Mercado profissional em franca expansão

Em outubro de 2008, haviam cerca de 2 milhões e 500 mil trabalhadores com carteira assinada.

Redação
Publicado em 14/08/2009, às 13h44

Daniel Limas

Diariamente, ficamos sabendo pelos meios de comunicação que a crise econômica mundial tem gerado ao redor do mundo milhares de demissões de trabalhadores. O Brasil não ficou imune a essa grande depressão, mas alguns setores da economia não estão sofrendo tantos impactos e são uma aposta para animar a economia. Um desses segmentos é a Construção Civil, que emprega uma infinidade de profissões diferentes e ainda movimenta indiretamente outros mercados.

Segundo pesquisa realizada do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e pela FGV Projetos, com base nos dados do Caged/MTE, a indústria da construção civil brasileira retomou as contratações em janeiro de 2009. No mês, 14.278 trabalhadores tiveram as suas carteiras profissionais assinadas. O que representa um aumento de 0,68% em relação ao número de empregados do setor em dezembro de 2008.

O crescimento parece modesto, mas mostra uma recuperação no nível de empregos, que vinha caindo durante novembro e dezembro, meses em que foram demitidos 110 mil profissionais no Brasil. “Esse resultado mais os números de contratações de janeiro e fevereiro indicam uma recuperação do setor”, analisa Haruo Ishikawa, vice-presidente de Capital-Trabalho do SindusCon-SP ao apontar que quase 3 mil profissionais foram contratados em fevereiro e outros 11 mil e 400 em janeiro em todo o país.

Antes da crise começar a estourar em outubro de 2008, haviam cerca de 2 milhões e 500 mil trabalhadores com carteira registrada. Hoje, esse número é de 2 milhões e 100 mil. “A tendência é igualarmos a mesma quantidade de emprego. Essas demissões são consideradas por nós normais, já que elas sempre acontecem nesse período do ano”, explica Haruo.

O vice-presidente do sindicato também faz uma análise do setor e aponta que mesmo que nos próximos anos a situação econômica não for das mais animadoras, o setor da construção civil vai continuar crescendo. A explicação para isso é que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, do governo federal, as inúmeras obras necessárias para a realização da Copa do Mundo de Futebol, que será realizada em 2014 no Brasil e mais o recente anúncio do Pacote Habitacional, também feito pelo governo federal, agitarão o mercado da Construção Civil a partir do próximo ano.

Esses fatos são muito animadores e só reforçam os últimos anos que indicavam um vigoroso crescimento deste setor. “Desde 2004, a construção civil vinha crescendo em um ritmo intenso. Mas, 2008 foi um ano excepcional. Chegou a faltar mão de obra em grande quantidade. Por isso, as construtoras se viram obrigadas a contratar gente sem qualquer experiência”, aponta Haruo. Ele acredita que muitos desses profissionais com pouca qualificação foram demitidos nesse último trimestre.

A contratação desse pessoal com pouca ou nenhuma experiência também aconteceu porque a construção civil estava aquecida em todos os estados brasileiros. Ao contrário do que acontecia antigamente, que tinha a região sudeste e sul como principais focos de emprego. “Em 2008, houve crescimento generalizado em todas as regiões. Foi um ano extraordinário em todos os estados. Então, as pessoas que migravam das regiões norte e nordeste em busca de trabalho permaneceram em suas regiões. Não faltou empregou nesse setor. Pelo contrário”, conta Haruo.

Outro representante desse setor, o presidente da Anamaco, Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção, Cláudio Conz, também concorda que a redução de impostos promovida pelo Pacote Habitacional traz efeitos imediatos para o setor. “Apesar de temporária, essa medida poderá diminuir o preço dos produtos beneficiados de 5% a 8% para o consumidor final. Com isso, esperamos uma recuperação nas vendas que, no primeiro bimestre de 2009, na comparação com o mesmo período do ano passado, caíram 12%”, declara Conz. Para o presidente da associação, as medidas anunciadas estimulam a construção que é promovida pelos próprios consumidores, que representa 77% do consumo dos materiais de construção no país. “O Brasil é construído pelos milhões de brasileiros que contratam um arquiteto e um engenheiro e gerenciam a sua própria obra”.

Quem faz a Construção Civil?

O vice-presidente do SindusCon-SP explica também que os profissionais que atuam na Construção Civil podem ser classificados em dois tipos: operacional e gerencial. No nível operacional estão serventes, pedreiros, carpinteiros, gesseiros, eletricistas, marceneiros, encanadores, azulejistas, etc. “São inúmeras as atividades que trabalham com a mão na massa. E a grande maioria desses profissionais é treinada no próprio canteiro de obras”, aponta Haruo. Para o executivo, a falta de qualificação existe porque há poucas escolas técnicas para formar estes profissionais. “A maioria acaba aprendendo ao olhar o trabalho de seus colegas e botando a mão na massa, literalmente”, explica Haruo.

Para as profissões chamadas gerenciais, há a necessidade de formação educacional. Neste nível existem os engenheiros, os técnicos de segurança, os técnicos em edificações, mestre de obras e os encarregados. “Mas esses profissionais representam 5%. O grande volume, 95%, fica mesmo por conta dos operacionais”, explica Haruo, que conta que uma grande obra tem, geralmente, apenas um engenheiro, um mestre de obras e um estagiário.

Fonte: Empregos Catho Online

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