-o cada vez mais e, acima de tudo, valorize-o. Assim seu dia a dia será povoado de significado e muito mais prazeroso. Seja tão bem sucedido a ponto de sustentar sua vocação com muita tranquilidade e prazer. Hoje, eu já consigo bater uma bolinha com os amigos!

Prof. Edison Andrades é sócio da Reciclare Treinamento.

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